terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Giacomo

Tenho um diabo dentro de uma garrafa. É um diabo antigo, com quase quinhentos anos de idade, que pertence à família já há seis gerações.

Meu diabo é italiano de origem, embora as suas andanças pelo mundo o tenham transformado em um cosmopolita incurável.
[...]
No entanto, é fluente em cento e doze línguas conhecidas e em outras tantas que os paleógrafos a quem levei as fitas não conseguiram classificar.
[...]
Mede cerca de vinte centímetros, do chifre à ponta da cauda, e, visto de relance, imóvel dentro da garrafa, bem poderia ser confundido com um réptil conservado em formol.
[...]
Vive na cristaleira da sala e diverte-se com os programas de tevê a que assistem os meninos. Por incrível que pareça, criou gosto por seriados japoneses. É também de se admirar que alguém com tamanha erudição se emocione com reprises de novelas, mas, que fazer? Meu demônio é um romântico inveterado. Um pobre-diabo, por assim dizer.
[...]
Apesar da difícil convivência, confesso grande admiração por meu demônio de proveta. Ele possui uma mente vasta, enciclopédica, labiríntica. Recita de memória clássicos gregos e latinos, é um mestre da retórica e, por incrível que pareça, conhece a Bíblia de cabo a rabo.
É também um excelente contador de histórias. Tantos séculos de existência foram suficientes para supri-lo com um estoque aparentemente inesgotável de aventuras. Suas narrativas são repletas de reis, sacerdotes, feiticeiros, piratas, canibais, civilizações extintas, cidades submersas, tapetes voadores, óvnis, máquinas do tempo, amuletos, filtros de amor e toda sorte de coisas extraordinárias, demonstrando inegáveis qualidades de mercado. Nas mãos de um escriba inescrupuloso, meu diabo renderia dinheiro a rodo.
[...]
Eis, portanto, a biografia autorizada de uma criatura que privou da companhia de grandes personalidades da História Universal e que acompanhou de perto todas as reviravoltas da humanidade nos últimos quatrocentos e setenta e um anos; alguém que atravessou mares, desertos e cordilheiras e que frequentou palácios, castelos, mansões, bibliotecas, labirintos, camarotes, cozinhas, adegas, porões, masmorras e lixeiras do mundo inteiro, sem jamais ter saído de uma garrafa de pouco mais de litro e meio de capacidade.
(Alexandre Raposo - Memórias de um diabo de garrafa)

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Corda Bamba

Outra obra de tirar o fôlego. E o melhor: para crianças. Ou, se você preferir, para toda criança que existe em todos nós.

Maria é criada em um circo. Aos dez anos, após a morte de seus pais ela passa um tempo com Barbuda e Foguinho, seus protetores, mas precisa ir viver com sua avó materna, que ainda é viva e reclama a neta. Aparentemente, após perder seus pais, Maria não se lembra de nada; ficou com aquele vazio de memória que costumamos construir quando a dor aperta.

Então ela ganha uma corda do marido de sua avó. Fica superfeliz porque poderá matar a saudade do que fazia no circo. Sim, ela era equilibrista, assim como seus pais. Aquela arte que totalmente imita a vida, pois é assim que passamos por ela - nos equilibrando em uma corda fininha (vida) e buscando não cair com os obstáculos.

Assim Maria começa a viagem no passado e a busca das lembranças. Ela viaja mentalmente em sua corda bamba até um corredor cheio de portas e a cada dia abre uma, pinçando histórias e memórias até conseguir se lembrar de tudo e sem dor. Relembra seus pais, o circo, o acidente, a avó, tudo que apagou para se proteger. A escolha por retomar as lembranças é dela, o que é mais importante no processo.

E, no fim, quando as lembranças se esgotaram nas portas do corredor da sua alma, ela começa a arrumar cada cômodo, da melhor forma possível, e depois descobre uma porta nova, diferente. Quando abre, percebe que é a porta do futuro e das escolhas. E ela escolhe como quer viver a vida e como percorrerá esse longo caminho.



Autor: BOJUNGA, LYGIA
Editora: CASA LYGIA BOJUNGA
Assunto: INFANTO-JUVENIS - LITERATURA JUVENIL
28,00

sábado, 29 de setembro de 2012

A sombra do vento

Começando pelo que costumo deixar para o final:

"Meu pai e eu morávamos num pequeno apartamento da rua Santa Ana, perto da praça da igreja. O apartamento ficava bem em cima da livraria especializada em edições para colecionadores e livros antigos herdada de meu avô, uma loja encantada que meu pai confiava que algum dia passasse às minhas mãos. Cresci no meio de livros, fazendo amigos invisíveis em páginas que se desfaziam em pó e cujo cheiro ainda conservo nas mãos."


"A sombra do vento
JULIÁN CARAX

Nunca tinha ouvido mencionar aquele título ou o seu autor, mas não liguei. Minha decisão estava tomada. De ambas as partes. Peguei o livro com muito cuidado e folheei-o, deixando que as suas páginas esvoaçassem no ar. Liberado de sua cela na estante, o livro exalou uma nuvem de pó dourado. Satisfeito com a escolha, refiz meus passos no labirinto, levando meu livro debaixo do braço, com um sorriso impresso nos lábios. Talvez a atmosfera enfeitiçada daquele lugar se tivesse incorporado a mim, mas tive certeza de que aquele livro estivera me esperando ali anos a fio, provavelmente desde antes de eu nascer."

E assim Daniel Sempere me conquistou. Um dos muitos livros que a livraria onde trabalhava me emprestou, assim que terminei A sombra do vento tive certeza de que queria aquele livro para mim, para sempre. Corri para comprá-lo e fui muito mais feliz naquele momento. Quando terminei, fui à procura de outros títulos do autor, mas infelizmente este era o único até então publicado no Brasil. Hoje conseguimos ler Zafón em vários títulos e dou graças a isso.

