quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

O colecionador de ossos

Já falei por aqui sobre minha queda por literatura policial e de suspense? Pois bem.

Este é um dos meus favoritos da classe. Provavelmente já passou por minhas mãos umas três ou quatro vezes. Adoro o humor ácido de Lincoln Rhyme, criminologista de alto nível, que fica tetraplégico por acidente ao inspecionar a cena de um crime. Lincoln volta à vida depois de mais de três anos em depressão para estar à frente da investigação de um criminoso em série. Sua parceira na investigação torna-se todos os seus cinco sentidos. É pelos olhos, pernas e sensações de Amelia Sachs que ele desvenda o mistério e eles acabam criando uma sintonia aguda, onde todo tipo de emoção se entrelaça.


Autor: DEAVER, JEFFERY
Tradutor: JUNGMANN, RUY
Editora: BEST BOLSO
Assunto: LITERATURA ESTRANGEIRA - ROMANCES
ISBN: 9788577990665
Preço: 19,90

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Tia Julia e o Escrevinhador

Releitura... Há muitos anos li Tia Julia, emprestado de uma grande amiga e outro dia, numa livraria, dei de cara com uma reedição maravilhosa! Não resisti e comprei para reler sempre que quiser. Dos livros de Vargas Llosa que já tive em mãos,  pessoalmente, este é o melhor.
Ele mescla romance autobiográfico com histórias hilariantes. Os capítulos se alternam, ora narrando o romance de Mario Vargas, Varguitas, um rapaz de 18 anos que se envolve em um tórrido romance com sua Tia Julia, mulher divorciada nos anos 50, com quase o dobro de sua idade, ora sua história com Pedro Camacho, um excêntrico autor de radionovelas, que faz muito sucesso entre os ouvintes da Lima da mesma época.
Pedro Camacho é um sujeito estranhíssimo, que trabalha 24 horas por dia, criando novelas em série, até que enlouquece e começa a misturar personagens em todas as histórias.
Varguitas trabalha na mesma radio que Pedro e tornam-se amigos, na medida do possível. O jovem cuida dos plantões informativos da radio, ao mesmo tempo que sonha ser escritor, vivendo de seus romances na bela Paris. A paixão por Tia Julia excede os limites da razão e eles se casam clandestinamente, após a descoberta da família.
Um livro divertido, com uma narrativa inteligente e ritmo absurdo!

Autor: VARGAS LLOSA, MARIO
Tradutor: SIQUEIRA, JOSE RUBENS
Editora: ALFAGUARA BRASIL
Assunto: LITERATURA ESTRANGEIRA - LATINO-AMERICANA
ISBN: 9788560281312 
Preço: 49,90

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Diário de um Banana

Greg Heffley é um aluno do ensino fundamental que ganha da mãe um diário onde possa expressar seus sentimentos.
O livro tem momentos engraçados, mas não o tempo inteiro. O humor do autor seria melhor se ele não escorregasse em determinados momentos com piadas preconceituosas.


Estava navegando pelo Facebook e li uma frase postada por Livia Garcia Roza: "Um público comprometido com a leitura é crítico, rebelde, inquieto, pouco manipulável, e não crê em lemas que alguns fazem passar por ideias." (Mario Vargas Llosa)
É isso. Talvez eu seja o público pouco manipulável. Reconheço a dificuldade de se escrever para crianças em fase de transição. Por isso a vital importância do comprometimento com a palavra, por parte do autor.
A literatura infanto-juvenil é de uma importância absurda, porque é ela que vai definir o gosto pela leitura mais tarde. Há que se tomar muito cuidado, porque ela também forma opinião e valores que precisamos estar sempre atentos. 

Autor: KINNEY, JEFF
Editora: VERGARA & RIBA
Assunto: INFANTO-JUVENIS - LITERATURA JUVENIL
ISBN: 9788576831303

Preço R$ 32,90 

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Um certo verão na Sicília

Neste belo livro de memórias, Marlena de Blasi e seu marido viajam à Sicília e encontram em suas montanhas um lugar onde o tempo parece ter parado. Tosca, proprietária da misteriosa Villa Donnafugata relata à autora, em muitos encontros aos pés de uma magnólia, uma vida fascinante, sofrida e muito bela.
Tosca foi vendida pelo pai ao príncipe Leo ainda criança. Aprendeu a viver no palácio, criada com muita educação, mas sua veia rebelde, quase indomável, estava sempre à espera de uma oportunidade para se manifestar.
Uma história de amor, um romance real e, talvez por isso, consegue nos fazer ainda esperançosos com a humanidade.

Autor: BLASI, MARLENA DE
Editora: OBJETIVA
Assunto: BIOGRAFIAS, DIÁRIOS, MEMÓRIAS E CORRESPONDÊNCIAS
ISBN: 9788573029505
Preço: 52,35

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

A mulher desiludida

Três contos sobre a essência e os anseios de mulheres de terceira idade frustradas na vida pessoal e profissional. O livro é angustiante e real, que fala da solidão no envelhecer, da indiferença familiar, dos infernos pessoais de mulheres que sacrificaram suas vidas em nome do amor e da família.
Realmente Simone é de tirar o fôlego. A dor é transmitida intensamente pelas páginas.
O primeiro conto fala do desespero de uma mãe ao ver seu jovem filho trilhar um caminho oposto aos seus ideias e convicções. Mulher forte, dura, não aceita a ruptura e enlouquece. O segundo é um monólogo fantástico, travado na mente deprimida de uma mulher absolutamente abandonada por todos os seus, e entregue à própria sorte. O último, que leva o título do livro, mostra uma mulher de seus 60 anos, que aceita a traição do marido por não saber que outro tipo de vida levar. É escrito em forma de diários, de forma maravilhosa, a angústia também presente em todos os lugares. Triste, intenso, Simone.
Não recomendado para pessoas em processo melancólico. Super recomendado para pessoas ávidas por uma literatura de alta qualidade.


Autor: BEAUVOIR, SIMONE DE
Editora: NOVA FRONTEIRA
Assunto: LITERATURA ESTRANGEIRA - CONTOS E CRÔNICAS
ISBN: 9788520922637
Preço: 29,90

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Saiu no PublishNews...

... e achei uma graça!

O melhor das "Cobras" de Veríssimo
PublishNews - 09/09/2010 - Por Redação
Quando Luis Fernando Verissimo teve a idéia de escrever quadrinhos com personagens que não fossem muito elaborados fisicamente, logo pensou em cobras:
“As cobras são o produto da combinação do meu gosto por quadrinhos com minhas limitações como desenhista. Cobra é muito fácil de fazer, só tem pescoço. Não há nada mais fácil de desenhar”, conta.
Criadas em 1975, foram publicadas originalmente no jornal Zero Hora. Durante duas décadas elas comentaram assuntos do Brasil e do Universo em diversos jornais brasileiros. Filosóficas, irônicas e muito bem-humoradas, elas morrem de medo de onda grande, desprezam minhocas, já nascem dando palpite sobre tudo e adoram discutir sobre a essência do existencialismo humano. As melhores tiras estão agora reunidas em As cobras (Objetiva, 200 pp., R$ 49,90). 

Palavraunida

(pra ilustrar a letra, só consegui visualizar a tão maravilhosa Toca dos Weasley) 

Só mesmo Arnaldo para criar uma definição de núcleo familiar tão visceral. Hoje ouvi essa música tão belamente interpretada pela Marisa Monte. Há anos não a ouvia.

Sentido de unidade. Amor. Cumplicidade. Família. É tudo que consigo ler nas entrelinhas de Arnaldo. Marvilhoso.

Volte Para O Seu Lar
Marisa Monte
Composição: Arnaldo Antunes


Aqui nessa casa
Ninguém quer a sua boa educação
Nos dias que tem comida
Comemos comida com a mão
E quando a polícia, a doença, a distância, ou alguma discussão
Nos separam de um irmão
Sentimos que nunca acaba
De caber mais dor no coração
Mas não choramos à toa
Não choramos à toa

Aqui nessa tribo
Ninguém quer a sua catequização
Falamos a sua língua,
Mas não entendemos o seu sermão
Nós rimos alto, bebemos e falamos palavrão
Mas não sorrimos à toa
Não sorrimos à toa

Aqui nesse barco
Ninguém quer a sua orientação
Não temos perspectivas
Mas o vento nos dá a direção
A vida que vai à deriva
É a nossa condução
Mas não seguimos à toa
Não seguimos à toa

Volte para o seu lar
Volte para lá

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Eu queria um livro...

(Antologia de contos e cenas livrescas)

Inicialmente, este livro viria a público com o título "Eu queria um livro... mas não lembro o título, esqueci o autor e não sei qual é a editora". Imagino que realmente ficaria muito extenso e aí mesmo é que os leitores se atrapalhariam ao perguntar por ele nas tantas livrarias existentes em nosso país.
Ao nos depararmos com ele, vemos na superfície mais um livro de contos contemporâneos de artistas brasileiros. Mas ele é mais do que isso. São dezessete autores-livreiros. Pessoas que trabalham a semana inteira em prol de uma cultura tão difícil de ser absorvida: a literatura.
Os contos são deliciosos, escritos de forma sensível e exata. As cenas livrescas são emocionantes e divertidas. Entre os autores, dos quais três são queridos amigos "travessos", da época em que eu também passava meus dias com tantas estantes maravilhosas ao meu redor, falam do ofício com muito amor.

Um trecho para dar água na boca. A cena trata de uma cliente ansiosa, à procura de um livro praticamente esgotado. A narração é de um sensível livreiro e querido amigo.

"Eu sabia que tínhamos o que ela procurava, ela só estava procurando no lugar errado. Ficou tão presa em sua timidez que se esquecia de adentrar mais a loja, perceber mais os espaços, integrar-se mais ao ambiente, fazer amizade com os livros. Confiar. Eles falariam o caminho. Sempre falam.
Assim como falam das pessoas. [...] Os livros, no fundo, sabem com quem vão ficar. E é nosso papel como livreiros fazer esta entrega, esta transição para as mãos daqueles que serão seus novos donos. Esse é o lado romântico da parceria livro-livreiro: está mais para doação do que para venda."

Os autores ganharam um prefácio de Rubem Fonseca, onde ele diz:
"Eu nunca faço prefácios ou escrevo orelhas de livros, nem mesmo para os meus amigos. Mas não consegui negar o pedido para escrever a orelha de uma antologia de contos escritos por livreiros."

O mundo dos livros é mágico. Fazer parte dele ativamente, conhecer a fundo autores, tipos de literatura, dos clássicos aos modernos, é o mesmo que viver sempre dentro da magia. É fantástico. Por isso me sinto tão feliz de fazer parte, de alguma forma, desse mundo.

Organizador: MULLER, LEANDRO
Editora: AGIR
Assunto: LITERATURA BRASILEIRA
ISBN: 9788522011926 
Preço, 24,90

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Noites Brancas

Ah, Dostoiévski...
Imaginem a cena. No ano de 1848, Dostoiévski publica uma novela romântica, num período onde o romantismo era condenado entre os críticos da literatura russa. Ele consegue, em sua singela história de amor, reunir romance, drama, comédia, espírito aguçado, graça, paródia.
Nosso narrador se denomina um Sonhador, assim mesmo, com letra maiúscula. Homem absolutamente solitário e melancólico que passa algumas noites brancas, fenômeno que acontece nos verões de São Petersburgo, onde o sol não chega a se pôr de todo, na companhia de uma agradável donzela, por quem se apaixona perdidamente. Os dois personagens, absolutamente inteligentes e sensíveis, envolvem-se de forma distinta. Ela o vê como um querido amigo, um confidente, e ele, coitado, morre de amores.
O livro tem um desfecho dramático, sofrido, mas, como sempre, genial como seu criador.
Não sei... acredito que só deva ser permitido nascer criaturas como Dostoiévski a cada século, para que a humanidade sempre perceba a importância da literatura em nossas vidas.

Autor: DOSTOIEVSKI, FIODOR
Ilustrador: ABRAMO, LIVIO
Tradutor: SANTOS, NIVALDO DOS
Editora: EDITORA 34
Assunto: LITERATURA ESTRANGEIRA - ROMANCES
ISBN: 9788573263350
Preço: 27,00

terça-feira, 31 de agosto de 2010

A cor da água

Avassalador. Emocionante. Profundo. Meu coração está completamente rendido e impactado. Páginas de lágrimas de diversas cores e sabores e sensações.
Uma das mais belas declarações de amor de um dos doze filhos à sua extraordinária mãe.
James McBride é músico, jornalista, escritor e dono de uma das almas mais profundas que já visitei.
Quando criança, não entendia a diferença de cor entre ele e sua mãe, diferente das mães de todas as outras crianças que conhecia.
- Mãe, qual a sua cor? E a minha? Nós somos tão diferentes...
E a resposta era sempre a mesma:
- Temos a cor da água.

