terça-feira, 31 de agosto de 2010

A cor da água

Avassalador. Emocionante. Profundo. Meu coração está completamente rendido e impactado. Páginas de lágrimas de diversas cores e sabores e sensações.
Uma das mais belas declarações de amor de um dos doze filhos à sua extraordinária mãe.
James McBride é músico, jornalista, escritor e dono de uma das almas mais profundas que já visitei.
Quando criança, não entendia a diferença de cor entre ele e sua mãe, diferente das mães de todas as outras crianças que conhecia.
- Mãe, qual a sua cor? E a minha? Nós somos tão diferentes...
E a resposta era sempre a mesma:
- Temos a cor da água.

Essa mulher de vida sofrida, também sofreu preconceitos, só que de ordem religiosa, em sua infância, por causa do judaísmo.
Dentro da própria casa o preconceito era mais uma vez o mandante. Sua mãe, aleijada, foi aceita como mulher de seu pai somente por causa do dote oferecido. Sua família queria livrar-se da filha defeituosa, e o marido desejava somente o dinheiro para ir para a América. Foi abusada, molestada por esse pai, vivia condoída pela mãe, até o momento em que largou tudo. Religião, família, nome, sua identidade. Casou-se 2 vezes com homens negros e teve 12 filhos. Viveu na pobreza toda sua vida e conseguiu, ainda assim, graduar e pós-graduar todos os seus filhos. Hoje, homens e mulheres altamente bem-sucedidos na vida, unidos para sempre em torno do poder dessa mãe inacreditável.
James McBride e sua mãe, Ruth McBride Jordan, que no início de sua vida chamava-se Rachel Deborah Shilsky

Pra variar, os melhores estão extintos. Como pode um livro desses estar esgotado? Só nos resta os sebos, donos dessas raridades tão preciosas.

EDITORA: BERTRAND BRASIL

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Palavraviva

Ou seria palavravida?
Quando penso que a palavra me sustenta, no sentido mais literal possível, a primeira que me vem à mente é: obrigada! (assim mesmo, com o ponto de exclamação como se fizesse parte dela)
A palavra sustenta meu intelecto, minha vida, meus filhos, meu coração, sentimentos e emoções.
Ela sustenta minha sanidade. Ou será insanidade?
Outro dia achei interessante um movimento meu onde, lendo uma bela crítica a respeito de um filme, ao invés de pensar "quero ver", pensei "será que tem o livro?"
A força da palavra é tão imensa que cada vez mais me certifico que a gentileza deve margear cada palavra proferida e pensada e que o amor precisa estar inserido em seu núcleo de forma visceral.

Todos esses livros que leio e venho aqui trazer minhas impressões são na verdade palavra acumulada. São experiências únicas vividas da palavra interna de um autor. Por isso minha reverência a essas criaturas iluminadas, que dão vida à nossa imaginação e aquecem nosso coração. Um mega obrigada!

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Marcas de Nascença

Confesso que este livro me trouxe sensações contraditórias. A escrita é envolvente. A história, cativante e inteligente. A princípio fiquei com aquela sensação do "tudo é culpa das mães". Ao mesmo tempo, não há como negar a vital importância de uma educação equilibrada.
A máxima do livro é: “Um adulto nada mais é do que uma criança que sofreu."
Quatro gerações. Roteiro em ordem cronológica decrescente. Tudo começa na história mais atual.
Um menino de 6 anos narra seus mais profundos pensamentos, mesmo aqueles que não se diz a si próprio.  E a história continua com seu pai, sua avó e bisavó, cada qual com seus problemas, angústias, sonhos.

Um livro polifônico. Um pouco chocante, porque mostra do lado mais lúdico ao mais perverso de uma criança de seis anos.
Provavelmente o lerei mais uma vez, para poder internalizar de forma mais concreta. Acho que flutuei nas quatro histórias, às vezes impressionada, às vezes emocionada.
Uma leitura que vale muito a pena.
Um trecho da quarta capa:
"Partindo de uma ideia singela e genial, a escritora conta a história de uma família marcada pelo desenraizamento, pelo dilaceramento da guerra e pela busca de identidade. E o faz de uma maneira originalíssima: por meio do olhar infantil, inocente e perspicaz de quatro crianças, numa narrativa que viaja por vários pontos do planeta, começando na Califórnia do ano de 2004 e terminando na Alemanha que, entre 1944 e 1945, está em vias de perder a guerra. Do garoto californiano no início do século XXI à menina alemã dos anos 1940, pouco há em comum além de uma marca de nascença hereditária. Mas, à medida que a narração avança, fica claro que há muito mais a unir os membros de uma família além dos laços meramente sanguíneos...
Nancy Huston, com seus personagens cativantes e profundamente humanos, seu olhar agudo de observadora, sua noção penetrante do detalhe, sua sabedoria e seu conhecimento do mundo, faz a crônica dessa família parecer uma sinfonia de dor e de compreensão sobre toda a humanidade. Entre passado e presente, Velho e Novo Mundo, no entrecruzamento da História com as histórias individuais, a autora demonstra um domínio narrativo como poucos nomes da literatura universal.
Um livro atualíssimo, comovente, bem-humorado, perturbador, depois do qual o leitor não será mais o mesmo. Contra a barbárie eleva-se este desconcertante e reparador romance no qual, com amor e fúria, Nancy Huston faz uma ode à memória, à lealdade, à resistência e ao entendimento entre os homens.
"

