terça-feira, 31 de maio de 2011

O livreiro de Cabul

Relato íntimo da família de Sultan Khan, livreiro que passou a vida lutando para manter sua livraria e seus mais de 10 mil volumes sobre a história e literatura afegã. A autora norueguesa Asne Seierstad compôs com seriedade a vida dessa família.
Sultan Khan, que a princípio tinha autorizado o relato, não gostou do resultado final e chegou a processar a jornalista, mas o livro já era sucesso mundial. E não sem mérito. Ao contrário. Passeamos pela família, tão igual e tão diferente de tantas famílias afegãs.
A vida crua das mulheres, seus desejos íntimos mas jamais expostos, suas humilhações.
O tempo do livro é após a queda do Talibã, mas o povo não desarraiga com tanta facilidade. E a mulher segue sem a burca, porém coberta por dentro. Raras são as mulheres com fidúcia suficiente para romper barreiras. Para isso elas precisam de maridos ou protetores liberais, verdadeiramente, não apenas na aparência social.
Para se ter uma ideia, Sultan era um sujeito liberal. No entanto, ele, apesar de um letrado, apaixonado pela palavra, proíbe seus filhos, homens inclusive, de frequentarem a escola, concluírem seus estudos. Tudo pelo bem maior do comércio, da empresa, do sustento.
Cada relato árabe que nos cai em mãos temos a sensação de que as histórias são iguais, mas é o inverso. Cada vida é de uma riqueza interior sem fim.

Autor: SEIERSTAD, ASNE
Tradutor: SKEVIK, GRETE
Editora: RECORD
Assunto: COMUNICAÇÃO - JORNALISMO

ISBN: 9788501072870 
Autor: 42,90

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Frase


“O livro amado é aquele que nos transporta, anula o mundo à nossa volta.”
Heloisa Seixas
Escritora brasileira

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Uma história, várias mãos

Meu amigo e colega de trabalho Eduardo Soares é dono do blog "Uma História, Várias Mãos", onde reúne vários amigos para produzirem um só conto, cada um escrevendo um parágrafo e passando adiante.


Suas palavras: "As histórias publicadas aqui são escritas em tempo real, na medida em que são produzidas, durante conversas no chat do MSN ou do Gtalk.".


Tive a honra de participar do último, ontem, produzindo o último parágrafo de uma pequena história sobre criatividade. Pra quem quiser conferir o blog do Eduardo e o post Criatividade, segue o link:


Uma História, Várias Mãos - Criatividade


Obrigada, Eduardo!

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Meu nome não é Johnny

Ele foi o barão do pó. Traficava no asfalto para a elite carioca. Sua biografia é marcante. Guilherme Fiuza conseguiu transmitir toda a humanidade de João Guilherme Estrella, preso por tráfico de drogas e absolutamente reintegrado à sociedade.

De fácil leitura, nos envolvemos com João Guilherme do início ao fim. Sujeito bonachão, que sobe à mais alta estratosfera do tráfico, chegando com sua marca puríssima Nelore à Europa. Gastava dinheiro na medida em que ganhava, não fez fortuna, só queria festa, na mesma proporção em que aspirava quantidades absurdas da droga.

Fez da prisão manicomial uma escola de obstinação e aprendizado onde, apesar da facilidade de conseguir todo tipo de substância ilícita, conseguiu se livrar do vício de uma vez por todas.

Livro que deu origem ao filme estrelado por Selton Mello, Meu nome não é Johnny é fascinante e frenético. Da primeira à última linha.

Autor: FIUZA, GUILHERME
Editora: BEST BOLSO
Assunto: BIOGRAFIAS/AUTOBIOGRAFIAS/DIÁRIOS/MEMÓRIAS/CARTAS

ISBN: 9788577992393 
Preço: 17,90

terça-feira, 3 de maio de 2011

Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra

Poucas vezes na vida me deparei com tanta prosa poética. Este livro é pura poesia dentro de um romance cheio de mistério, suspense, reflexão, amor e família. 
Esta é história de Marianinho, que volta da cidade para Luar-do-Chão para os preparativos do velório do avô, Dito Mariano, personagem morto mais vivo que já conheci em minhas andanças literárias. Neto favorito, não sonha nem em seus delírios mais profundos, a reviravolta interna que sua vida dará. A morte de seu avô Mariano será um pedaço de seu renascimento.


Para dar gostinho, pequenos trechos:


“A cozinha me transporta para distantes doçuras. Como se, no embaciado dos seus vapores, se fabricasse não o alimento, mas o próprio tempo. Foi naquele chão que inventei brinquedo e rabisquei os meus primeiros desenhos.”
"A morte é como o umbigo: o quanto nela existe é a sua cicatriz, a lembrança de uma anterior existência. (...) Cruzo o rio, é já quase noite. Vejo esse poente como o desbotar do último sol. A voz antiga do Avô parece dizer-me: depois deste poente não haverá mais dia. E o gesto gasto de Mariano aponta o horizonte: ali onde se afunda o astro é o mpela djambo, o umbigo celeste. A cicatriz tão longe de uma ferida tão dentro: a ausente permanência de quem morreu. No Avô Mariano confirmo: morto amado nunca mais pára de morrer."
"Em África, os mortos não morrem nunca. Exceto aqueles que morrem mal. A esses chamamos de ‘abortos’. Sim, o mesmo nome que se dá aos desnascidos. Afinal, a morte é um outro nascimento."
(Marianinho)


Um livro que precisa ser degustado, devagar, para sentir a poesia por dentro de cada frase.


Autor: COUTO, MIA
Editora: COMPANHIA DAS LETRAS
Assunto: LITERATURA ESTRANGEIRA - ROMANCES

ISBN: 9788535903430 
Preço: 49,50