sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Carolina Maria de Jesus - Uma escritora improvável

No prelo da minha estante! ;)

Resenha amanhã - sábado 23/01/10 - Folha de São Paulo


Negra, semi-analfabeta e favelada. Essa poderia ser a história de qualquer mulher brasileira das classes pobres se não fosse por um detalhe: a paixão de Carolina Maria de Jesus pela leitura e pela escrita. Joel Rufino, que declara sempre ter tido vontade de escrever sobre Carolina, chamou de “grafomania” essa grande paixão que a catadora de papel possuía pelas letras.

Carolina nasceu em Sacramento, Minas Gerais, e só estudou até o segundo ano primário. Já adulta, emigrou para São Paulo e foi morar na favela de Canindé. Ali começou a trabalhar como catadora de papel, função que realizou até o final de sua vida em 1977.

Dividida entre catar papel, cuidar dos filhos e escrever, Carolina publicou seu primeiro livro, Quarto de despejo, em 1960. Neste livro-diário, a autora relata a fome cotidiana, a miséria, os abusos e preconceitos sofridos por ela, seus filho e outros moradores da favela. Lançado em agosto, o livro teve 8 reimpressões no mesmo ano, com mais de 70 mil exemplares vendidos na época. Em seguida foi traduzido para 14 idiomas atingindo mais de 40 países. Até 2009, já foi vendido mais de um milhão de exemplares das obras escritas por Carolina.

Neste livro, Joel Rufino nos conta a vida de Carolina Maria entrelaçando-a com a história recente do Brasil com fortes reflexões sobre classe, sociedade, raça e escritura. Professor, historiador e escritor renomado, Joel se rende totalmente ao encanto das palavras de Carolina e diz: “Não conheço fórmula mais poética para dizer o valor da cultura, nas condições difíceis em que viveu e escreveu, do que a dela: - O meu sonho era viver cem anos para ler todos os livros do mundo.”.

Páginas: 168
ISBN: 978-85-7617-173-7
R$ 37,00

www.garamond.com.br
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