Autor: HUSTON, NANCY
Tradutor: HEINEBERG, ILANA
Editora: L&PM EDITORES
Assunto: LITERATURA ESTRANGEIRA - ROMANCES
ISBN: 9788525417084
Preço: 39,00

domingo, 15 de agosto de 2010

O estranho caso do cachorro morto


Um belo dia, há alguns anos, a mulher de um amigo faria uma festa de aniversário. Não a conhecia bem, não sabia do que gostava, mas queria comprar-lhe um presente.
É claro que levei um livro! Conversei com uma amiga da livraria, expliquei a situação e disse por alto o perfil da pessoa:
- Bem, ela é psicóloga e trabalha com crianças / adolescentes especiais em uma escola pública.
Era o máximo de informação que tinha.
Minha amiga recomendou "O estranho caso do cachorro morto". Disse que ela adoraria. Desconfiando do título, fui atrás do livro e pela sinopse também me apaixonei. Ele conta a história de um adolescente com um tipo de autismo, sob sua perspectiva. O menino como narrador principal. Na hora fiquei eufórica e comprei o presente super feliz de ter acertado em cheio.
Quando cheguei ao aniversário e entreguei o presente, ela agradeceu educadamente. Mais tarde me diria que não sabia o que dizer, pois não tinha o hábito de ler, não gostava de literatura e achou estranhíssimo eu, que mal a conhecia, resolver dar um presente tão pessoal.
Resultado: por curiosidade e também para depois me dar um feedback, ela pegou o livro. E só o largou na última página, de tão encantada.
Hoje ela é mais uma ávida leitora, adquiriu o hábito e volta e meia trocamos livros, impressões, opiniões.
O estranho livro transformou mais uma pessoa. Tem coisa melhor?

Sinopse:
Criado entre professores especializados e pais que definitivamente não sabem lidar com suas necessidades especiais, Christopher Boone tem 15 anos e sofre do mal de Asperger's, uma forma de autismo. Adora listas, padrões e verdades absolutas. Odeia amarelo e marrom e, acima de tudo, odeia ser tocado por alguém. Christopher nunca foi muito além de seu próprio mundo, não consegue mentir nem entende metáforas ou piadas. É também incapaz de interpretar a mais simples expressão facial de qualquer pessoa. Um dia, Christopher encontra o cachorro da vizinha morto no jardim, é acusado do assassinato e preso. Depois de uma noite na cadeia, decide descobrir quem matou Wellington, o cachorro, e escreve um livro, relatando suas investigações. 






ISBN: 9788501066251 
Preço: 37,90

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Conversa de mãe e filho...

F - Mãe, faz brigadeiro de panela pra mim?

M - Ah, filho, hoje é terça-feira! Isso lá é dia de comer brigadeiro?

F - Claro, mãe! Podemos inclusive fazer brigadeiro toda terça-feira! Dia oficial do brigadeiro!

Quem é que resiste? ;)

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Palavraencantada

O Laço e o Abraço
Mário Quintana

Meu Deus! Como é engraçado!

Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço... uma  fita dando voltas.
Enrosca-se, mas não se embola, vira, revira, circula e pronto: está dado o
laço. É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de
braço. É assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo, no vestido,
em qualquer coisa onde o faço.
E quando puxo uma ponta, o que é que acontece? Vai escorregando...
devagarzinho, desmancha, desfaz o abraço.
Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido.
E, na fita, que curioso, não faltou nem um pedaço.
Ah! Então, é assim o amor, a amizade.
Tudo que é sentimento. Como um pedaço de fita.
Enrosca, segura um pouquinho, mas pode se desfazer a qualquer hora,
deixando livre as duas bandas do laço. Por isso é que se diz: laço
afetivo, laço de amizade.
E quando alguém briga, então se diz: romperam-se os laços.
E saem as duas partes, igual meus pedaços de fita, sem perder nenhum
pedaço.
Então o amor e a amizade são isso...
Não prendem, não escravizam, não apertam, não sufocam.
Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço!