quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Livro aberto


O melhor presente que recebo deste blog é quando alguém me diz:
- Rê, li o que você escreveu a respeito do livro "tal" e achei tão interessante que comprei.
Ou:
- Mesmo quando você não gosta do que leu, nos dá curiosidade ainda assim. Tenho vontade de ler e falar sobre aquilo depois.
Aí sim, vejo mais um ciclo concluído. Obrigada de coração.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Alexandre Raposo, escritor

Em 07/12/2009, postei aqui no Palavralida sobre Memórias de um diabo de garrafa, um dos melhores que já li. Minha história com o livro já começa de maneira interessante. Meu chefe recebe de herança a biblioteca de sua tia e os livros vêm parar todos aqui na editora. Encantada, comecei a olhar os títulos. É uma sensação estranha, você começa a conhecer alguém por sua biblioteca; os gostos e interesses da pessoa.
O título chamou minha atenção imediatamente e comentei com meu chefe: "Ari, olha que título interessante", e mostrei para ele, que me responde: "Eu já li, Renata, é muito bom, pode ficar para você, tenho certeza de que vai gostar."

E assim começou minha aventura.  Abaixo, post da época:

Pronto. Concluído. Infelizmente concluído, diga-se de passagem. Chego a arriscar perigosamente que foi o melhor livro que já me caiu em mãos.

Confesso que ando meio "sebenta"... ou "sebosa"?? rsrs Quero dizer que ultimamente ando postando aqui livros que infelizmente só são encontrados em sebos. Peço desculpas e prometo que tentarei que o próximo seja um super-lançamento, de preferência ainda no prelo!

Mas (sempre tem um), Memórias de um diabo de garrafa merece ser procurado, rastreado, se for o caso, e lido. Lido não, devorado! Pois é isso que acontece quando ele cai em suas mãos. Obra e arte de Alexandre Raposo que escreveu uma obra riquíssima que envolve arte, grandes figuras que deixaram marcas desde o século XVI até os dias de hoje!

Ilustres ou não, Giacomo, nosso querido diabinho de garrafa, nos leva a uma série de aventuras contadas de forma inteligentíssima, divertida e bela. Esse pequeno diabrete foi conjurado nada menos do que em 1526, pelo nada menos ourives e escultor Benvenuto Cellini. A partir daí sua vida de garrafa, que nada tem de monótona, passa por mãos sagradas como o violinista Nicolò Paganini até outras figuras como estudantes, ladrões e o célebre pirata Francis Drake.

Diabo inteligente, com alguns séculos de vida, o que proporcionou a ele tanta sabedoria, o aprendizado de tantos idiomas e dialetos e a profunda e eterna curiosidade sobre a alma humana.

Imperdivel. Infelizmente, esgotado.

Um beijo.
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Agora, Alexandre Raposo está prestes a lançar São Tomé na América, mas com promessa de grande sucesso. Estou devorando o livro (ainda no prelo) e, como não poderia deixar de ser, já impressionada com a absurda inteligência e cultura do autor. Apesar de apenas iniciado o ano, São Tomé foi o melhor presente de 2011. Alexandre, para mim, é dos grandes, dos melhores. Segue a sinopse:

DURANTE UMA VIAGEM A Jerusalém, um jovem comerciante grego conhece os apóstolos de Cristo e com eles participa do misterioso episódio da véspera de Pentecostes, quando o lugar onde estavam foi invadido por “línguas repartidas de fogo” e todos foram tocados pela luz do Espírito Santo “e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.”
Este é o ponto de partida de São Tomé na América, uma comédia-épica que narra a obviamente malfadada, repleta de mal-entendidos, mas nem por isso menos hilária missão de um apóstolo improvisado pelas Américas do primeiro século de nossa era.
Ambientado em um “continente já há muito perdido”, em um tempo em que “os homens ainda eram deuses e havia gigantes sobre a face da terra” o romance dá conta das viagens de Polícrates de Naxos, “que durante catorze anos peregrinou pelo continente americano, pregando a palavra do Senhor para jês, guaranis, tiahuanacos, paracas, mochicas, quichés, pós-olmecas, zapotecas e teotihuacanos”, culminando em uma eletrizante, embora mortal, partida de pocolpoc — espécie de futebol jogado pelos antigos povos da América Central — na cidade de Teotihuacán, onde estarão em jogo não apenas a vida do protagonista como também o florescimento ou o extermínio de uma grande civilização.

Para conferir os blogs do autor:


BLOG DO ESCRITOR
http://alexandreraposo.blogspot.com

FEIJOADA COMPLETA
http://completafeijoada.blogspot.com

EDITORA GARAMOND

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Black Boy

Livro autobiográfico, que fala da vida de Richard Wright, marcada pela violência contra os negros no sul dos Estados Unidos na década de 1920. Relato ultra comovente, sensível e inteligentíssimo. Richard foi uma criança maltratada pelos pais, pela família e pela vida. Seu sonho de partir para o Norte realiza-se já adulto. Ele passa a infância e adolescência com a obstinação de viver melhor em outro lugar. Isso fez dele uma pessoa absolutamente íntegra, questionadora e inteligente.

Autobiografias geralmente são mais profundas que biografias. Quando o autor é personagem principal em sua obra, viajamos por sua mente e coração com uma profundidade absurda. Quase sentimos suas angústias, medos, esperanças. Seu pensamento vira nosso pensamento. É incrível.

