terça-feira, 27 de abril de 2010

Saudades da Guanabara

Mais um pouquinho de palavracantada. Hoje ouvi esta música e pela milésima vez me emocionei com a poesia dos mestres. Eles conseguem fazer uma ode ao Rio de Janeiro de um jeito que jamais ouvi.


Saudades da Guanabara
Composição: Moacyr Luz, Aldir Blanc e Paulo César Pinheiro

Eu sei
Que o meu peito é lona armada
Nostalgia não paga entrada
Circo vive é de ilusão (eu sei...)

Chorei
Com saudades da Guanabara
Refulgindo de estrelas claras
Longe dessa devastação (...e então)

Armei
Pic-nic na Mesa do Imperador
E na Vista Chinesa solucei de dor
Pelos crimes que rolam contra a liberdade

Reguei
O Salgueiro pra muda pegar outro alento
Plantei novos brotos no Engenho de Dentro
Pra alma não se atrofiar (Brasil)

Brasil, tua cara ainda é o Rio de Janeiro
Três por quatro da foto e o teu corpo inteiro
Precisa se regenerar

Eu sei
Que a cidade hoje está mudada
Santa Cruz, Zona Sul, Baixada
Vala negra no coração

Chorei
Com saudades da Guanabara
Da Lagoa de águas claras
Fui tomado de compaixão (...e então)

Passei
Pelas praias da Ilha do Governador
E subi São Conrado até o Redentor
Lá no morro Encantado eu pedi piedade

Plantei
Ramos de Laranjeiras foi meu juramento
No Flamengo, Catete, na Lapa e no Centro
Pois é pra gente respirar (Brasil)

Brasil
Tira as flechas do peito do meu Padroeiro
Que São Sebastião do Rio de Janeiro
Ainda pode se salvar

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Os homens que não amavam as mulheres

Primeiro livro da trilogia da Série Millennium. Aliás, reparei que comecei a segunda trilogia, o que significa que terei que comprar mais quatro livros!!!!

Este já é mais um best seller e a crítica está elogiando bastante, pelo que andei lendo por aí.
Suspense muito bom! 528 páginas em dois dias sem conseguir desgrudar do livro nas horas vagas.
Estive lendo que o autor faleceu após terminar o terceiro da série, logo após entregar seus originais à editora.
A história se passa na Suécia, em uma pequena ilha. Um jornalista é contratado para desvendar o mistério do desaparecimento de uma adolescente há 37 anos. Ele conta com a ajuda de uma investigadora diferente, uma moça jovem, cheia de problemas e inteligentíssima.
O bom é que o suspense vem de várias frentes, não há somente um caso a desvendar. Adorei. Como este é lançamento, não corro o risco de ver o restante esgotado, dá tempo de encomendar.

Coleção: MILLENNIUM, V.1
Autor: LARSSON, STIEG
Tradutor: NEVES, PAULO
Editora: COMPANHIA DAS LETRAS
Assunto: LITERATURA ESTRANGEIRA - FICÇÃO POLICIAL
ISBN: 9788535916263
Preço: R$ 29,50 (edição econômica)

sábado, 24 de abril de 2010

A idade da razão

Ando cada vez mais cismada com alguns filósofos... Aliás, é fascinante como um livro nos leva a vários tipos de reflexão. Terminei este livro de Sartre pensando em tantas coisas que não conseguirei colocar aqui. Farei apenas algumas considerações:


Nietzsche - alguns pensamentos:
  1. A humanidade aprendeu a chamar a piedade de virtude, quando em todo o sistema moral superior ela é considerada como uma fraqueza.
  2. A moral não passa de uma interpretação - ou mais exatamente de uma falsa interpretação - de certos fenômenos.
  3. A piedade opõe-se completamente à lei da evolução, lei da seleção natural.
Nietzsche era crítico da cultura ocidental e suas religiões e, consequentemente, da moral judaico-cristã. E termina sua vida louco, justamente por ter sentido piedade de um cavalo sendo espancado por seu cocheiro. Para lembrar...