O menino Daniel recebe de seu pai de presente de 10 anos a visita a um lugar mágico. O Cemitério dos Livros Esquecidos. Na Barcelona de 1945 ele conhece Julián Carax e seu livro, A sombra do vento. Sua vida muda completamente a partir daí e Daniel conhece a amizade, o amor e o mistério. Ele parte em busca de outros exemplares do autor e descobre que a vida de Julián é muito mais misteriosa do que sua obra. Toda a aventura do livro gira em torno da vida desse autor, suas obras, sua família, amigos e inimigos. 

Daniel cresce com ele. E todos nós também. Fermín, figura inteligentíssima que Daniel encontra vivendo como mendigo e o resgata para trabalhar com ele e seu pai na livraria é o melhor personagem que já conheci. Quem tiver o prazer de ler A sombra do vento verá em Fermín um universo dentro de um só personagem. Ele se transforma no companheiro de Daniel em sua busca incessante sobre o paradeiro de Julián. Inesquecivelmente belo, cativante, inteligente e maravilhoso livro.



Autor: RUIZ ZAFON, CARLOS
Tradutor: RIBAS, MARCIA
Editora: SUMA DE LETRAS BRASI
Assunto: LITERATURA ESTRANGEIRA - ROMANCES
46,90

domingo, 16 de setembro de 2012

Clarice,

Benjamin Moser, jornalista norte-americano, escreve a vida de Clarice de maneira intensa e apaixonada. Ele viajou para todos os lugares onde a escritora viveu, conheceu e entrevistou muitas pessoas que ajudaram a fazer desta biografia uma obra completa da vida dessa escritora fascinante, controversa, brilhante.

Em alguns momentos do livro, Benjamin conta como escritores brasileiros eram unânimes ao afirmarem o ritmo diferente, universal da escritora. Acredito ter sido essa a fórmula para o sucesso de Clarice, além, é claro, da forma intensa e interna de formar seus personagens.

Clarice usava todo o seu universo interior, era sua forma de expressar e se ver realmente livre. Por isso a vemos em cada Ângela ou Laura que lemos.

A maneira como enxergamos a mulher e escritora Clarice Lispector cai por terra ao lermos sua biografia. Percebemos que esse vastíssimo mundo que ela coloca em seus livros é absolutamente interior. Sua vida, desde a concepção, é sofrida, cheia de angústia. A morte da mãe vem a todo momento carregada de culpa. Essa falta permeia sua vida. Suas irmãs tentaram preencher o papel materno na vida da pequena Clarice, mas não foi suficiente. Sua vida de mulher de diplomata a levou para muito longe da sua terra, o Brasil, e isso causou muita depressão para ela. A vida era o extremo oposto do que clamava sua alma. Jantares, as outras esposas, a vida considerada fútil para Clarice foram afundando seu ser e a única válvula de escape era o papel. Que bom pra nós, ávidos de liberdade interior!

Pequenos trechos:

Sobre seu interior: "Há tantos anos me perdi de vista que hesito em procurar me encontrar. Estou com medo de começar. Existir me dá às vezes tal taquicardia. Eu tenho tanto medo de ser eu. Sou tão perigoso. Me deram um nome e me alienaram de mim."

Sobre as mulheres dos diplomatas: "Muitas esnobíssimas, de feitio duro e impiedoso embora sem jamais fazer maldade. Eu acho graça em ouvi-las falar de nobrezas e aristocracias e de me ver sentada no meio delas, com o ar mais gentil e delicado que eu posso achar. Nunca ouvi tanta bobagem séria e irremediável como neste mês de viagem. Gente cheia de certezas e de julgamentos, de vida vazia e entupida de prazeres sociais e delicadezas. É evidente que preciso conhecer a verdadeira pessoa embaixo disso. Mas por mais protetora dos animais que eu seja, a tarefa é difícil."

Sobre seus sentidos: "Veja que nunca te disse como escuto música - apoio de leve a mão na eletrola e a mão vibra espraiando ondas pelo corpo todo: assim ouço a eletricidade da vibração, substrato último no domínio da realidade, e o mundo treme nas minhas mãos."

Autor: MOSER, BENJAMIN
Tradutor: COUTO, JOSE GERALDO
Baseado vida/obra: LISPECTOR, CLARICE
Editora: COSAC NAIFY
Assunto: BIOGRAFIAS/AUTOBIOGRAFIAS/DIÁRIOS/MEMÓRIAS/CARTAS
29,90

sábado, 11 de agosto de 2012

A profecia celestina e o exército do BEM

Por Lis Lopes.




Um livro que me marcou muito foi "A Profecia Celestina" de james Redfield, nele eu me identifiquei muito com a questão do exército do BEM, de como é importante o BEM se unir! Beijos, Lis 

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Aposta literária

Por Eduardo Passos (Uma História, Várias Mãos)

Sei que o combinado era escrever sobre um livro especificamente, mas vou falar de um ano inteiro de leitura, de um ano de “corrida da leitura”. Em pleno ano de vestibular, eu deveria estar envolto por livros. E foi isso que eu fiz.


Tudo bem, os livros não eram das matérias escolares, mas, mesmo assim, foi um ano enriquecedor. Uma aposta valiosa que não dava um centavo de prêmio. Ainda no começo do ano, não sei em qual aula, apostei com um amigo para saber quem lia mais livros durante o ano. Valia qualquer coisa que fosse considerada literatura: best-sellers, biografias, contos.