Essa mulher de vida sofrida, também sofreu preconceitos, só que de ordem religiosa, em sua infância, por causa do judaísmo.
Dentro da própria casa o preconceito era mais uma vez o mandante. Sua mãe, aleijada, foi aceita como mulher de seu pai somente por causa do dote oferecido. Sua família queria livrar-se da filha defeituosa, e o marido desejava somente o dinheiro para ir para a América. Foi abusada, molestada por esse pai, vivia condoída pela mãe, até o momento em que largou tudo. Religião, família, nome, sua identidade. Casou-se 2 vezes com homens negros e teve 12 filhos. Viveu na pobreza toda sua vida e conseguiu, ainda assim, graduar e pós-graduar todos os seus filhos. Hoje, homens e mulheres altamente bem-sucedidos na vida, unidos para sempre em torno do poder dessa mãe inacreditável.
James McBride e sua mãe, Ruth McBride Jordan, que no início de sua vida chamava-se Rachel Deborah Shilsky

Pra variar, os melhores estão extintos. Como pode um livro desses estar esgotado? Só nos resta os sebos, donos dessas raridades tão preciosas.

EDITORA: BERTRAND BRASIL

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Palavraviva

Ou seria palavravida?
Quando penso que a palavra me sustenta, no sentido mais literal possível, a primeira que me vem à mente é: obrigada! (assim mesmo, com o ponto de exclamação como se fizesse parte dela)
A palavra sustenta meu intelecto, minha vida, meus filhos, meu coração, sentimentos e emoções.
Ela sustenta minha sanidade. Ou será insanidade?
Outro dia achei interessante um movimento meu onde, lendo uma bela crítica a respeito de um filme, ao invés de pensar "quero ver", pensei "será que tem o livro?"
A força da palavra é tão imensa que cada vez mais me certifico que a gentileza deve margear cada palavra proferida e pensada e que o amor precisa estar inserido em seu núcleo de forma visceral.

Todos esses livros que leio e venho aqui trazer minhas impressões são na verdade palavra acumulada. São experiências únicas vividas da palavra interna de um autor. Por isso minha reverência a essas criaturas iluminadas, que dão vida à nossa imaginação e aquecem nosso coração. Um mega obrigada!

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Marcas de Nascença

Confesso que este livro me trouxe sensações contraditórias. A escrita é envolvente. A história, cativante e inteligente. A princípio fiquei com aquela sensação do "tudo é culpa das mães". Ao mesmo tempo, não há como negar a vital importância de uma educação equilibrada.
A máxima do livro é: “Um adulto nada mais é do que uma criança que sofreu."
Quatro gerações. Roteiro em ordem cronológica decrescente. Tudo começa na história mais atual.
Um menino de 6 anos narra seus mais profundos pensamentos, mesmo aqueles que não se diz a si próprio.  E a história continua com seu pai, sua avó e bisavó, cada qual com seus problemas, angústias, sonhos.

Um livro polifônico. Um pouco chocante, porque mostra do lado mais lúdico ao mais perverso de uma criança de seis anos.
Provavelmente o lerei mais uma vez, para poder internalizar de forma mais concreta. Acho que flutuei nas quatro histórias, às vezes impressionada, às vezes emocionada.
Uma leitura que vale muito a pena.
Um trecho da quarta capa:
"Partindo de uma ideia singela e genial, a escritora conta a história de uma família marcada pelo desenraizamento, pelo dilaceramento da guerra e pela busca de identidade. E o faz de uma maneira originalíssima: por meio do olhar infantil, inocente e perspicaz de quatro crianças, numa narrativa que viaja por vários pontos do planeta, começando na Califórnia do ano de 2004 e terminando na Alemanha que, entre 1944 e 1945, está em vias de perder a guerra. Do garoto californiano no início do século XXI à menina alemã dos anos 1940, pouco há em comum além de uma marca de nascença hereditária. Mas, à medida que a narração avança, fica claro que há muito mais a unir os membros de uma família além dos laços meramente sanguíneos...
Nancy Huston, com seus personagens cativantes e profundamente humanos, seu olhar agudo de observadora, sua noção penetrante do detalhe, sua sabedoria e seu conhecimento do mundo, faz a crônica dessa família parecer uma sinfonia de dor e de compreensão sobre toda a humanidade. Entre passado e presente, Velho e Novo Mundo, no entrecruzamento da História com as histórias individuais, a autora demonstra um domínio narrativo como poucos nomes da literatura universal.
Um livro atualíssimo, comovente, bem-humorado, perturbador, depois do qual o leitor não será mais o mesmo. Contra a barbárie eleva-se este desconcertante e reparador romance no qual, com amor e fúria, Nancy Huston faz uma ode à memória, à lealdade, à resistência e ao entendimento entre os homens.
"

Autor: HUSTON, NANCY
Tradutor: HEINEBERG, ILANA
Editora: L&PM EDITORES
Assunto: LITERATURA ESTRANGEIRA - ROMANCES
ISBN: 9788525417084
Preço: 39,00

domingo, 15 de agosto de 2010

O estranho caso do cachorro morto


Um belo dia, há alguns anos, a mulher de um amigo faria uma festa de aniversário. Não a conhecia bem, não sabia do que gostava, mas queria comprar-lhe um presente.
É claro que levei um livro! Conversei com uma amiga da livraria, expliquei a situação e disse por alto o perfil da pessoa:
- Bem, ela é psicóloga e trabalha com crianças / adolescentes especiais em uma escola pública.
Era o máximo de informação que tinha.
Minha amiga recomendou "O estranho caso do cachorro morto". Disse que ela adoraria. Desconfiando do título, fui atrás do livro e pela sinopse também me apaixonei. Ele conta a história de um adolescente com um tipo de autismo, sob sua perspectiva. O menino como narrador principal. Na hora fiquei eufórica e comprei o presente super feliz de ter acertado em cheio.
Quando cheguei ao aniversário e entreguei o presente, ela agradeceu educadamente. Mais tarde me diria que não sabia o que dizer, pois não tinha o hábito de ler, não gostava de literatura e achou estranhíssimo eu, que mal a conhecia, resolver dar um presente tão pessoal.
Resultado: por curiosidade e também para depois me dar um feedback, ela pegou o livro. E só o largou na última página, de tão encantada.
Hoje ela é mais uma ávida leitora, adquiriu o hábito e volta e meia trocamos livros, impressões, opiniões.
O estranho livro transformou mais uma pessoa. Tem coisa melhor?

