terça-feira, 29 de março de 2011

Entre o Amor e o Medo

Recebi este vídeo por email, com um texto maravilhoso, não poderia deixar de compartilhar.

Entre o Amor e o Medo

Nesta semana circulou na internet um vídeo muito especial. Nele, um garoto, vietnamita ou chinês, aparece respondendo a perguntas de uma interlocutora que não vemos na tela. Aparentemente trata-se de uma reportagem feita com crianças de uma escola, sobre o amor.

Ele confessa a esta pessoa que gosta de uma menina, mas que prefere deixar este sentimento em segredo por que acha que se o mundo tomar conhecimento do que sente por ela, vai rir dele. E, ao ser indagado do porquê ririam dele, e afirmou: "ela não gosta de mim".

Em seguida, surge a garota. A mesma interlocutora pergunta a ela qual o nome do seu melhor amigo e ela cita o nome do garoto. Então, lhe é perguntado se ela tem um namorado, ela diz que sim, e o garoto ali ao lado, olhando ansiosamente para sua amada.

Quando perguntam à garota qual o nome de seu namorado, ela diz o nome dele, do menino. A expressão de felicidade no rosto dele é incrível, ele fica radiante ao descobrir que ela nutre por ele o mesmo sentimento.

O vídeo encerra com uma frase que diz mais ou menos assim: você pode escolher entre o amor e o medo. Ele mostra o quanto, desde muito cedo, desenvolvemos um dos sentimentos mais comuns entre os seres humanos, que é o medo de não ser amado, de não ser aceito como se é, de não conseguir o amor e a atenção de quem amamos.

Este medo, muitas vezes, nos leva a esconder nossos sentimentos e perder a oportunidade de conhecer a felicidade, simplesmente pelo receio de que nosso amor seja rejeitado.

Por que será que somos tão vulneráveis à rejeição de alguém? É claro que ao desejarmos uma pessoa, o ideal seria que ela também correspondesse aos nossos sentimentos.

Porém, quando isto não ocorre, certamente não é porque não temos nenhuma qualidade. O fato é que a atração entre as pessoas se dá por uma misteriosa força que a razão é incapaz de explicar.
Sendo assim, deveríamos -e alguns conseguem isto-, ter em mente que o melhor seria abrir o coração, deixar que a outra pessoa conheça o que sentimos.

Não deveríamos sentir vergonha de amar, mas, infelizmente, não é o que acontece para um grande número de pessoas. O ego as faz temer a rejeição, por se sentirem humilhadas quando o seu amor não é correspondido.

Mas a vida sempre nos surpreende quando aceitamos cada acontecimento como uma parte de nossa história, e não como algo definitivo. A rejeição de hoje, certamente se converterá em uma aceitação amanhã, desde que nos mantenhamos confiantes em nosso valor e absolutamente certos de que somos merecedores de amor.

Aprender a lidar com a frustração de nosso desejo, sem assumir o papel de vitima, ou de alguém inferior, é um dos maiores desafios no caminho do amadurecimento.

... Uma vez que você aceite a vida em sua totalidade, as coisas começam a acontecer, porque essa aceitação total libera-o de seu objetivo de ego. Sua meta de ego é o problema, por causa dele, você cria problemas. Não há problemas na vida em si; a existência é sem-problema.

Você é o problema e é o criador do problema e cria problemas a partir de tudo. Mesmo se você encontrar Deus, você criará problemas a partir dele. Mesmo que você chegue ao paraíso, você criará problemas a partir do paraíso - porque você é a fonte original dos problemas. Você não irá se entregar. Esse ego que não se entrega é a fonte de todos os problemas.

Osho, Vigyan Bhairav Tantra.


sexta-feira, 25 de março de 2011

A bolsa amarela

Raquel tem três vontades enormes. Ser um menino, crescer e ser escritora. Ela tem uma imaginação maravilhosa, é uma menina sensível e incompreendida pela família. Às vezes, essas vontades crescem tanto, tanto, que parece que ela não vai aguentar o peso de tanta vontade reprimida.