Os dois livros da Bridget Jones, Alta Fidelidade (um dos meus favoritos), livros de contos que não lembro mais, toda a série dos pecados capitais (Zuenir, Veríssimo, Ubaldo etc) e outros que não consigo me lembrar. Aliás, no final do ano, contabilizei vinte e um livros, quase dois por mês. Outra coisa que eu não me recordo é se ganhei a aposta, mas isso importa?

Como era de se esperar, não passei no vestibular, mas tomei gosto de vez pela leitura e sempre vou me lembrar dessa competição inusitada. Será que mais alguém já fez uma aposta assim?

quarta-feira, 25 de julho de 2012

o remorso de baltazar serapião

assim mesmo, tudo com letras minúsculas, do início ao fim. deixarei minhas impressões da mesma forma, já que acabei de ler e estou completamente encantada.

valter hugo mãe foi um presente. a querida lu, fã de carteirinha do autor, trouxe-me este livro para que eu o conhecesse um pouco.

o remorso de baltazar serapião ganhou o prêmio literário josé saramago em 2007 e agora preciso procurar suas outras obras. o livro conta a história de baltazar e sua singular família. originalmente de sobrenome serapião, a família ganhou apelido de "os sargas" por causa de sua velha vaca. conta-se a boca miúda em seu povoado de fins de mundo que os filhos do senhor afonso serapião, ou afonso sarga, foram todos concebidos pela vaca da família e não por sua esposa, uma senhora manca, que foi 'escangalhada' por seu marido para que não fosse muito longe e tivesse tentações da carne.

baltazar possui mais dois irmãos: brunilda e aldegundes. a moça cedo foi trabalhar para dom afonso, dono de todas as terras, um verdadeiro senhor feudal, e além das tarefas domésticas ainda era obrigada a servir seu amo na cama. para seu pai, brunilda prostituiu-se, não passando-lhe pela cabeça que aquilo poderia ser forçado. aldegundes é o caçula e um rapazinho com talentos artísticos que se desenvolveram após o trágica desenlace de sua mãe, morta violentamente por seu pai. a partir daí, aldegundes passa a fazer pinturas de sóis e anjos e bichos à procura do céu onde possa encontrar sua mãe.

baltazar é prometido em casamento para a moça mais bela do povoado, ermesinda. ao ser avistada pelo senhor dom afonso, este logo se encanta pela moça e a obriga a visitá-lo todos os dias de manhã. baltazar é consumido pelo ciúme e, como seu pai, vai deixando a moça cada vez mais deficiente, a começar pelas pernas, braços, um olho e a cabeça. ele transfigura sua mulher, mas ainda vê beleza nela, onde todos a veem como um bicho. ele morre de amores por sua esposa, mas o ciúme violento herdado do pai o transtorna e assim ele vive, entre o remorso e a certeza de estar educando-a para o matrimônio como deve ser.

livro de profunda prosa poética. é o primeiro livro de prosa de valter hugo mãe. merecidíssimo prêmio josé saramago.

Autor: MAE, VALTER HUGO
Editora: EDITORA 34
Assunto: LITERATURA ESTRANGEIRA - ROMANCES
ISBN: 9788573264593
37,00

domingo, 22 de julho de 2012

A esperança de uma mãe

O que acontece quando você tem uma experiência marcante na vida? Como você reage ao perceber traços familiares em seus filhos?
A esperança de uma mãe é a primeira parte de uma saga familiar envolvente, que conta a história de Marta desde sua infância difícil até seu casamento e a relação conturbada com Hildie, uma de suas filhas. O livro mostra como nossa vida e o que passamos influencia na educação e maneira de olhar e lidar com os filhos.
Francine Rivers cadencia o livro com romance e um traço religioso, em que Deus está sempre presente.
Um livro profundo, que fala da complexa relação familiar e o que isso pode desencadear num ser humano.
Marta é uma personagem rígida, embrutecida pelas circunstâncias de ter vivido sob o jugo de um pai extremamente violento e uma mãe fraca e submissa.
Ao formar sua própria família, tenta desesperadamente mudar o rumo da história e, tendo quatro filhos, percebe em sua filha mais velha o mesmo espírito sensível de sua irmã caçula. Por amor, tenta de todas as formas mudar a natureza da filha, que sofre absurdamente com a diferença de tratamento. Quanto mais Hildie, busca a aceitação da mãe por meio de obediência e recato, maior a distância entre as duas.

Algumas partes da quarta capa:

"Na Suíça do início do século XX, a ambiciosa e decidida Marta Schneider sai de casa determinada a fugir do pai violento, da mãe amorosa mas fraca e das restrições impostas às mulheres naquela sociedade.
[...]
Marta espera poder dar aos filhos uma vida melhor, mas aprendeu desde cedo que somente os fortes sobrevivem. Sua rigidez muitas vezes é incompreendida, principalmente pela filha mais velha, Hildemara, que anseia pela aprovação da mãe. Em meio ao drama da Segunda Guerra Mundial, Hildemara se apaixona e começa sua própria família. Mas eventos trágicos e inesperados forçam mãe e filha a encarar os defeitos e o abismo cada vez mais profundo que ameaça separá-las para sempre.
Com uma prosa envolvente e personagens emocionantes, A esperança de uma mãe é a primeira parte de uma saga familiar inesquecível sobre os sacrifícios que toda mãe faz por seus filhos e sobre a natureza do amor incondicional."


Autor: RIVERS, FRANCINE
Editora: VERUS EDITORA
Assunto: LITERATURA ESTRANGEIRA
ISBN: 9788576861331
39,90

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Sobre o outro.

"Quando Paulo fala de Pedro, ficamos conhecendo muito mais sobre Paulo do que sobre Pedro."

Perfeito. Alguém conhece a autoria desta frase? Vi que muitos links se referem a Freud, mas algumas correntes dizem que não é verdade, que isso consta na psicologia há mais tempo.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Sartre

Jean-Paul Sartre


"Não importa o que fizeram de nós, mas sim o que nós fazemos com o que fizeram de nós."