Sinopse:
Criado entre professores especializados e pais que definitivamente não sabem lidar com suas necessidades especiais, Christopher Boone tem 15 anos e sofre do mal de Asperger's, uma forma de autismo. Adora listas, padrões e verdades absolutas. Odeia amarelo e marrom e, acima de tudo, odeia ser tocado por alguém. Christopher nunca foi muito além de seu próprio mundo, não consegue mentir nem entende metáforas ou piadas. É também incapaz de interpretar a mais simples expressão facial de qualquer pessoa. Um dia, Christopher encontra o cachorro da vizinha morto no jardim, é acusado do assassinato e preso. Depois de uma noite na cadeia, decide descobrir quem matou Wellington, o cachorro, e escreve um livro, relatando suas investigações. 






ISBN: 9788501066251 
Preço: 37,90

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Conversa de mãe e filho...

F - Mãe, faz brigadeiro de panela pra mim?

M - Ah, filho, hoje é terça-feira! Isso lá é dia de comer brigadeiro?

F - Claro, mãe! Podemos inclusive fazer brigadeiro toda terça-feira! Dia oficial do brigadeiro!

Quem é que resiste? ;)

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Palavraencantada

O Laço e o Abraço
Mário Quintana

Meu Deus! Como é engraçado!

Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço... uma  fita dando voltas.
Enrosca-se, mas não se embola, vira, revira, circula e pronto: está dado o
laço. É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de
braço. É assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo, no vestido,
em qualquer coisa onde o faço.
E quando puxo uma ponta, o que é que acontece? Vai escorregando...
devagarzinho, desmancha, desfaz o abraço.
Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido.
E, na fita, que curioso, não faltou nem um pedaço.
Ah! Então, é assim o amor, a amizade.
Tudo que é sentimento. Como um pedaço de fita.
Enrosca, segura um pouquinho, mas pode se desfazer a qualquer hora,
deixando livre as duas bandas do laço. Por isso é que se diz: laço
afetivo, laço de amizade.
E quando alguém briga, então se diz: romperam-se os laços.
E saem as duas partes, igual meus pedaços de fita, sem perder nenhum
pedaço.
Então o amor e a amizade são isso...
Não prendem, não escravizam, não apertam, não sufocam.
Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço!

terça-feira, 27 de julho de 2010

O Deus das Pequenas Coisas

Um dos melhores presentes que ganhei recentemente.
Literatura indiana de primeira. A autora, Arundhati Roy, é estreante, formada em arquitetura. Trabalhou em cinema, como designer de produção e em dois roteiros. Vive em Nova Delhi e este é o seu primeiro livro. Como assim???

Sua prosa é pu-ra-po-e-si-a.

Um casal de gêmeos. Bivitelinos. Estha (ele) e Rahel (ela). Duas crianças com uma capacidade de amar absurda. De sensibilidade extrema.

Só pra dar um gostinho:

"Nunca se pareceram muito um com o ouro, Estha e Rahel, [...]. A confusão ficava num lugar mais profundo, mais secreto. Naqueles primeiros anos amorfos, em que a memória tinha apenas começado, em que a vida era cheia de Começos e sem Fins e Tudo era Para Sempre, Esthappen e Rahel pensavam em si mesmos juntos como Eu, e separadamente, individualmente, como Nós."

"Já então Esthappen e Rahel tinham aprendido que o mundo tem outras formas de quebrar homens. Já conheciam o cheiro. Docenjoativo. Como rosas vermelhas numa brisa."

1969. "Era aquela época na vida de uma família em que acontece alguma coisa que desloca sua moralidade oculta do lugar e a faz borbulhar na superfície e flutuar por um momento. À mostra. Para todo mundo ver."

(nãoconsigoparar)

"Que tudo começou quando as Leis do Amor foram promulgadas. As leis que determinam quem deve ser amado, e como. E quanto."

Sua mãe, Ammu, tão amada por eles, é uma mulher maravilhosa e cheia de problemas pessoais e familiares. Sophie Mol, a criança estrangeira, que eles olhavam com ciúme e medo. A amada e adorada Desde o Princípio.

Uma história comovente e angustiante. Bela e triste. Muito profunda. A decadência emocional de uma família indiana. Como tantas outras, em todo o mundo.

Mais à pena, impossível. Agora só em formato de bolso.

Coleção: COMPANHIA DE BOLSO
Autor: ROY, ARUNDHATI
Tradutor: SIQUEIRA, JOSE RUBENS
Editora: COMPANHIA DAS LETRAS
Assunto: LITERATURA ESTRANGEIRA - ROMANCES
ISBN: 9788535913477
Preço: 25,00

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Lembranças de um CAP e um mega obrigada!

Outro dia, em casa, em uma das tantas conversas literárias em família, discutíamos o motivo pelo qual as crianças e os jovens desta geração não têm mais o hábito / prazer da leitura.
Me vi falando sobre falta de incentivo desde a alfabetização e me lembrei do meu querido CAP/UERJ, escola que me formou leitora, com toda certeza.
É verdade que tinha em casa um irmão mais velho absolutamente apaixonado pelos livros, e, por conta disso, um belo acervo infanto-juvenil. Diz ele que quando eu era muito pequena, gostava de pegar seus livros para fazer rabiscos, mas acredito ser intriga da oposição.
Minha memória de infância é muito limitada, mas guardo dentro de mim a sensação de alegria intensa quando, em nosso colégio, anunciavam alguma feira de livros. Imaginem, crianças de 6 ou 7 anos, esperando ansiosamente e pedindo fervorosamente aos pais um pouquinho de dinheiro para trazer alguns daqueles tesouros para casa.
Lembro-me de que meu maior desejo (e o desejo ainda permanece), era ter em casa a coleção completa de Lygia Bojunga Nunes, em seus Sofás Estampados, suas Bolsas Amarelas e suas Cordas Bambas. E a Casa da Madrinha? Que delícia! Os guardaria - como a cena de Bisa Bia, Bisa Bel (Ana Maria Machado) - em uma caixadentrodeumacaixadentrodeumacaixa no fundo do mar, como um tesouro querido, mergulhando a cada vontade de pescá-los e saboreá-los.
Vejo meus filhos-leitores hoje e sei que o incentivo é puramente familiar, não escolar. Eles passaram a vida me vendo feliz da vida quando estava com um livro em mãos e isso aguçou sua curiosidade, acredito.
Obrigada, querida Tia Leila, que nos conduziu ao mágico mundo da literatura.
Sei que pouquíssimas crianças tiveram a mesma oportunidade, a mesma educação literária que nós.
Um beijo,

Maria... Ah, Maria...

