quinta-feira, 17 de junho de 2010

A Boa Terra

Um bom livro. E só, na minha opinião.
Minha filha o leu antes de mim e disse: "É bom, mas a autora se perde do meio para o final." Resolvi buscar entender o que isso significava e é o que acontece de fato. Ela começa uma bela história, que tem como personagem principal Wang Lung, um pobre camponês no início de sua vida adulta. É quase uma saga familiar.
O que me chamou atenção no livro de início foi sua autora, Pearl S. Buck. Ela é americana mas foi criada na China. Passou sua vida inteira lá, por conta da profissão dos pais, por isso fala da cultura oriental com tanta propriedade.
A história de Wang Lung é triste e real. Mas o livro me desencantou. Ela realmente se "perde" na história, do meio para o fim. Os novos personagens são sem sentido e a impressão que se tem é que ela de repente perdeu a criatividade, a imaginação. Ficamos com essa sensação.
O interessante é que este livro foi Prêmio Nobel de Literatura e eu, particularmente, não entendi o motivo. Existem livros que retratam a cultura oriental de forma muito mais rica.
Mas enfim..... estamos aqui para viajar no mundo mágico da literatura, e nunca farei parte de banca alguma de prêmio literário. Minha função é ler, ler, ler, por puro deleite e satisfação pessoal.
Um trecho do livro:

Era o dia do casamento de Wang Lung. No primeiro momento, quando abriu os olhos na escuridão das cortinas de sua cama, não atinou por que o amanhecer parecia diferente de todos os outros. No silêncio da casa, só ouvia a tosse fraca e ofegante de seu velho pai, cujo quarto fi cava em frente ao dele do outro lado da sala central. Todas as manhãs, a tosse do velho era o primeiro som que se ouvia. Wang Lung em geral fi cava deitado a escutá-la e só se mexia quando a ouvia mais próxima e a porta do quarto do pai rangia nas dobradiças de madeira. Mas, nesta manhã, ele não esperou. Pulou da cama e abriu as cortinas. Era um amanhecer escuro e avermelhado, e pela pequena abertura quadrada de uma janela, onde o papel esfarrapado esvoaçava, brilhou uma nesga de céu cor de bronze.
Ele foi até a abertura e rasgou o papel.
— É primavera e não preciso disso — resmungou.
Envergonhava-se de dizer em voz alta que queria que a casa parecesse em ordem naquele dia. A abertura era tão apertada que mal dava para sua mão passar e ele a meteu para fora a fim de sentir o ar. Uma brisa suave soprava do leste, uma brisa amena e murmurante e plena de chuva. Era um bom presságio. Os campos precisavam de chuva para frutifi car. Não choveria naquele dia, mas em pouco tempo, se aquele vento continuasse, haveria água. Isso era bom. Ontem, ele dissera ao pai que, se aquele sol abrasador e inclemente continuasse, o trigo não espigaria. Agora era como se o céu tivesse escolhido esse dia para lhe desejar boa sorte. A terra daria frutos. 
Beijos!

Autor: BUCK, PEARL S.
Editora: ALFAGUARA BRASIL
Assunto: LITERATURA ESTRANGEIRA - ROMANCES
ISBN: 9788573027396
Preço: 45,90
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