"Nietzsche está saindo de um hotel em Turim. Vê diante de si um cavalo, e um cocheiro espancando-o com um chicote. Nietzsche se aproxima do cavalo, abraça-lhe o pescoço, e  sob o olhar do cocheiro, explode em soluços. Isso aconteceu em 1889, e Nietzsche já  estava também distanciado dos homens. Em outras palavras: foi precisamente nesse  momento que se declarou sua doença mental. Mas, para mim, é justamente isso que  confere ao gesto seu sentido profundo. Nietzsche veio pedir ao cavalo perdão, por Descartes. Sua loucura (portanto seu divórcio da humanidade) começa no instante em que chora sobre o cavalo." 


Karl Marx


Karl Marx foi o 7º de sete filhos, de origem judaica de classe média da cidade de Tréveris, na época no Reino da Prússia. Sua mãe, Henri Pressburg (1771–1840), era judia holandesa e seu pai, Herschel Marx (1759–1834), um advogado e conselheiro de Justiça. Herschel descende de uma família de rabinos, mas se converteu ao cristianismo luterano em função das restrições impostas à presença de membros de etnia judaica no serviço público, quando Marx ainda tinha seis anos. (...) Em 1830, Marx iniciou seus estudos no Liceu Friedrich Wilhelm, em Tréveris, ano em que eclodiram revoluções em diversos países europeus. Ingressou mais tarde na Universidade de Bonn para estudar Direito, transferindo-se no ano seguinte para a Universidade de Berlim, onde o filósofo alemão Georg Wilhelm Friedrich Hegel, cuja obra exerceu grande influência sobre Marx, foi professor e reitor. (...) (Wikipédia)


Acabo vendo outra contradição. Marx defendia a idéia de que a classe trabalhadora deveria unir-se com o propósito de derrubar os capitalistas e aniquilar de vez a característica abusiva deste sistema que, segundo ele, era o maior responsável pelas crises que se viam cada vez mais intensificadas pelas grandes diferenças sociais e que o homem é fruto de seu meio. Entretanto, seu meio não foi nunca o da massa proletária. Grande revolucionário, mas também contraditório...


Jean-Paul Sartre, novelista francês, teatrólogo, e maior intelectual do Existencialismo, - filosofia que proclama a total liberdade do ser humano.


Agora sim, falarei do livro - A idade da razão


Falei tanto-tanto-tanto pra chegar a um livro fascinante. Sartre inicia uma trilogia chamada "Caminhos da Liberdade", onde  seu protagonista, Mathieu, um francês, professor de filosofia na casa dos 30 anos e defensor ferrenho da teoria de seu autor, o existencialismo, se vê agora questionando sua liberdade.
O livro é maravilhoso, e também mostra a controvérsia de Sartre em algum momento de sua vida. Ele questiona a luta de um indivíduo por sua liberdade a qualquer custo. Acabamos por chegar a conclusões contrárias, de que a liberdade, o individualismo em si é um cárcere, onde o ser humano fica preso em si mesmo. Maravilhoso!


Trecho da quarta capa:
"Os Caminhos da Liberdade, traz à cena Mathieu Delarue, francês que vive e leciona filosofia em Paris. Obcecado em preservar aquilo que pensa ser a sua liberdade, ele despreza todo e qualquer compromisso - seja o engajamento no Partido Comunista, seja a formalização do casamento com Marcelle, sua amante de longa data. Até o momento em que a aparente ordem das coisas é perturbada por uma inesperada gravidez. Numa ampla discussão sobre a liberdade, A idade da razão percorre alguns dias da vida de Mathieu em sua extenuante cruzada para levantar o dinheiro necessário ao pagamento do aborto da amante. Uma cruzada durante a qual suas convicções serão duramente testadas: a princípio tomado de horror pela ideia do casamento e da paternidade, que a ele inspiram visão semelhante à do cárcere, Mathieu é forçado pelas circunstâncias a reavaliar suas resoluções."


Lerei os outros dois livros da trilogia para ver onde chegam suas conclusões. Livro maravilhoso e, como sempre, infelizmente esgotado. Tomara que os outros dois, pelo menos, não estejam.