Qual de nós, tantas mulheres brasileiras, nunca enxergou dentro de si uma Maria dessas?

Maria, Maria
Milton Nascimento - Fernando Brant

Maria, Maria
É um dom, uma certa magia
Uma força que nos alerta
Uma mulher que merece viver e amar
Como outra qualquer do planeta


Maria,Maria
É o som, é a cor, é o suor
É a dose mais forte e lenta
De uma gente que ri quando deve chorar
E não vive, apenas aguenta


Mas é preciso ter força
É preciso ter raça
É preciso ter gana sempre
Quem traz no corpo a marca
Maria, Maria
Mistura a dor e a alegria


Mas é preciso ter manha
É preciso ter graça
É preciso ter sonho sempre
Quem traz na pele essa marca
Possui a estranha mania
De ter fé na vida

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Sombras da Romãzeira

Primeiro livro da trilogia "Crônicas do Islã". Ativista Paquistanês, Tariq Ali já escreveu mais de uma dezena de livros sobre política internacional e história. Seu romance é belíssimo e nos faz conhecer uma Espanha muçulmana em pleno século XVI.


Aqui, ele desvenda ao leitor a Granada muçulmana em 1502. Os reis católicos, Fernando e Isabel, juntamente com o arcebispo de Toledo, decretam a conversão ao cristianismo, e proíbe a prática da religião muçulmana.

O núcleo se passa na aldeia de Al-Hudail, onde a família fundadora da pequena cidade vive seus dramas, conflitos e amores.

Naquele momento, Granada era, como se dizia, uma cidade multicultural, onde cristãos, mouros e judeus conviviam em paz.
Bela joia!


Coleção: CRONICAS DO ISLA, 1
Autor: ALI, TARIQ
Editora: RECORD
Assunto: LITERATURA ESTRANGEIRA
ISBN: 9788501049964
Preço: 44,90

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Ainda Bem...

Ainda Bem
Liminha / Vanessa da Mata

Ainda bem
Que você vive comigo
Porque senão
Como seria esta vida?
Sei lá, sei lá

Nos dias frios em que nós estamos juntos
Nos abraçamos sob o nosso conforto
De amar, de amar

Se há dores tudo fica mais fácil
Seu rosto silencia e faz parar
As flores que me manda são fato
Do nosso cuidado e entrega

Meus beijos sem os seus não dariam
Os dias chegariam sem paixão
Meu corpo sem o seu uma parte
Seria o acaso e não sorte...

Nesse mundo de tantos anos
Entre tantos ou outros
Que sorte a nossa hein?
Entre tantas paixões
Esse encontro
Nós dois, esse amor...

Entre tantos outros
Entre tantos anos
Que sorte a nossa hein?
Entre tantas paixões
Esse encontro
Nós dois, esse amor...

Entre tantas paixões
Esse encontro
Nós dois, esse amor....

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Quarto livro

Passando por algum tipo de transição....

Primeiro: Segundo livro da trilogia "Caminhos da Liberdade", de Sartre... nada...
Segundo: Jack Maggs, literatura australiana, de Peter Carey... nada....
Quando a coisa não evolui, o melhor a fazer é largar as páginas por outras que te absorvam.
Terceiro: Nora Roberts.... dois romances água-com-açúcar até bonitinhos, mas meio enjoativos...
Acho que o problema está entre as mãos e a retina da alma e não na literatura.
Desisti! Agora estou amando reler o primeiro livro de uma outra trilogia (adoro trilogias..., a história rende mais). Agora estou feliz!

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Betinho - Estreitos nós

Emocionante. Depoimentos de amigos do sociólogo Betinho abrem o peito para falar de saudade, de amor e solidariedade.
Um livro imperdível. Acho, sinceramente, que todo brasileiro deveria lê-lo.
Você imagina: um cara hemofílico, soropositivo, que adquire o vírus HIV por causa de uma transfusão de sangue, que foi exilado político na terrível época da ditadura, que passa a vida inteira em uma luta desenfreada para sobreviver à custa de muito sofrimento, larga tudo isso de mão e se lança em outra luta: a humanitária.
Ativista ferrenho, não deixou que os dissabores pessoais, que não eram pequenos nem poucos, fossem maiores do que a maior urgência do ser humano: a fome.
Doce, cativante.
Ele não tinha tempo a perder. Sabia que sua doença o levaria a qualquer momento, e por isso trabalhava incansavelmente, dez vezes mais.
É um livro que nos faz refletir. Quantas vezes nos embrenhamos em nossas dores pessoais e achamos que a vida é injusta, ou dura demais?
Gostaria de convidar a todos a ler este livro. E depois, por favor, venham aqui e me digam suas impressões.
Tenho a impressão de que ele vai tocar fundo em vocês, como fez comigo.

Organizador: NAKANO, MARIA
Editora: GARAMOND
Assunto: CIÊNCIAS SOCIAIS - SOCIOLOGIA
ISBN: 8586435627
Preço: 32,00

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Obrigada, Saramago

Ele me levou às mais transcendentais viagens.
Ele me fez olhar a vida na mais completa escuridão.
É muito triste saber que não viajaremos mais em suas palavras.


"Se tens um coração de ferro, bom proveito.
O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo dia."

"Dirão, em som, as coisas que, calados,no silêncio dos olhos confessamos?"

"Para temperamentos nostálgicos, em geral quebradiços, pouco flexíveis, viver sozinho é um duríssimo castigo."

"Não tenhamos pressa,
mas não percamos tempo."

"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara."

"Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos."