"Ainda que fôssemos surdos e mudos como uma pedra, a nossa própria passividade seria uma forma de ação."


"Um homem não é outra coisa senão o que faz de si mesmo."

domingo, 24 de junho de 2012

Pandemonium

Mais um presente para a literatura brasileira. Vou começar com os comentários de dois artistas que admiro muito:

"Viver e pensar a vida ao mesmo tempo pode ser, sim, um pandemônio. Especialmente para quem se coloca no limiar, na beirinha do abismo e olha para ele.
Assim é Lemok, personagem de Zeca Fonseca. A partir de seus atos e pensamentos, constatamos a crueza da vida, 'nos intervalos da emoção', como diria Alice Ruiz. Mas, para além da vida nua e crua, há alguém aqui que vislumbra algo que poderia ser melhor. Por isso, algo de poesia vai escorrendo junto com toda a lama. Viver é bom?" (Zélia Duncan)

"O poeta inglês William Blake diz que o caminho do excesso leva ao palácio da sabedoria. Lemok, o personagem narrador de Pandemonium, talvez não encontre um palácio ao final de sua jornada, mas sem dúvida trilha a passos largos os caminhos e descaminhos do excesso. Ou dos excessos, em seu caso. E por mais que beba todo tipo de álcool barato, aspire as mais tortuosas carreiras de cocaína e se embrenhe por intrincadas e sinuosas vaginas esfíngicas, consegue sempre manter à vista uma bússola que lhe indica algum destino possível. A agulha ereta dessa bússola é a própria narrativa de Zeca Fonseca, vigorosa como um pontapé. [...] A literatura de Zeca Fonseca não faz concessões ao politicamente correto ou ao literariamente palatável. Como Dante, ele sabe que uma passagem pelo inferno é inevitável de vez em quando e que uma prosaica desilusão amorosa pode desencadear as mais terríveis e desesperadas consequências afetivas e estéticas. Zeca Fonseca tem a consciência de que no grande e barulhento sertão de uma metrópole, as veredas são os canos de esgoto." (Tony Bellotto)

É isso. Lemok é um personagem confuso, que encontra no álcool e nas drogas uma fuga para essa confusão que é sua vida. Por outro lado, cada vez mais percebe dentro da própria alucinação o buraco que vai caindo, sem conseguir sair desse ciclo. Vai se distanciando das pessoas enquanto procura um caminho para se encontrar, se conhecer. Jornalista frustrado, procura desculpas para estar na lama que se encontra. Seguimos a leitura na torcida de que ele encontre o homem sensível e inteligente que há por trás de tudo. Perde família e amigos com a mesma facilidade que encontra drogas e mulheres. Vive para analisar seus erros e luta do seu jeito para acertar uma hora, mas não é fácil. A escória humana é muito clara para ele em seus devaneios mais íntimos. Como ele diz, "respiramos, mas as nossas vidas são meros projetos de morte".

Uma leitura reflexiva sobre o submundo humano. Zeca Fonseca traz à tona toda espécie de sentimentos para o leitor, desde repugnância pela nossa espécie até a esperança de encontrar uma saída no fim do túnel. Além disso, é gratificante perceber a mudança de ritmo que a literatura brasileira moderna traz. Nossas obras merecem todo reconhecimento possível.

Trechos do livro:
"O dinheiro mexe com a moral do indivíduo e apaga sua chama vital.
Só pessoas de caráter muito reto, quase neuróticas, conseguem se preservar totalmente incorruptíveis.
O resto se vende assim que tem uma boa chance; nascem, crescem, e ao mesmo tempo vão se contaminando.
Estudam firme para tornarem-se importantes e um dia estarem aptos a serem corrompidos pelo sistema viscoso e vicioso. Estas pessoas não se sentem desonestas, integram um complexo esquema de corrupção a serviço da imoralidade humana."

"Tá todo mundo na mesma merda; uns pisando sobre os outros para tentar escalar o ponto mais alto da grande montanha fedorenta onde o poder fermenta. [...] Este é o mundo que vivemos. Alguém sempre se dá bem quando alguém se fode."

"Seres medíocres fazem cada vez mais sucesso, neste mundo atual, enquanto mentes brilhantes são relegadas ao ostracismo, vítimas de um sistema que nivela todos por baixo. Sentimos uma necessidade crescente de substituir o desejo pela satisfação."

É isso aí, Lemok. Obrigada, Zeca Fonseca.

(foto da capa: Paulo Moska)

Autor: FONSECA, ZECA
Editora: FACES EDITORA
Assunto: LITERATURA BRASILEIRA - ROMANCES
34,90

terça-feira, 29 de maio de 2012

Crime improvável

Romance brasileiro situado em São Paulo, Crime improvável é uma leitura com ritmo leve e erotismo na medida. Luiz Carlos Cardoso conta a história de Filipe, um homem comum, pai de família, revisor num jornal durante o dia e vigia noturno à noite que se vê apaixonado pela cunhada temporã, uma Lolita Nabokovesca para ninguém botar defeito. Ela vem do interior, onde vivem seus pais, para estudar na capital paulista e vai viver na casa da irmã para tormento do cunhado.
Eles ganham intimidade quando Fi se envolve com um grupo de ufólogos fanáticos, que veem em quase todos um traço marciano ou seja lá de qual galáxia for. Ele e Diana se embrenham numa história de suspense e sexo sem que ninguém da família desconfie. Quanto mais ele entra no estranho jogo sexual extraconjugal mais peças (e figuras) vão aparecendo em sua vida. Mas seu desejo mais ardente é por Diana, a bela adolescente que o seduz em todos os aspectos.
O autor ainda consegue brincar com referências literárias as mais diversas. Filipe é leitor compulsivo e ensina à bela Diana a arte de saber mergulhar na leitura.

"Tenho grande implicância de que me tratem como João qualquer, mas assim tratado não sei reagir como João especial e me vem a sensação de ser inescapavelmente João qualquer. Como me conheço, fiquei neutro."

"Mas ali, naquele instante, o que me emocionava era vê-la projetada em Molly Bloom, certamente desenvolvendo um gosto literário estimulado por mim. Eu amava, amo a literatura também, e ter sido capaz de cultivar em alguém esse prazer, que afinal pode ser mais duradouro que qualquer outro, me enchia de orgulho altruístico.
(...)
Preciso ser honesto e reconhecer: esse impulso de posse corporal da moça queria sublimar-se em mim na forma de amor por sua alma que a literatura enobrecia. Sem amor pelo corpo, impossível seria o amor pela alma - alma no sentido de espírito, de intelecto, de feminilidade. E ainda assim, juro, senti palpavelmente que Diana repleta de Molly era criação quase minha em atrevida parceria com Joyce e até com Deus que eu negava e nego. Está confuso, sei, mas permitam-me de raspão tentar uma profundidade nesta altura da obra rasa. Além de que, "sentir palpavelmente" enquanto Diana se acomodava na cadeira da cafeteria, com a maravilhosa porosidade de suas coxas a oferecer-se, era uma experiência deflagradora da mais pretensiosa loucura."

Luiz Carlos Cardoso, somos todos gratos por mais uma obra brasileira de qualidade.

Autor: CARDOSO, LUIZ CARLOS
Editora: FICÇOES EDITORA
Assunto: LITERATURA BRASILEIRA - ROMANCES
ISBN: 9788562226076
39,90

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Paul McCartney - uma vida

Autoconfiança, ambição, amor à música e obstinação. Ao ler Paul McCartney - uma vida, essas palavras gritam nas entrelinhas e são o cerne do sucesso desse artista lendário.

Apaixonante por natureza, dono de um charme irresistível, ele chega ao topo mesmo após a dissolução dos Beatles e onde se mantém até hoje.

O livro de Peter Ames Carlin é envolvente. O autor, como ele mesmo diz, passou anos seguindo as pegadas de Paul e reuniu uma bela obra com depoimentos de vários amigos e profissionais do meio.

Desde a adolescência em família, Paul já exercia seu charme e confiança. Ao ser apresentado a John Lennon, rapaz mais velho e mais rebelde, ele soube impor seu talento e impressionou o novo amigo, com quem teve uma relação intensa e complexa.

Família:
"Há muitos anos, era apenas os quatro. Jim e Mary e seus dois garotos indisciplinados, Paul e Michael. Jim e Mary eram pais mais velhos do que o esperado. Ele já tinha passado dos quarenta quando Paul nasceu, e ela também chegara ao final dos trinta quando Michael entrou em cena, dois anos depois. Talvez isso, junto com algumas nuvens que os velhos MacCartney sabiam estar se formando no horizonte, fez com que eles valorizassem muito mais a vida em família. Além disso, o clã sempre foi muito próximo e, quando uma tarde de inverno se tornava escura e fria, a família se reunia na sala de estar, Jim puxava o banco e deixava seus dedos tocarem nas teclas frias e macias.
Ele não era um pianista fantástico; no passado, seu instrumento havia sido o trompete. Mas Jim possuía um bom par de ouvidos e dedos ágeis que conseguiam estabelecer o ritmo e a melodia de uma canção popular, martelando-os até que o topo do piano encostasse-se à moldura. (...) Mary não era musical - era uma enfermeira que olhava para o mundo com olhos sombrios, embora meigos -, mas adorava o jeito do marido com as canções. Gostava especialmente de ver Paul sentado no chão encarando o pai, com os olhos castanhos acesos e as bochechas fofinhas abertas num sorriso."

Paul e John:
"Sob vários aspectos, os dois adolescentes eram como espelhos um do outro. Quase de imediato, quando John e Paul se sentavam frente a frente, os braços de suas guitarras - um para a mão direita outro para a mão esquerda - apontavam na mesma direção, enquanto dois dedos dançavam com a palheta em total sintonia com os do parceiro. Suas personalidades também se espelhavam: o garoto mais velho impetuoso e geralmente destemperado equilibrado pelo jovem companheiro sorridente e afável. Todavia, embora ambos parecessem escolhas improváveis um para o outro, John e Paul também compreendiam que se ajudavam reciprocamente nas próprias fraquezas. John admirava a desenvoltura de Paul ao se apresentar, tanto no palco quanto fora dele, ao mesmo tempo em que Paul se encantava com a inteligência fulminante de John, e sua disposição - e não avidez - para dizer sem pudor todas as coisas cruéis em que Paul pensava secretamente, mas não conseguia expressar."

Linda:
"Tietes dentro de casa, drogas por toda parte, a névoa tóxica de tudo, o tempo todo. No entanto, nos momentos silenciosos que precediam o amanhecer, aquilo não significava nada. Nada que realmente tivesse importância, e foi ali que a mente de Paul se voltou para a loira de olhos grandes e redondos de Nova Iorque. Ela era diferente: nem elegante, nem hippie de butique; nem fria, nem escaldante. Mas havia algo nela, aquele calor indefinível, que o fazia se sentir diferente também. Mais perto do chão. À vontade e - seria possível? - seguro."

Ele é uma lenda.