Bjs,

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Palavras pequeninas

"Mas já que se há de escrever, que ao menos não esmaguem as palavras nas entrelinhas."
Clarice Lispector

"Dá um certo trabalho decodificar todas as emoções contraditórias, confusas, somá-las, diminuí-las e tirar essa síntese numa palavra só, esta: gosto."
Caio Fernando Abreu

quarta-feira, 14 de abril de 2010

A máquina está crescendo

"O homem foi programado por Deus para resolver problemas. Mas começou a criá-los em vez de resolvê-los. A máquina foi programada pelo homem para resolver os problemas que ele criou. Mas ela, a máquina, está começando também a criar problemas que desorietam e engolem o homem. A máquina continua crescendo. Está enorme. A ponto de que talvez o homem deixe de ser uma organização humana. E como perfeição de "ser criado", só existirá a máquina. Deus criou um problema para si próprio. Ele terminará destruindo a máquina e recomeçando pela ignorância do homem diante da maçã. Ou o homem será um triste antepassado da máquina; melhor o mistério do Paraíso."
Clarice Lispector

A inocência do Padre Brown

Super indicação!

Chesterton é Chesterton, e este é um clássico daqueles!

Nota da Editora Sétimo Selo, que o publicou:
"A técnica central que utiliza Chesterton, nestas histórias de mistério, é a de um grande criador: o enigma que o detetive elucida se baseia numa idéia central simples, como diz o próprio autor no apêndice da presente edição: "Como escrever uma História de Detetive". (...) Não se oculta do leitor nenhuma informação, ao contrário do que amiúde acontece nas tramas policiais; e o criminoso aparece sempre entre os "atores principais". Nisto reside sua maestria e o verdadeiro interesse das histórias: em criar disfarces verossímeis, mas inesperados (...)". "O Padre Brown é quase uma espécie de antiprotagonista. Poucas pinceladas, uma indumentária simplíssima e essa qualidade permanente de não sobressair desenham o impreciso sacerdote. Também o método do nosso detetive é original e diferente do que seus pares Auguste Dupin ou Sherlock Holmes: é o método de alguém que, como uma sombra ou silhueta, contempla os fatos de um segundo plano, como um "móvel" afastado num cômodo, e cujos raciocínios são expostos sem alarde nem relevo - e o mais das vezes com fina ironia". Rosa Nougué (Tradutora) 

Autor: CHESTERTON, G. K.
Editora: SETIMO SELO
Assunto: LITERATURA ESTRANGEIRA - FICÇÃO POLICIAL
ISBN: 9788599255049
Preço: R$ 39,00

Jorge Luis Borges

Acabo de ler esta frase no blog da Ilaine - Ensaios, e a achei perfeita!

"Eu sempre imagino que o paraíso deve ser algum tipo de biblioteca."
Jorge Luis Borges

Concordo de todas as maneiras. Existiria paraíso melhor do que passar a eternidade lendo, encontrando outros mundos, outras dimensões, sentidos, emoções, alegrias, tristezas, compaixões? Não acredito.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Dois dias, dois presentes, dois livros

Não, gente... não foi promoção de blog, apesar de estar inscrita em um, já que ganhar livros sempre é tudo de bom!
Foi presente mesmo.
Prestem atenção, queridos, se isso não é digno de um post super especial:

Larousse da Cerveja

Sinopse: Ilustrada, a obra apresenta a história da bebida, seus ingredientes, o processo de fabricação, detalhes da degustação, variedade de estilos, aspectos gastronômicos, o negócio e outras informações para orientar o leitor neste mergulho no universo da cerveja.
Contribuição: Ilustrada não, MEGA ILUSTRADA, com páginas de refinadíssma qualidade, capa maravilhosa, tudo bem próprio da Larousse. Para quem gosta de livros-arte, Larousse sempre é um mega presente.
Gostinho: 


Obrigada, Marcelo!!!