"O homem deixou de respeitar a si mesmo quando perdeu o respeito por seu semelhante."

quinta-feira, 17 de junho de 2010

A Boa Terra

Um bom livro. E só, na minha opinião.
Minha filha o leu antes de mim e disse: "É bom, mas a autora se perde do meio para o final." Resolvi buscar entender o que isso significava e é o que acontece de fato. Ela começa uma bela história, que tem como personagem principal Wang Lung, um pobre camponês no início de sua vida adulta. É quase uma saga familiar.
O que me chamou atenção no livro de início foi sua autora, Pearl S. Buck. Ela é americana mas foi criada na China. Passou sua vida inteira lá, por conta da profissão dos pais, por isso fala da cultura oriental com tanta propriedade.
A história de Wang Lung é triste e real. Mas o livro me desencantou. Ela realmente se "perde" na história, do meio para o fim. Os novos personagens são sem sentido e a impressão que se tem é que ela de repente perdeu a criatividade, a imaginação. Ficamos com essa sensação.
O interessante é que este livro foi Prêmio Nobel de Literatura e eu, particularmente, não entendi o motivo. Existem livros que retratam a cultura oriental de forma muito mais rica.
Mas enfim..... estamos aqui para viajar no mundo mágico da literatura, e nunca farei parte de banca alguma de prêmio literário. Minha função é ler, ler, ler, por puro deleite e satisfação pessoal.
Um trecho do livro:

Era o dia do casamento de Wang Lung. No primeiro momento, quando abriu os olhos na escuridão das cortinas de sua cama, não atinou por que o amanhecer parecia diferente de todos os outros. No silêncio da casa, só ouvia a tosse fraca e ofegante de seu velho pai, cujo quarto fi cava em frente ao dele do outro lado da sala central. Todas as manhãs, a tosse do velho era o primeiro som que se ouvia. Wang Lung em geral fi cava deitado a escutá-la e só se mexia quando a ouvia mais próxima e a porta do quarto do pai rangia nas dobradiças de madeira. Mas, nesta manhã, ele não esperou. Pulou da cama e abriu as cortinas. Era um amanhecer escuro e avermelhado, e pela pequena abertura quadrada de uma janela, onde o papel esfarrapado esvoaçava, brilhou uma nesga de céu cor de bronze.
Ele foi até a abertura e rasgou o papel.
— É primavera e não preciso disso — resmungou.
Envergonhava-se de dizer em voz alta que queria que a casa parecesse em ordem naquele dia. A abertura era tão apertada que mal dava para sua mão passar e ele a meteu para fora a fim de sentir o ar. Uma brisa suave soprava do leste, uma brisa amena e murmurante e plena de chuva. Era um bom presságio. Os campos precisavam de chuva para frutifi car. Não choveria naquele dia, mas em pouco tempo, se aquele vento continuasse, haveria água. Isso era bom. Ontem, ele dissera ao pai que, se aquele sol abrasador e inclemente continuasse, o trigo não espigaria. Agora era como se o céu tivesse escolhido esse dia para lhe desejar boa sorte. A terra daria frutos. 
Beijos!

Autor: BUCK, PEARL S.
Editora: ALFAGUARA BRASIL
Assunto: LITERATURA ESTRANGEIRA - ROMANCES
ISBN: 9788573027396
Preço: 45,90

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Dois últimos livros da Série Millennium

Ando sumida daqui, eu sei... Os motivos são os mais diversos, nunca abandono a literatura.
Já estou no terceiro desde Amêndoa por isso postarei os dois últimos de uma vez, ok?
O bom é que os dois são da mesma série, então ficará fácil.

A menina que brincava com fogo

Segundo livro da trilogia Millennium (o primeiro já postei aqui antes), mesmos personagens, novíssimo suspense.  A mesma moça, uma hacker talentosa, de personalidade única que no último livro ajudou o protagonista a desvendar o mistério, é acusada aqui de triplo assassinato, na mira da polícia e das autoridades.
Mikael Blomkvist tem um árduo trabalho pela frente na busca de outro culpado, já que acredita na inocência de Lisbeth Salander.


ISBN: 9788535916270 
Preço: 29,50



A rainha do castelo de ar

Último livro da série, o autor fecha com chave de ouro, trazendo o desvendar de todos os mistérios dos livros anteriores. Uma turma de experientes profissionais une-se para defender Lisbeth da condenação pelos assassinatos. 
O melhor do livro, aliás, dos três, é que o autor conseguiu criar um suspense policial cheio de meandros de sensibilidade e mensagens muito interessantes. É ler pra constatar. Na quarta capa de um deles, alguém do "The Times" diz que "o climax é um festim sangrento". Francamente. Imagino que a pessoa que o tenha lido para escrever tal resenha não entendeu quase nada da série. Infelizmente, isso acontece muitas vezes.
Registro aqui minha tristeza por ter acabado um romance tão interessante.

Em tempo: É por isso que tenho minhas reservas ao dizer "literatura estrangeira". É vago demais. A literatura sueca é absurdamente diferente da literatura japonesa, como da americana, árabe, inglesa, peruana. Não se pode englobar tudo em um segmento só. Eu nunca tinha lido literatura sueca e me surpreendi muito positivamente. Em cada país existe um coração de escritor que, nas entrelinhas, nos desvenda todo tipo de curiosidade, seja na cultura local, na forma de comunicação entre as pessoas, assim como muitas outras coisas. A-do-rei!

ISBN: 9788535916287 
Preço: 32,50

terça-feira, 25 de maio de 2010

O Ano Zero

1965... Alguns amigos terminando o terceiro ano do ensino médio.
Adolescentes, cheios de questões íntimas em meio ao turbulento período da ditadura. Pais, avôs, tios presos, torturados, desaparecidos.
Clara e Flavio se surpreendem com uma gravidez-surpresa.
Ana teme e sucumbe a vontade de seus pais, deixando uma grande paixão para prosseguir em um noivado com um rapaz de classe alta.
Guilherme é fã de carteirinha do avô italiano, super anarquista e revolucionário.
Edu, Beto, Guilherme... Jovens estudantes descobrindo a vida e pensando em seu futuro com toda repressão à sua volta.
Eva, filha adotiva do tio, um coronel-torturador e maníaco.
2005... Eles combinam um reencontro, marcado lá atrás, há quarenta anos, no dia da formatura.
Adultos que seguiram caminhos diferentes, se deparam com as vitórias, conquistas, separações, frustrações da vida real.
Um assassinato. Os antigos amigos agora vivem no meio de um crime bárbaro envolvendo a família de uma colega de classe.
Um belo livro para os leitores adolescentes e também adultos. Desta, daquela e de outras gerações.