Autor: CARLIN, PETER AMES
Tradutor: CURY, VANIA MARIA
Baseado vida/obra: MCCARTNEY, PAUL
Editora: NOVA FRONTEIRA
ISBN: 9788520923399
44,90

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Vida de um homem: Francisco de Assis

"Ao bispo Guido de Assis, que o aconselha paternalmente a abrandar a conduta demasiado rigorosa da irmandade ('Vossa vida me parece dura e áspera, pois não possuís nada neste mundo'), Francisco responde: 'Senhor, se tivéssemos bens, precisaríamos dispor também de armas para defendê-los. É da riqueza que provêm discussões e brigas, e assim se impede de muitas maneiras tanto o amor a Deus quanto o amor ao próximo. Por isso não queremos possuir nenhum bem material neste mundo'. Francisco acaba por aqui; não acrescenta o fácil corolário: 'Vós também deveríeis mudar'. No projeto do santo - outro ponto a ser ressaltado - é apenas pelo exemplo positivo que se pode induzir alguém a mudar e se corrigir; pelo exemplo, mais do que pelas palavras, as quais, de qualquer forma, nunca devem soar como crítica ou acusação, mas apenas como fraterna exortação de igual para igual." (página 62)

Bem, este post será o mais fácil e o mais difícil, igualmente. Um dos melhores presentes recebidos. Minha filha me deu mais que isso: ela me deu um "abrir os olhos para o mundo". Chiara Frugoni, historiadora italiana, conta neste livro a mais bela história que pode existir. A vida de Francisco de Assis. Homem de fé absoluta em Jesus Cristo, que parte em busca da paz interior pelo caminho da simplicidade, da fé sem dogmas. Amou a Deus e a Jesus sem barreiras, da maneira mais profunda que um ser humano já amou: seguindo seus passos e ensinamentos. Em essência um homem com apenas uma missão... viver da fé e pela fé por Deus e toda a sua criação. Mais alguns trechos do livro:

"Quanto a si, admitia com franqueza: 'Mesmo num momento de tentação ou de abatimento, sei que me basta ver a alegria de meu companheiro para me recuperar da crise e reconquistar a alegria interior e exterior'.
É assim que Francisco amava a pobreza, nunca separada da alegria. Sua pobreza, aliás, é uma pobreza voluntária, libertadora, que torna o homem espiritualmente imune à sede de domínio e posse, à violência, aos desejos que se impõem como necessidades, às obrigações da vida cotidiana. A pobreza voluntária é liberdade física - obriga a andar constantemente - mas é sobretudo liberdade mental: permite ouvir realmente as palavras do Evangelho, permite amar sem reservas." (página 71)

"Referiam-se às regras de São Bento, santo Agostinho e são Bernardo, que prescreviam esta ou aquela outra norma a fim de levar uma vida religiosa e bem regrada. Francisco ouviu a proposta (...) 'pegou pela mão' Ugolino - o típico gesto de cortesia os romances de cavalaria - e o levou perante a assembleia, onde apresentou uma enérgica recusa:

Irmãos meus, irmãos meus, Deus me chamou para percorrer o caminho da simplicidade e o mostrou a mim. Não quero, portanto, que nomeiem outras regras, nem a de santo Agostinho, nem a de são Bernardo ou de são Bento. O senhor me revelou ser Sua vontade que eu fosse o último louco da terra: esta é a ciência à qual Deus quer que nos dediquemos! Ele vos confundirá por meio da vossa própria sabedoria e ciência!" (página 119)

"Em abril de 1226, foi enviado a Siena para outros tratamentos; ali se sentiu muito mal, soltou golfadas de sangue e os companheiros tiveram certeza de que ia morrer. Pediram-lhe uma lembrança e um adeus, e Francisco ditou um Testamento de poucas palavras, exausto pela doença e pelo sofrimento: 'Em memória de minha bênção e de minha última vontade, que os frades sempre se amem e queiram bem uns aos outros e respeitem sempre a santa Pobreza, nossa senhora. Sejam sempre fielmente submissos aos prelados e a todos os clérigos da santa mãe Igreja'. Para Francisco, na escala dos valores, em primeiro lugar vinham o amor caridoso e o estado de pobreza: apenas assim os frades poderão sempre receber prontamente o deserdado, o pobre, o leproso, e partilhar com facilidade e afeto sua vida, porque já é a deles. Depois se preocupa com os irmãos, recomenda obediência à Igreja para que não caiam nas rígidas malhas de sua estrutura e de seus preceitos." (página 160)

Não há como não imaginar um mundo bom, com um Ser Humano como Francisco.

Autor: Frugoni, Chiara
Tradutor: Carotti, Federico
Baseado vida/obra Francisco de Assis
Editora: Companhia das Letras
ISBN: 9788535918656
33,00

domingo, 15 de abril de 2012

O dono da Lua

Autores de livros infantis merecem todo respeito e reverência possíveis, na minha opinião. São eles que formam futuros leitores, são os responsáveis por aquela fisgada que um belo livro infantil, recheado de imaginação e mensagem, pega uma criança e, futuramente, um adulto.
Ao receber O dono da Lua, voltei à emoção infantil dessa maravilhosa fisgada, a começar pela linda e sensível dedicatória:
"Renata,
que ao olhar para o céu, à noite, você se lembre de Nick e de sua aventura em busca do dono da Lua."
Pronto. Minha imaginação voou pelo céu à procura da Lua e seus mistérios.

Nick, o pequeno curioso, um belo dia (ou noite) descobre que a Lua desapareceu do céu. Percebeu que não era época de Lua Nova e chegou à conclusão de que deveria ter acontecido algo sério com seu dono. Aí começa sua aventura na busca dessa pessoa que ele acreditava tomar conta da Lua e suas fases.
A primeira atitude de Nick foi procurar seu professor de Geografia, o qual ele considerava bastante inteligente. Mas o professor o decepcionou, com toda aquela conversa de que não existe um dono da Lua, todo aquele falatório sobre satélite, órbita, fases etc. Nick, então, parte sozinho em busca do dono da Lua.