A Casa Verde

Mario Vargas Llosa 

Sinopse: Dom Anselmo é um forasteiro misterioso que constrói, às margens da pequena cidade de Piura, no Peru, uma casa de dois andares, dividida em diversos cômodos, e toda pintada de verde.
Em pouco tempo, os habitantes desse pacato vilarejo descobrem as verdadeiras intenções desse homem: pois mulheres desconhecidas são vistas naquela construção, que nada mais é que um prostíbulo instalado em um dos locais mais ermos do país.
Batizada de "A Casa Verde", ela não reúne somente prostitutas, corruptos e criminosos. Aos poucos, os moradores - e mesmo alguns militares - são atraídos ao local, num caminho sem volta de perdição e desespero.
Obra emblemática da literatura latino-americana dos anos 1960, A Casa Verde é um romance ambicioso e envolvente, e um dos livros mais marcantes de Mario Vargas Llosa.
Contribuição: Adoro Vargas Llosa. Dele li Tia Julia e o Escrevinhador e As travessuras de menina má, todos belissimamente escritos. Ele é engraçado, ácido, inteligente, um grande escritor.
Este vem depois do Sartre! Adoro ter livros em fila!!!
Gostinho: 



Obrigada, Ari! 

Será que Sartre faz o mesmo sucesso com jovens de 2010?

Estou lendo A Idade da Razão, primeiro livro da trilogia romanceada de Sartre. Um belíssimo livro, onde vemos toda sua teoria do existencialismo aplicada na história de um simples rapaz.

E hoje recebi este artigo questionando justamente a popularidade atual do filósofo. Esperarei chegar à última página para poder pensar a respeito.

Beijos.

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Será que Sartre faz o mesmo sucesso com jovens de 2010?

Em seu artigo para o jornal O Estado de S. Paulo, Gilles Lapouge fala sobre o filósofo francês
Língua e Literatura

O Estado de S. Paulo - 11/04/2010 - Gilles Lapouge

Já faz 30 anos que ele nos deixou, o homenzinho extenuado que se via caminhar penosamente, ao anoitecer e à noite mesmo, pelas ruas de Montparnasse, desajeitado, debilitado, cego e agarrado ao braço de uma jovem devotada à sua fraqueza. "Está vendo", dizia ele sorrindo para sua companheira, Simone de Beauvoir, "é um espanto como eu faço sucesso com as senhoritas desde que fiquei velho e cego." Será que ele faz o mesmo sucesso com jovens de 2010? Será que ainda o conhecem? Leem seus livros? Procuram uma bússola em sua obra? Durante a Guerra da Argélia, oficiais pediram a De Gaulle, então chefe de Estado, para perseguir Jean-Paul Sartre (1905-1980), que havia convocado os jovens à "insubmissão". Resposta do general De Gaulle: "Não se prende Voltaire!" Passaram-se alguns anos e Sartre ganhou o Prêmio Nobel de Literatura (1964).

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Sonhos Soprados em uma Abundante-Mente

Ela é uma das melhores escritoras que já tive o prazer de ler.
Ela merecia um livro de contos, com toda pompa e circunstância, todinho dela.
Com direito a uma mega noite de autógrafos, buffet, cheia de gente que goste das palavras, como nós.
Sua abundante-mente é de uma riqueza sem comparações.
Quer dizer, há uma comparação que ouso fazer. Somente uma: é a primeira vez que leio alguém que me lembra de forma muito intensa a muito intensa Clarice Lispector. Experimente o gostinho.
Seu blog, Abundante-Mente, já está bombando. O que é gratificante ver, ou ler, como ainda existem seres humanos que amam literatura de qualidade.
Sou leitora voraz, e é com ferocidade que leio os textos de Sylvia Araújo.
Seu texto é lindo, limpo, assim como os sonhos soprados em uma abundante-mente devem ser.
Ela põe no papel esses sonhos maravilhosos, na forma de histórias inteligentes, de escrita aguçada.

Sempre venho por aqui falar sobre um universo único: dos livros que moram na minha estante.
É uma pena que os livros de Sylvia não morem lá, junto com todos os outros maravilhosos que moram comigo.
Tenho fé de que um dia tais sonhos soprem com tal força que invadam todas as casas, livrarias, pontos de cultura, outros estados, países, sejam traduzidos para vários idiomas e o mundo possa conhecê-los.

É com muito orgulho que compartilho essa palavraescrita. Com vocês, Sonhos Soprados.

Voe sempre mais alto, minha Sia. Acima das nuvens que encabeçam seu espaço literário.