Um dia ela escreve uma história, que ganha vida em sua bela cabecinha. No outro, ganha uma bolsa amarela, herdada da tia, que não a queria mais. A bolsa era enorme e ela logo pensou em colocar ali todas as suas vontades, bem escondidas. E é aí que a mágica acontece. É nessa hora que nós, leitores-mirins de Lygia Bojunga, nos rendemos. E quando a lemos já adultos, compreendemos a sutileza da sua informação.

Na história inventada de Raquel, o personagem principal é um galo (um macho...), no qual ela colocou o nome de Rei ("prestenção", uma coisa!). O galo ganha vida, é seu companheiro inseparável e ela descobre que ele fugiu da sua história por não querer mais aquela vida de galo, que manda em todas as galinhas e diz o que elas têm ou não de fazer. Logo que foge da história, pede à menina que mude seu nome; ele não gosta de "Rei", é pomposo demais.

Depois ela encontra um alfinete perdido na rua. Desses que fecham fraldas, bem pequenino. Ele diz a ela que ama ser pequeno daquele jeito, pois cabe em todos os lugares, é formoso e pode se esconder à vontade. Ele e o galo já moram na bolsa amarela.

Por último, o galo, que agora se chama Afonso, encontra um velho guarda-chuva quebrado. Aliás, UMA guarda-chuva, que perdeu toda a sua história depois que se quebrou inteira num acidente.

Aí nos chegam as conclusões maravilhosas. A bolsa amarela é a essência de Raquel. Ela consegue resolver seus conflitos mais urgentes com a própria imaginação. O galo representa sua vontade de ser menino. Ele mostra para ela que meninos também têm questões, dificuldades, problemas. O alfinete é sua vontade de crescer. Ele a convence de que tudo tem seu momento, e que ser pequeno também é bacana. E a guarda-chuva sem passado, sem história, é sua vontade de escrever, que dá lição inversa. Ela mostra que essa vontade sim, é importante, pois histórias fazem parte da vida de todo o mundo.

É por isso que Lygia Bojunga é tão premiada. É por isso que ela arrebata corações infantis. A criança se transforma ao lê-la. Muito muito fã. Desde criancinha! :)


Autor: BOJUNGA, LYGIA
Editora: CASA LYGIA BOJUNGA
Assunto: INFANTO-JUVENIS - LITERATURA JUVENIL

terça-feira, 22 de março de 2011

A solidão dos números primos

"Mattia tinha estudado que entre os números primos existem alguns ainda mais especiais. Os matemáticos os chamam de primos gêmeos: são casais de números primos que estão lado a lado, ou melhor, quase vizinhos, porque entre eles sempre há um número par, que os impede de tocar-se verdadeiramente.
Mattia achava que ele e Alice eram assim, dois primos gêmeos sós e perdidos, próximos, mas não o bastante para se tocar de verdade."

Mattia é um gênio da matemática, rapaz absolutamente solitário. Sua irmã gêmea, Michela, é autista, de quem Mattia se envergonha imensamente. Uma vez, na infância, a caminho de uma festa, Mattia deixa Michela num parque para não passar por constrangimentos no aniversário do amigo. Sua irmã desaparece e ele carrega no peito a culpa para o resto da vida.
Alice é uma menina com distúrbio alimentar grave. Quando pequena sofre um acidente na neve que deixa uma de suas pernas imóvel permanentemente.
Suas vidas seguem solitariamente unidas, se é que isso é possível. O amor que os une é o mesmo que os afasta, por causa da solidão que os permeia.
Um belo e triste livro.

Autor: GIORDANO, PAOLO
Tradutor: FIGUEIREDO, Y. A.
Editora: ROCCO
Assunto: LITERATURA ESTRANGEIRA - ROMANCES

quinta-feira, 17 de março de 2011

Como querer Caetanear o que há de bom

"Tudo o que eu quero é um arcode perfeito maior
Com todo mundo podendo brilhar num cântico
Canto somente o que não pode mais se calar
Noutras palavras sou muito romântico"

"Meu coração não se cansa
de ter esperança de um dia ser tudo o que quer."

"Cada um sabe a dor
e a delícia de ser o que é."

"Você me deixa a rua deserta
Quando atravessa
E não olha pra trás..."

"Para desintristecer
Meu coração tão só,
Basta encontrar você no caminho,
Arrastando meu olhar como imã..."

"O tempo não para
e no entanto ele nunca envelhece."