Ronize Aline já começa o livro da melhor forma que um autor infantil pode começar. Com uma belíssima mensagem. Um pequeno trecho do início:

"Você já reparou como 'dono' é uma palavra feia? Significa que alguém tem a posse de alguma coisa e que, por causa disso, pode mandar nos outros.
Por exemplo, o dono da bola. Sem ele não tem jogo. Quando chega ao campo, vai logo dando ordem, escalando os times, mandando aqui, mandando acolá. E, se fica irritado, pega a bola e acaba na hora com a brincadeira, deixando todo mundo chupando dedo.
Mas há um caso pior: das pessoas que se consideram donas de coisas que não têm dono e que, por isso mesmo, pertencem a todos.
É o caso do dono do 'pedaço'. Esse pedaço pode ser a rua, o clube ou o parquinho da praça. Ali só entra quem ele quer."

O dono da Lua ainda tem outra importância mais que especial: as ilustrações de Martha Werneck. Martha consegue traduzir em lindas imagens cada sentimento de Ronize e Nick. Conclusão: perfeito casamento palavra-imagem. Que venham muitos sonhos, muitos céus e luas e crianças curiosas.

Belíssimo livro para crianças, bem como para a gente grande que ainda deseja sentir a tal fisgada infantil de um livro.


Autor: ALINE, RONIZE
Ilustrador: WERNECK, MARTHA
Editora: ESCRITA FINA
Assunto: INFANTO-JUVENIS - LITERATURA INFANTIL

ISBN: 9788563877468


28,00

sexta-feira, 30 de março de 2012

Casa do Editor

Ninguém melhor do que eles para explicar esse projeto tão especial. Parabéns aos editores pela iniciativa de disseminar leitura com mais facilidade a nós.


Quem somos

Este site é uma ferramenta de extrema ajuda ao Autor em sua difícil tarefa de publicar sua Obra. O objetivo da Casa do Editor é conectar o Autor com a Editora, facilitando, e muito, para ambos, a concretização de seus sonhos, ideais e realizações. Portanto, a Casa do Editor é uma vitrine para sua Obra, expondo-a aos Editores e intermediando o contato entre ambos.

O Autor, ao cadastrar sua Obra no Banco de Dados da Casa do Editor, estará disponibilizando-a a milhares de Editoras do Brasil e de Portugal (tal quantidade de Editoras é o nosso objetivo a ser atingido em curtíssimo prazo). Após cadastrar-se, o Autor irá informar o Gênero de sua Obra, bem como a Categoria de Gênero e suas Subcategorias, seu Resumo Biográfico, dentre outros dados, facilitando a localização de sua Obra pelas Editoras que publicam Obras do seu Gênero.

O Editor, ao cadastrar-se, gratuitamente, na Casa do Editor, terá em mãos uma poderosa ferramenta de Busca avançada que o ajudará em sua difícil tarefa de encontrar Obras que se enquadram em sua Linha Editorial (Gênero de Publicação). Ao pesquisar uma Obra por Gênero, por Categorias de Gênero e suas Subcategorias, em seus quatro níveis de pesquisa, o Portal Casa do Editor mostrará as Obras que realmente se enquadram em sua Linha Editorial, proporcionando economia de tempo e de dinheiro às Editoras.

Casa do Editor é uma ferramenta extremamente segura, útil e eficaz para Autores de todos os Gêneros literários existentes. É simples, fácil e barato fazer parte deste site, cujo objetivo é tornar-se o maior e melhor Portal do gênero no Brasil e no exterior.

São mais de 50 mil Categorias e Subcategorias de Gêneros literários. Nosso objetivo é ter no Banco de Dados da Casa do Editor mais de 100 mil Categorias e Subcategorias de Gêneros, pois o Autor, ao cadastrar sua Obra, se ela não se enquadrar em uma das Categorias de Gêneros e em suas Subcategorias, ele terá a liberdade de criar uma nova Categoria ou Subcategoria. Portanto, a Casa do Editor será um site inteligente, pois cada nova Categoria de Gênero e/ou Subcategoria inserida pelo Autor, ou pelo Editor, ela passa a fazer parte do Banco de Dados de Categorias de Gêneros da Casa do Editor.

Além de Autores e Editoras, o Distribuidor de livros e o Livreiro também terão acesso ao site. Ao cadastrar-se gratuitamente, o Distribuidor e o Livreiro estarão se mostrando às Editoras e aos Autores. As Editoras também terão acesso à relação de Distribuidores e Livreiros de todo o país.

Por um pequeno valor semestral ou anual, o Autor se conectará ao mundo editorial, ganhando tempo, economizando dinheiro e aumentando, em muito, suas chances de publicar sua Obra. Editoras, Distribuidores e Livreiros terão acesso gratuito à Casa do Editor.

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segunda-feira, 26 de março de 2012

Curial e Guelfa



Curial e Guelfa é uma das mais impressionantes e enigmáticas novelas da Idade Média. Escrita em catalão por um autor anônimo, mescla os ingredientes do romance e da aventura, o amor e os feitos de armas. Após numerosos sofrimentos e peregrinações pela geografia da Europa e do  Mediterrâneo  do  século  XV,  o  herói  epônimo,  Curial,  obtém  a  mão  de  sua  amada.

Ricardo  da  Costa  traduziu  essa  obra-prima  para  o português pela primeira vez, em um soberbo exemplo de tradução precisa e prosa de elevada qualidade estética. Antoni Ferrando, um dos maiores especialistas em literatura cavaleiresca e nas letras catalãs, prefaciou essa tradução e situou Curial e Guelfa em seu contexto literário e cultural.