Um beijo,

Menos capas para julgar

Menos capas para julgar
Em locais públicos, capas de livros atraem leitores em potencial ou dizem algo sobre o gosto do dono
Por MOTOKO RICH


Bindu Wiles estava no metrô do Brooklyn, Nova York, em março, quando viu uma mulher lendo um livro cuja capa tinha uma instigante silhueta negra da cabeça de uma menina diante de um fundo laranja.

Wiles notou que a mulher tinha mais ou menos a sua idade, 45, e levava consigo um colchão de ioga, então imaginou que elas tinham afinidades e se inclinou para ler o título: "Little Bee", romance de Chris Cleave. Wiles, pós-graduanda em escrita de não ficção na Faculdade Sarah Lawrence, em Bronxville, digitou uma anotação no seu iPhone e comprou o livro naquela mesma semana.

Tais encontros estão ficando mais raros. Como cada vez mais gente usa o Kindle e outros aparelhos eletrônicos de leitura, e com a chegada do iPad, nem sempre é possível observar o que os outros estão lendo, ou projetar os seus próprios gostos literários. Não dá para julgar um livro por sua capa, caso ele não a tenha.

"Há algo [de especial] em ter um belo livro que parece intelectualmente pesado e apetitoso", disse Wiles, que se lembra de ter gostado quando recentemente, ao reler "Anna Karenina", as pessoas podiam ver a capa no metrô. "Você se sente meio orgulhosa de estar lendo isso." Com o Kindle ou o Nook, disse ela, "as pessoas jamais saberiam".

Entre outras mudanças prenunciadas pela era do e-book, as edições digitais estão varrendo as capas de livros dos metrôs, das mesas de centro e das praias dos EUA.

Isso é uma perda para editores e autores, que costumam aproveitar a publicidade gratuita para os seus livros na forma impressa: se você observar as sobrecapas nos livros que as pessoas estão lendo num avião ou num parque, pode decidir também conhecer os títulos "Os Homens Que Não Amavam as Mulheres" ou "The Help".

"Com frequência, quando você pensa num livro, lembra-se da sua capa", disse Jeffrey Alexander, professor de sociologia cultural da Universidade Yale. "É uma forma de atrair as pessoas por meio do visual para a leitura."

Nas livrarias, onde a maioria das vendas ainda acontece, as capas têm um papel crucial. "Se você já passou por esse obstáculo de fazer o consumidor ser atraído pela capa, e ele decide pegar o livro, uma enorme batalha foi vencida", disse Patricia Bostelman, vice-presidente de marketing da rede de livrarias dos EUA Barnes & Noble.

Mas é uma vitória que será mais difícil de alcançar se ninguém for capaz de perceber se você está lendo "Guerra e Paz" ou "Diamonds and Desire". Talvez nenhum outro elemento do processo editorial receba tanta contribuição de tanta gente diferente quanto a sobrecapa. Primeiro, o diretor de criação chega com uma ideia.

(Que tal esta imagem de uma maçã?) Aí o editor do livro, o autor e o agente dão uma olhada. (Dá para aumentar a fonte no nome do autor? E já não foi usada uma maçã naquele livro sobre vampiros? Este livro não é sobre vampiros.) O editor do selo se envolve.

(Vampiros vendem. Eu gosto da maçã.) O pessoal de vendas faz comentários. (Não há um ângulo econômico? Que tal uma maçã com uma laranja dentro? Isso já funcionou antes.) Até os livreiros têm uma opinião. (O que eu realmente gosto numa capa é um par de saltos altos.)

Claro que uma boa sobrecapa dificilmente salva um mau livro. Mas, num mercado concorrido, uma capa chamativa é uma vantagem que todo autor e editor deseja. Para se ter uma ideia, numa análise aleatória de mil livros de negócios lançados no ano passado, a consultoria Codex Group descobriu que apenas 62 venderam mais de 5.000 exemplares.

Conforme as editoras exploram a publicidade dirigida no Google e em outros mecanismos de busca e redes sociais, elas percebem que uma capa digital continua sendo a melhor forma de representar um livro.

Alguns leitores esperam que os dispositivos eletrônicos de leitura acrescentem funções que permitam divulgar o que se lê. "As pessoas gostam de exibir o que estão fazendo e o que gostam", disse a blogueira Maud Newton. "Então acabará havendo um jeito de as pessoas fazerem isso com os e-readers."

