terça-feira, 17 de novembro de 2009

Eurídice


Angústia, beleza, ternura, emoção, tristeza-muita-coisa, coração, sentidos, família, sentido-de-família, sedução. Provavelmente com mais tempo eu poderia listar mais umas duzentas palavras que podem perfeitamente traduzir, entrelaçadas e distintamente, o que sentimos ao ler Eurídice.

Raquel de Queiroz disse que amigos do artista, escritores, leitores da época etc, tinham imaginado que José Lins do Rego chegara ao ápice da sua obra no livro anterior, mas, quando Eurídice chegou, seu décimo primeiro romance, viram que estavam redondamente enganados.

Ontem mesmo o indiquei a uma cliente estrangeira que estava querendo conhecer mais da literatura brasileira. E essa é, sem dúvida, brasileiríssima.

Apesar da nordestinidade do autor, ele cria um personagem, que muitos dizem ser autobiográfico, carioca, tijucano e cheio de problemas. Retrata o Rio de Janeiro da época com carinho e perfeição. O livro, dizem e eu concordei, se apega muito mais aos sentidos do que às características locais, como muitos autores brasileiros gostam de escrever. O tom de voz da mãe, o cheiro da irmã, a carranca do pai. Julinho, nosso personagem, vai nos contando sua triste história através dos seus sentidos. Não sabemos muito nem como são fisicamente seus personagens e muito menos como é o lugar em que vive.
Obra-prima, certamente!
Terminei o livro provavelmente um dia após tê-lo colocado no prelo, mas ainda não havia tido tempo para postar.

Autor: REGO, JOSE LINS DO
Editora: JOSE OLYMPIO
Assunto: LITERATURA BRASILEIRA
ISBN: 9788503004879
Preço: R$ 21,00
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