terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Demian

De tirar o fôlego. Maravilhosamente bem escrito, denso, profundo, forte. É um livro que realmente deixa marca.
Não conseguiria dizer que amei, pois como já tinha lido em algum lugar, a obra demonstra claramente a influência de Nietzche e Freud em Hesse nessa época e não sou o que se poderia chamar de fã nem de um, nem de outro. Ainda mais quando se diz, também, que o livro marcou uma geração... É outra questão que me impressiona.
Mas voltando ao livro em si: a obra é fantástica, como tudo o que geralmente vem das mãos do autor. É o tipo de leitura clássica que não devemos deixar passar.

Colocarei aqui alguns trechos do livro:

"Quem quiser nascer tem que destruir um mundo; destruir no sentido de romper com o passado e as tradições já mortas, de desvincular-se do meio excessivamente cômodo e seguro da infância para a conseqüente dolorosa busca da própria razão do existir: ser é ousar ser."

"São muitos os caminhos pelos quais Deus pode nos conduzir à solidão e levar-nos a nós mesmos."

"Quando se quer algo verdadeiramente e com suficiente força, acaba-se por consegui-lo sempre."

"O acaso não existe. Quando alguém encontra algo de que verdadeiramente necessita, não é o acaso que tal proporciona, mas a própria pessoa; seu próprio desejo e sua própria necessidade o conduzem a isso."

"Queria apenas tentar viver aquilo que brotava espontaneamente de mim. Por que isso me era tão dífícil?"

“Não creio ser um homem que saiba. Tenho sido sempre um homem que busca.”

“A vida de todo ser humano é um caminho em direção a si mesmo, a tentativa de um caminho, o seguir de um simples rastro.”

“...podemos entender-nos uns aos outros, mas somente a si mesmo pode cada um interpretar-se.”

“Não creio que se possam considerar homens todos esses bípedes que caminham pelas ruas, simplesmente porque andam eretos ou levem nove meses para vir à luz. Sabes muito bem que muitos deles não passam de peixes ou de ovelhas, vermes ou sanguessugas, formigas ou vespas.”

“Quando me comparava com os demais, sentia-me muitas vezes orgulhoso e satisfeito comigo mesmo, e em outras tantas deprimido e humilhado. Ora me acreditava um verdadeiro gênio, ora fraco do juízo. Não me era possível compartilhar a vida e as alegrias dos outros rapazes de minha idade, e às vezes reprovava asperamente o meu isolamento e sentia profunda tristeza, crendo-me definitivamente afastado de todos os meus semelhantes, com todas as portas da vida fechadas irrevogavelmente para mim.”

“Não há porque te comparares com os demais, e se a natureza te criou para morcego, não deves aspirar a ser avestruz. Às vezes te consideras por demais esquisito e te reprovas por seguires caminhos diversos dos da maioria. Deixa-te disso. Contempla o fogo, as nuvens, e quando surgirem presságios e as vozes soarem em tua alma, abandona-te a elas sem perguntares se isso convém ou é do gosto do senhor teu pai ou do professor ou de algum bom deus qualquer. Com isso só conseguimos perder-nos, entrar na escala burguesa e fossilizar-nos.”

“Não devemos temer nem julgar ilícito nada do que nossa alma deseja em nós mesmos.”

"Todos os homens buscavam a 'liberdade' e a 'felicidade' num ponto qualquer do passado, só de medo de ver erguer-se diante deles a visão da responsabilidade própria e da própria trajetória."

Autor: HESSE, HERMANN
Tradutor: BARROSO, IVO
Editora: RECORD
Assunto: LITERATURA ESTRANGEIRA - ROMANCES
ISBN: 9788501020291
Preço: R$ 39,90
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