Por enquanto, muitas editoras confiam no efeito Facebook. "Antes, você podia ver três pessoas lendo 'Comer, Rezar, Amar' no metrô", disse Clare Ferraro, presidente dos selos editoriais Viking e Plume. "Agora, você vai entrar no Facebook e notar que três dos seus amigos estão lendo 'Comer, Rezar, Amar'."

Algumas editoras digitais suspeitam que uma das razões para a popularidade das edições digitais de obras românticas e eróticas seja a discrição dos e-readers. Mesmo assim, as capas ainda importam.

Holly Schmidt, presidente da editora de e-books Ravenous Romance, contou o caso de uma antologia de contos sobre mulheres mais velhas e homens mais jovens. A primeira versão tinha na capa digital a imagem de uma mulher cativante. Não vendeu quase nada. A editora disponibilizou uma nova capa on-line -desta vez mostrando os torsos nus e musculosos de três jovens-, e as vendas decolaram.

A nova capa, segundo Schmidt, "pegou um livro fracassado e o transformou em um produto de vendas bastante fortes".

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Ilha do Medo - Originalmente Paciente 67

Li este livro há alguns anos, em uma época totalmente vi-ci-a-da em bons temas policiais. Até cheguei a postar aqui, apesar de não tê-lo em mãos na época.
Trabalhava em uma livraria maravilhosa e podia pegar qualquer livro como empréstimo; resultado: devorei praticamente a livraria inteira!
Com o lançamento do filme, que aliás verei de qual-quer-ma-nei-ra, peguei novamente para ler. Comecei ontem e terminei hoje. É claro que o impacto não houve, mas por outro lado, pude visualizar todas as entrelinhas. E QUE entrelinhas! Como todo bom livro, que sempre é bom lermos mais de uma vez, para que as entrelinhas nos saltem aos olhos, este não poderia ser diferente. Agora sim, irei ao cinema com olhos de leitora. Adoro!!!
Dennis Lehane se superou em Ilha do Medo. Espero sinceramente que Martim Scorcese tenha superado igualmente as expectativas.
Mega-recomendo-pra-caramba!

Trechinho:
"A simpatia é o luxo dos que ainda acreditam na verdade essencial das coisas. Na pureza das cerquinhas brancas em torno das casas de família."

Quarta capa:
"No verão de 1954, o xerife Teddy Daniels chega a Shutter Island com seu novo parceiro Chuck Aule. A dupla deverá investigar a fuga de uma interna do Hospital Psiquiátrico Aschecliffe, reservado a pacientes criminosos. Sem deixar vestígios, a assassina Rachel Solando, escapou descalça de um quarto vigiado e trancado à chave. No entanto, os médicos, funcionários e enfermeiras da instituição não parecem dispostos a colaborar com a investigação. E as mentiras vêm diretamente do enigmático médico-chefe do hospital.
O desaparecimento de Rachel traz à tona uma série de suspeitas sobre o hospital: com suas cercas eletrificadas e guardas armados, talvez não seja apenas mais um sanatório para criminosos. Surgem rumores de que uma abordagem radical e violenta de psiquiatria seria lá praticada - as suspeitas incluem desde terríveis experiências com drogas e cirurgias alternativas, até o desenvolvimento de instrumentos a serem usados na Guerra Fria. Enquanto isso, um furacão se aproxima da ilha, precipitando uma revolta entre os presos. Quanto mais perto da verdade Teddy e Chuck chegam, mais enganosa ela se torna."