Autor: MALTA, MARIA HELENA
Editora: GARAMOND
Assunto: LITERATURA BRASILEIRA

ISBN: 9788576171027 
Preço: 33,00

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Amêndoa

Este livro caiu-me nas mãos estes dias e o reli. Já não me lembrava da história muito bem. Este foi o primeiro motivo. O segundo foi minha ancestral curiosidade por relatos arabescos.
Nedjma é um pseudônimo. Badra é sua personagem.
Nossa corajosa autora hoje vive em algum lugar ao norte da África e por motivos óbvios manteve seu nome em sigilo.
Digo óbvios pela repressão sexual que esse povo vive. E ela vem contar o relato de sua vida. Um relato erótico, onde coloca todos os pingos nos is em relação aos anseios mais íntimos das mulheres muçulmanas.
É erótico, sem ser escrachado, como "A Casa dos Budas Ditosos", por exemplo, do João Ubaldo Ribeiro. Ali sim cabia o escracho, por causa do motivo da coleção - Os 7 pecados capitais - onde cada pecado ganharia vida em um livro.
Aqui não. O erotismo vem da palavra engasgada e engolida. Aqui, ela conta como é a vida sexual real das reprimidas mulheres muçulmanas. E de sua natureza quente. E de como isso vira uma bomba-relógio.
Badra começa sua vida ainda na adolescência, em um casamento "arranjado" e odiado. Consegue se livrar do marido déspota e foge para uma cidade mais liberal, onde vivem muitos muçulmanos, mas muitos europeus também.
E ali começa seu longo romance com Driss que, como a própria nos relata, foi seu anjo e seu algoz, seu mestre e carrasco e com ele vive a maior e mais importante relação de sua vida.

Autor: NEDJMA
Editora: OBJETIVA
Assunto: LITERATURA ESTRANGEIRA - ROMANCES

ISBN: 9788573026368 
Preço: 37,90

sexta-feira, 21 de maio de 2010

O Dossiê H

Divertidíssimo e inteligente. Ismail Kadaré é um autor fantástico. Gosto de pensar em como a literatura mundial é incrível. Amo ler os autores chineses, albaneses, peruanos, de todos os cantos do mundo. Bom demais.
Neste livro, o autor explora um pouco sua terra natal, em uma cidade perdida nos confins da Albânia. Dois irlandeses, forasteiros vindos de uma universidade americana para estudar a epopéia albanesa, para provar que essa cultura descende do pilar épico, Homero.
Chegam munidos de um aparelho estranhíssimo e revolucionário (para a época): um gravador.
Na cidade pequena de N., o povo fica alvoroçado. A fogosa esposa do subprefeito, o ministro do interior, o ermitão da montanha, todos com as atenções e os olhares voltados aos estrangeiros.
Belo livro!

Autor: KADARE, ISMAIL
Editora: COMPANHIA DAS LETRAS
Assunto: LITERATURA ESTRANGEIRA - ROMANCES
ISBN: 9788535901832
Preço: 43,00

terça-feira, 18 de maio de 2010

A Casa Verde

Vou te contar... Para ser o segundo livro de Vargas Llosa o sujeito estava inspiradíssimo. Diz-se que tinha 29 anos quando terminou o romance. E que romance! Ele construiu uma estrutura de texto tão complexa que é preciso prestar o máximo de atenção para não se perder nem se confundir com tanta informação.
Além da estrutura, ele passeia pelo tempo, indo e voltando e nomeando ao bel-prazer os mesmos personagens com apelidos sazonais.
Fantástico. Você percebe quem é quem por suas personalidades tão marcantes.
Há muito tempo não pegava em uma obra tão bela e complexa.
Definitivamente este não é um livro-distração. É para quem quer mergulhar de cabeça com toda concentração possível.
Eu sou fã de carteirinha do autor, ele passeia pelos mais variados tipos de literatura sem perder a essência.
A Casa Verde é um prostíbulo. E em volta dela várias histórias e gerações circulam, trágicas, intensas, romanescas.
Bonifácia é A personagem. Mais do que a Casa, do que o o dono da Casa. Ela é selvática, selvagem, energia amazônica de uma beleza fascinante.
Maravilhoso.

Autor: VARGAS LLOSA, MARIO
Tradutor: ROITMAN, ARI
Tradutor: WACHT, PAULINA
Editora: ALFAGUARA BRASIL
Assunto: LITERATURA ESTRANGEIRA - LATINO-AMERICANA
ISBN: 9788579620041
Preço: 54,90

terça-feira, 27 de abril de 2010

Saudades da Guanabara

Mais um pouquinho de palavracantada. Hoje ouvi esta música e pela milésima vez me emocionei com a poesia dos mestres. Eles conseguem fazer uma ode ao Rio de Janeiro de um jeito que jamais ouvi.


Saudades da Guanabara
Composição: Moacyr Luz, Aldir Blanc e Paulo César Pinheiro

Eu sei
Que o meu peito é lona armada
Nostalgia não paga entrada
Circo vive é de ilusão (eu sei...)

Chorei
Com saudades da Guanabara
Refulgindo de estrelas claras
Longe dessa devastação (...e então)

Armei
Pic-nic na Mesa do Imperador
E na Vista Chinesa solucei de dor
Pelos crimes que rolam contra a liberdade

Reguei
O Salgueiro pra muda pegar outro alento
Plantei novos brotos no Engenho de Dentro
Pra alma não se atrofiar (Brasil)

Brasil, tua cara ainda é o Rio de Janeiro
Três por quatro da foto e o teu corpo inteiro
Precisa se regenerar

Eu sei
Que a cidade hoje está mudada
Santa Cruz, Zona Sul, Baixada
Vala negra no coração

Chorei
Com saudades da Guanabara
Da Lagoa de águas claras
Fui tomado de compaixão (...e então)

Passei
Pelas praias da Ilha do Governador
E subi São Conrado até o Redentor
Lá no morro Encantado eu pedi piedade

Plantei
Ramos de Laranjeiras foi meu juramento
No Flamengo, Catete, na Lapa e no Centro
Pois é pra gente respirar (Brasil)

Brasil
Tira as flechas do peito do meu Padroeiro
Que São Sebastião do Rio de Janeiro
Ainda pode se salvar

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Os homens que não amavam as mulheres

Primeiro livro da trilogia da Série Millennium. Aliás, reparei que comecei a segunda trilogia, o que significa que terei que comprar mais quatro livros!!!!