Apesar da fome, violência e miséria que cercaram sua vida, ele sobrevive devorando livros que vê pela frente. Em um momento de sua vida, conhece um branco que empresta seu cartão da biblioteca da cidade, e ele vê a oportunidade de conhecer todo tipo de literatura. Na época, os negros do Sul eram proibidos de frenquentar bibliotecas, parques, etc. Graças a essa pessoa, Richard conseguiu acesso ao vasto mundo literário que proporcionou, além do talento e inteligência natos, o conhecimento de formas estruturais de linguagem tão importantes para quem deseja escrever.
Belíssimo livro. Pra variar, os mais belos sempre esgotam. Quem puder vasculhar em sebos, vale a pena.

Autor: WRIGHT, RICHARD
Editora: ESPAÇO E TEMPO
ISBN: 9788585114817

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

IOM - Instituto de Otimização da Mente

O que é bom precisa ser espalhado por aí! :)

http://www.cursoiom.com.br/site/

IOM

Missão: Trabalhar o crescimento humano, através de cursos e estudos que desenvolvam habilidades permanentes, principalmente no que diz respeito a Leitura Dinâmica, Técnicas de Acesso à Memória e Eficientes Tecnologias do Aprendizado.

Visão: Ser reconhecida como a empresa que mais incentiva uma Revolução do Ensino no Brasil, com base no pensamento dos mestres Emílio Mira y López e Paulo Freire, que substituirá o adestramento pelo verdadeiro aprendizado.

Valores essenciais em que acreditamos: Resultado, Qualidade, Humildade, Inovação, Integridade, Transparência, Conhecimento, Flexibilidade, Satisfação, Profissionalismo e Comprometimento.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Uma história de grande porte

"Era uma vez um elefante branco. Esse elefante era meu, mas ele não era como um animal de estimação qualquer, desses que você deseja muito e um dia o ganha. O meu elefante apareceu de repente. E de repente se tornou um problema grande demais para alguém pequeno como eu."

Assim começa a sensível história de Roberta Fraga. Um livro para crianças e adultos que convivem ou já conviveram com a depressão na infância. A metáfora é ótima, principalmente aos olhos infantis. A depressão é um elefante branco, que chega sem pedir permissão e seu peso nos paralisa.

Roberta conseguiu transformar em leveza o peso de uma criança. E, a partir desta bela história, dizer a todos que podemos nos libertar dos elefantes brancos imaginários, que nos pesam a vida sem que ninguém os veja, sem que ninguém perceba.

Outra bela metáfora que a autora nos dá de presente são as lágrimas do menino, que viram amendoim e servem de alimento para o elefante.

Já postei aqui sobre a responsabilidade do autor de livros infantis. A literatura infantil transforma os pequenos seres humanos, que crescem com suas histórias favoritas. Por isso a alegria de ver uma história infantil com tema tão difícil ficar leve nas mãos da autora. E a parceria com a artista plástica Claudia Cappelli ajudou em muito no conjunto da obra.

A mensagem é passada com beleza. Podemos escolher nossos animais de estimação e saber que é possível dizer adeus ao elefante branco imaginário.


ISBN: 9788562683039 
Preço: 15,00

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Caixa de Desejos

No final do ano comentei aqui que tinha recebido da querida Viciados em livros Caixa de Desejos, de Ana Cristina Melo. Uma leitura leve, adolescente, que mostra a realidade de muitos jovens em nosso tão confuso século XXI e suas múltiplas alternativas familiares. Conflitos dentro de um coração de menina que, como disse sabiamente Livia Garcia Roza na quarta capa, o livro é "escrito com a sabedoria típica das meninas".
Isso mesmo. Delicadeza, inteligência e sensibilidade são alguns dos ingredientes da sabedoria das meninas.
Marília é uma dessas. Menina mimada, filha única, se vê a um só momento perdendo sua amada avó e ganhando uma meia-irmã. Tudo isso em meio ao turbilhão de sentimentos que invadem as meninas e os meninos em início de adolescência.
A autora fala também das dificuldades das novas famílias, onde mães e pais com filhos de outros casamentos são chamados a administrar, aceitar e amar seus filhos.
Uma graça de literatura. Parabéns, Ana Cristina!

Autor: MELO, ANA CRISTINA
Editora: USINA DE LETRAS
Assunto: INFANTO-JUVENIS - LITERATURA JUVENIL
ISBN: 9788562851537
Preço: R$ 20,00

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

A cidade do sol

"Khaled Hosseini nasceu em Cabul, Afeganistão". É assim que começa a apresentação do autor na segunda orelha. Isso explica tudo. Ele consegue fazer do leitor um completo apaixonado pela cidade, essa cidade tão violenta, palco das mais diversas barbaridades cometidas principalmente contra mulheres.
Este livro conta a história de duas mulheres afegãs, que nascem, crescem e vivem em cidades, ambientes e épocas distintas e se encontram em determinado período de suas vidas.
Elas são fortes, frágeis, simples e complexas.
Mariam e Laila são exemplos dos crimes que acontecem diariamente nessa terra tão rica e misteriosa, cheia de uma cultura fascinante, que conhecemos superficialmente. Khaled Hosseini nos inunda com seu conhecimento e nos faz conhecer profundamente a alma da mulher afegã, seus desejos e frustrações, bem como sua luta diária contra a morte dessa alma. Lindo livro, tão bom, na minha opinião, quanto O Caçador de Pipas.

Autor: HOSSEINI, KHALED
Editora: NOVA FRONTEIRA
Assunto: LITERATURA ESTRANGEIRA - ROMANCES
ISBN: 9788520920107 
Preço: 19,90