Autor: LEHANE, DENNIS
Editora: COMPANHIA DAS LETRAS
Assunto: LITERATURA ESTRANGEIRA - FICÇÃO POLICIAL
ISBN: 9788535916256
Preço: 34,00




terça-feira, 6 de abril de 2010

O Último Suspiro do Mouro

Terminei. Maravilhoso, como me lembrava ter sido há alguns anos. Uma prévia:


"Em 1988 o aiatolá Khomeini condenou Salman Rushdie, autor, à morte por ter escrito um livro que desagradou aos fundamentalistas islâmicos, chamado Os versos satânicos. A resposta do autor foi este romance - uma defesa contundente das virtudes do pluralismo e da tolerância, em oposição às pretensas verdades únicas e excludentes. Uma história, que começa no sul da Índia, no tempo em que a independência ainda era um sonho distante, passa pela Bombaim feérica dos anos 80 e 90 e termina no sul da Espanha, à sombra do Alhambra. Uma história, narrada por um herói picaresco em cujas veias corre sangue português, judeu, árabe e indiano, afirmação viva do indivíduo que escapa às classificações estreitas de todos os sectarismos nacionalistas, étnicos e religiosos."


Uma saga familiar. Uma família marcada por todo tipo de emoções e contradições que se pode haver. E tudo tirado do armário pelo Mouro. Ele remonta sua árvore através do tempo de sua bisavó e conta para o mundo sua vida louca e sã, acelerada pela doença, cheia de pensamentos e conclusões e dúvidas e amores.


"Muito bem: vou descansar, e esperar pela paz. O mundo está cheio de pessoas adormecidas aguardando a hora de voltar: Arthur dorme em Avalon, Barba-Roxa em sua caverna. Finn MacCool dorme nos morros da Irlanda, e o verme Ouroboros no fundo do mar. Os ancestrais da Austrália, os wandjina, descansam debaixo da terra, e em algum lugar, num emaranhado de arbustos espinhentos, uma bela adormecida aguarda o beijo de um príncipe dentro da um caixão de vidro. Vejam: eis meu frasco. Vou beber um pouco de vinho; em seguida, como um Rip von Winkle moderno, vou me deitar sobre esta pedra talhada, encontrar a cabeça debaixo destas letras, R I P, e fechar os olhos, seguindo o velho hábito de nossa família de adormecer em momentos difíceis, com a esperança de despertar, renovado e feliz, num tempo melhor."


Maravilhoso. Mas também, infelizmente, esgotado.


Autor: RUSHDIE, SALMAN
Editora: COMPANHIA DAS LETRAS
Assunto: 
LITERATURA ESTRANGEIRA - ROMANCES

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Editora esconde livro no Rio. É de quem achar...

Olha só que maravilha!! Agora vou ficar passeando pelas pracinhas cariocas....

Editora esconde livro no Rio. É de quem achar...


O Globo - 01/04/2010 - Por Joaquim Ferreira dos Santos

A coluna Gente Boa avisa: se você encontrar O livro perdido das Bruxas de Salem num banco de praça ou de shopping, pode ficar com ele. Não é pegadinha. É estratégia de lançamento do selo Sumas de Letras, da Objetiva. Dentro do “livro perdido” há prêmios — além daqueles da boa literatura de suspense.

Por Publishnews

Biografia de Saramago

LeYa lança biografia de Saramago em maio
O Globo - 03/04/2010 - Por Mànya Millen e Miguel Conde
A editora LeYa manda para as livrarias já na primeira semana de maio, com tiragem de 20 mil exemplares, José Saramago — Biografia, de João Marques Lopes. Lançado em Portugal em janeiro, o livro trata em detalhes da carreira literária e do percurso político de Saramago, inclusive de episódios controversos como a demissão de jornalistas do Diário de Notícias quando Saramago ocupava a direção do jornal português.

Por Publishnews 

Já fiquei ansiosa... Adoro uma biografia! 

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Palavracantada bonita!

"O não chorar
E o não sofrer se alastrando
No céu da vida o amor brilhando
A paz reinando em santa paz" 
(Por um dia de graça - Luiz Carlos da Vila)

- Alastrando é ótimo! Consigo visualizar risos e alegria no ar. E o melhor, o "não-chorar" e "não-sofrer" é que dá a ênfase do contrário.
- No céu da vida o amor brilhando. O Amor é um Sol! Lindo também.
- E o desfecho: Há algo melhor do que a Paz reinando em santa paz? É um trechinho de música onde cada palavra ganha vida é é altamente colorida, ilustrada.

Luiz Carlos da Vila é mestre nisso. Dar vida a cada palavra. Nenhuma delas vem à toa, só pra compor uma frase ou constituir rima. Salve, Mestre!