Este já é mais um best seller e a crítica está elogiando bastante, pelo que andei lendo por aí.
Suspense muito bom! 528 páginas em dois dias sem conseguir desgrudar do livro nas horas vagas.
Estive lendo que o autor faleceu após terminar o terceiro da série, logo após entregar seus originais à editora.
A história se passa na Suécia, em uma pequena ilha. Um jornalista é contratado para desvendar o mistério do desaparecimento de uma adolescente há 37 anos. Ele conta com a ajuda de uma investigadora diferente, uma moça jovem, cheia de problemas e inteligentíssima.
O bom é que o suspense vem de várias frentes, não há somente um caso a desvendar. Adorei. Como este é lançamento, não corro o risco de ver o restante esgotado, dá tempo de encomendar.

Coleção: MILLENNIUM, V.1
Autor: LARSSON, STIEG
Tradutor: NEVES, PAULO
Editora: COMPANHIA DAS LETRAS
Assunto: LITERATURA ESTRANGEIRA - FICÇÃO POLICIAL
ISBN: 9788535916263
Preço: R$ 29,50 (edição econômica)

sábado, 24 de abril de 2010

A idade da razão

Ando cada vez mais cismada com alguns filósofos... Aliás, é fascinante como um livro nos leva a vários tipos de reflexão. Terminei este livro de Sartre pensando em tantas coisas que não conseguirei colocar aqui. Farei apenas algumas considerações:


Nietzsche - alguns pensamentos:
  1. A humanidade aprendeu a chamar a piedade de virtude, quando em todo o sistema moral superior ela é considerada como uma fraqueza.
  2. A moral não passa de uma interpretação - ou mais exatamente de uma falsa interpretação - de certos fenômenos.
  3. A piedade opõe-se completamente à lei da evolução, lei da seleção natural.
Nietzsche era crítico da cultura ocidental e suas religiões e, consequentemente, da moral judaico-cristã. E termina sua vida louco, justamente por ter sentido piedade de um cavalo sendo espancado por seu cocheiro. Para lembrar...


"Nietzsche está saindo de um hotel em Turim. Vê diante de si um cavalo, e um cocheiro espancando-o com um chicote. Nietzsche se aproxima do cavalo, abraça-lhe o pescoço, e  sob o olhar do cocheiro, explode em soluços. Isso aconteceu em 1889, e Nietzsche já  estava também distanciado dos homens. Em outras palavras: foi precisamente nesse  momento que se declarou sua doença mental. Mas, para mim, é justamente isso que  confere ao gesto seu sentido profundo. Nietzsche veio pedir ao cavalo perdão, por Descartes. Sua loucura (portanto seu divórcio da humanidade) começa no instante em que chora sobre o cavalo." 


Karl Marx


Karl Marx foi o 7º de sete filhos, de origem judaica de classe média da cidade de Tréveris, na época no Reino da Prússia. Sua mãe, Henri Pressburg (1771–1840), era judia holandesa e seu pai, Herschel Marx (1759–1834), um advogado e conselheiro de Justiça. Herschel descende de uma família de rabinos, mas se converteu ao cristianismo luterano em função das restrições impostas à presença de membros de etnia judaica no serviço público, quando Marx ainda tinha seis anos. (...) Em 1830, Marx iniciou seus estudos no Liceu Friedrich Wilhelm, em Tréveris, ano em que eclodiram revoluções em diversos países europeus. Ingressou mais tarde na Universidade de Bonn para estudar Direito, transferindo-se no ano seguinte para a Universidade de Berlim, onde o filósofo alemão Georg Wilhelm Friedrich Hegel, cuja obra exerceu grande influência sobre Marx, foi professor e reitor. (...) (Wikipédia)


Acabo vendo outra contradição. Marx defendia a idéia de que a classe trabalhadora deveria unir-se com o propósito de derrubar os capitalistas e aniquilar de vez a característica abusiva deste sistema que, segundo ele, era o maior responsável pelas crises que se viam cada vez mais intensificadas pelas grandes diferenças sociais e que o homem é fruto de seu meio. Entretanto, seu meio não foi nunca o da massa proletária. Grande revolucionário, mas também contraditório...


Jean-Paul Sartre, novelista francês, teatrólogo, e maior intelectual do Existencialismo, - filosofia que proclama a total liberdade do ser humano.


Agora sim, falarei do livro - A idade da razão


Falei tanto-tanto-tanto pra chegar a um livro fascinante. Sartre inicia uma trilogia chamada "Caminhos da Liberdade", onde  seu protagonista, Mathieu, um francês, professor de filosofia na casa dos 30 anos e defensor ferrenho da teoria de seu autor, o existencialismo, se vê agora questionando sua liberdade.
O livro é maravilhoso, e também mostra a controvérsia de Sartre em algum momento de sua vida. Ele questiona a luta de um indivíduo por sua liberdade a qualquer custo. Acabamos por chegar a conclusões contrárias, de que a liberdade, o individualismo em si é um cárcere, onde o ser humano fica preso em si mesmo. Maravilhoso!


Trecho da quarta capa:
"Os Caminhos da Liberdade, traz à cena Mathieu Delarue, francês que vive e leciona filosofia em Paris. Obcecado em preservar aquilo que pensa ser a sua liberdade, ele despreza todo e qualquer compromisso - seja o engajamento no Partido Comunista, seja a formalização do casamento com Marcelle, sua amante de longa data. Até o momento em que a aparente ordem das coisas é perturbada por uma inesperada gravidez. Numa ampla discussão sobre a liberdade, A idade da razão percorre alguns dias da vida de Mathieu em sua extenuante cruzada para levantar o dinheiro necessário ao pagamento do aborto da amante. Uma cruzada durante a qual suas convicções serão duramente testadas: a princípio tomado de horror pela ideia do casamento e da paternidade, que a ele inspiram visão semelhante à do cárcere, Mathieu é forçado pelas circunstâncias a reavaliar suas resoluções."


Lerei os outros dois livros da trilogia para ver onde chegam suas conclusões. Livro maravilhoso e, como sempre, infelizmente esgotado. Tomara que os outros dois, pelo menos, não estejam.


Bjs,