"Cantar
Quase sempre nos faz recordar
Sem querer
Um beijo, um sorriso ou uma outra aventura qualquer
Cantando aos acordes do meu violão
É que mando depressa ir embora
A saudade que mora no meu coração"

"A tristeza é senhora
Desde que o samba é samba é assim
A lágrima clara sobre a pele escura
A noite, a chuva que cai lá fora"

"Cantando eu mando a tristeza embora"

"É preciso estar atento e forte
Não temos tempo de temer a morte"

"Como uma encadernação vistosa
Feita para iletrados, a mulher se enfeita
Mas ela é um livro místico e somente
A alguns a que tal graça se consente
É dado lê-la"


"Está certo dizer que estrelas
Estão no olhar
De alguém que o amor te elegeu
Pra amar"

"Meu bálsamo benigno
Meu signo, meu guru
Porto seguro onde eu voltei"


"Não vamos fuçar nossos defeitos
Cravar sobre o peito as unhas do rancor
Lutemos mas só pelo direito
Ao nosso estranho amor"

"Compositor de destinos
Tambor de todos os rítmos
Tempo tempo tempo tempo
Entro num acordo contigo
Tempo tempo tempo tempo..."



"Dez na maneira e no tom
Você é o cheiro bom
Da madeira do meu violão"
"Eu quero aproximar
O meu cantar vagabundo
Daqueles que velam
Pela alegria do mundo"
"Rapte-me camaleoa
Adapte-me ao seu
Ne me quitte pas..."

"Sete mil vezes eu tornaria a viver assim
Sempre contigo transando sob as estrelas
Sempre cantando a música doce
Que o amor pedir pra eu cantar"

"Terra! Terra!
Por mais distante
O errante navegante
Quem jamais te esqueceria?..."

"Esfregando a pele de ouro marrom
Do seu corpo contra o meu
Me falou que o mal é bom e o bem cruel."
"Teu cabelo preto
Explícito objeto
Castanhos lábios
Ou pra ser exato
Lábios cor de açaí"

"E aquilo que nesse momento se revelará aos povos
Surpreenderá a todos, não por ser exótico
Mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto
Quando terá sido o óbvio"

"Na minha boca eu sinto a saliva que já secou
De tanto esperar aquele beijo, ai, aquele beijo que nunca chegou
Você é uma loucura em minha vida
Você é uma navalha para os meus olhos
Você é o estandarte da agonia que tem a lua e o sol do meio-dia"

"A sua coisa é toda tão certa
Beleza esperta
Você me deixa a rua deserta
Quando atravessa
E não olha pra trás"

Infinito Particular


Marisa Monte
Composição: Arnaldo Antunes, Marisa Monte, Carlinhos Brown





Eis o melhor e o pior de mim
O meu termômetro, o meu quilate
Vem, cara, me retrate
Não é impossível
Eu não sou difícil de ler

Faça sua parte
Eu sou daqui, eu não sou de Marte
Vem, cara, me repara
Não vê, tá na cara, sou porta bandeira de mim

Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular

Em alguns instantes
Sou pequenina e também gigante
Vem, cara, se declara
O mundo é portátil
Pra quem não tem nada a esconder

Olha minha cara
É só mistério, não tem segredo
Vem cá, não tenha medo
A água é potável
Daqui você pode beber

Só não se perca ao entrar
No meu infinito particular

quarta-feira, 16 de março de 2011

A leitura...

... e suas sensações....

“Você lê e sofre. Você lê e ri. Você lê e engasga. Você lê e tem arrepios. Você lê, e sua vida vai se misturando no que está sendo lido.” (Caio Fernando Abreu)


"Ler um livro é importante para você não ser você por um tempo. E, quando você voltar, voltará com os olhos muito mais aguçados." (Beatriz Bracher)


"O leitor se emociona e aí ele entende, não o contrário." (Moacyr Scliar)

"A literatura como fonte geradoras de imagens internas é o que seduz o leitor." (Heloísa Prieto)

"Se soubéssemos quantas e quantas vezes nossas palavras são mal interpretadas, haveria muito mais silêncio neste mundo." (Oscar Wilde)

"Escrevi-te em desordem, bem sei. Mas é como vivo. Eu só trabalho com achados e perdidos." (Clarice Lispector)