Antonio Cortijo Ocaña (University of California) 
Diretor de eHumanista 


A Universidade da Califórnia lançou a primeira tradução feita para a língua portuguesa de “Curial e Guelfa”, anônimo romance de cavalaria escrito em catalão, na segunda metade do século XV, cerca de 100 anos antes do Dom Quixote, de Cervantes (1547-1616). “Curial e Guelfa” apresenta, por trás de um romance de amor entre os dois personagens do título (Curial, o cavaleiro pobre, e Guelfa, a princesa que o amava e o protegia) uma rica descrição da sociedade cavalheiresca de sua época, e mostra bem a passagem da Idade Média para o Renascimento. Dessa obra existe apenas um único manuscrito, encontrado em um arquivo espanhol, e que está sendo revalorizado nos últimos anos, com cuidadosas traduções, para os principais idiomas modernos, realizadas por especialistas de vários países europeus. No Brasil, “Curial e Guelfa”
ainda é desconhecida nos meios universitários, e essa publicação certamente abrirá novos campos de pesquisa para estudiosos de História e de Literatura.

A tradução, do catalão medieval para o português, era tarefa que apresentava inúmeras dificuldades linguísticas e metodológicas. Foi levada a bom termo pelo Prof. Dr. Ricardo da Costa, medievalista da UFES, acadêmico correspondente no exterior da Real Academia de Belas Letras de Barcelona e membro do IVITRA (Instituto Virtual Internacional de Tradução – Universidade de Alicante). Ricardo da Costa enriqueceu o trabalho com centenas de notas explicativas, indispensáveis para o leitor moderno poder
devidamente compreender e saborear o texto, que manteve rigorosa fidelidade em relação ao original catalão.

A edição já foi lançada nos Estados Unidos em um volume encadernado, com 512 páginas, e deve chegar ao Brasil nas próximas semanas.

Armando Alexandre dos Santos 

quarta-feira, 21 de março de 2012

Lançamento dia 21 de março - Travessa

Este promete, pelo que já percebi. Amanhã é seu lançamento, na Livraria da Travessa do Leblon/RJ, às 19 horas. Assim que recebê-lo, postarei para compartilhar com vocês. Abaixo sinopse da editora:

Uma história de amor, dor e culpa. A carioca Adriana Armony constrói, em Estranhos no aquário, um delicado romance sobre identidade e redenção. Sobre esquecimento e lembranças, correntes de um oceano que deixa os personagens à deriva. Prisioneiros de suas próprias limitações, arrependimentos e culpas. Uma vida interrompida. Um pai inconformado. A mãe, presa num presente perpétuo, onde o filho se repete indefinidamente. Igual e diferente. 

Fim de ano. O jovem estudante de filosofia Benjamin flagra a namorada e o melhor amigo na piscina da pousada em que se hospedavam. Dois estranhos no aquário, duas traições distintas. Desesperado, decide voltar ao Rio de Janeiro sozinho. Mas o retorno se torna uma alegoria. Ben nunca volta. Apesar de estar vivo, um acidente na estrada o deixa paralisado, e com o cérebro — e a memória — bastante comprometido.  

Segundo os médicos, a recuperação é possível. Mas demorada e incerta. A mãe, Júlia, usa a voz como o fio frágil que costura as recordações do rapaz. Ela fala sem parar, pois a cada 20 minutos, Ben esquece de tudo, mistura fatos passados com presente. Sua habilidade cognitiva também sofreu. Seu vocabulário ganha uma conotação quase poética, onde um sanduíche vira um prédio de pães. E um pão-de-queijo, uma almofadinha de sabor.

Em seu terceiro romance — no primeiro Adriana ficcionaliza um período da vida de Nelson Rodrigues e no segundo, as memórias da avó —, a autora conduz a trama com a segurança de escritora experiente, entrelaçando os capítulos num ziguezague narrativo, no qual o antes surge depois, o depois se expressa no durante, de sorte que a história de Benjamin, ao aflorar, traz à tona a história de seus pais. Estranhos no aquário é um romance denso, onde sentimentos e laços afetivos aparecem ora turvos ora límpidos, como um espelho d’água. 

Escolhido entre várias narrativas para a bolsa de literatura da Petrobras, o livro confirma, ainda, Adriana Armony como umas das escritoras mais versáteis de sua geração.

terça-feira, 6 de março de 2012

Os sonâmbulos

Romance policial de estreia de Paul Grossman. Se continuar assim, vai longe. História cheia de suspense onde, em 1932, período em que a ascensão do nazismo era inevitável, o detetive Willi, um judeu alemão, era aclamado e admirado por toda a Alemanha por sua inteligência perspicaz e rapidez na captura de criminosos. Willi se enreda em uma história sombria, cercada de crimes hediondos que envolve mutilação humana para experiências absurdas.

A investigação começa quando descobrem no leito de um rio o corpo de uma jovem que teve suas pernas mutiladas.

Quanto mais entra na história, mais difícil fica identificar os criminosos, que estão entre a elite médica alemã e o próprio governo. Willi envia sua família para outro país, pois sabe do risco que corre. Se apaixona por uma prostituta, que se arrisca com ele na aventura. No meio do furacão, um hipnotizador aparece para complicar ainda mais as coisas.

Romance, suspense, ficção policial, guerra. Tudo em um só lugar.
Ótimo livro.


Autor: GROSSMAN, PAUL
Tradutor: HIRATA, GENI
Capa: JULIO ZARTOS
Editora: ROCCO
Assunto: LITERATURA ESTRANGEIRA - FICÇÃO POLICIAL
ISBN: 9788532526847
Preço: 48,00

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Saiu no Publishnews


“O leitor deve ser capaz de ler com fluência, mesmo se você estiver escrevendo metafísica, ou filosofia, ou seja o que for.”
Jorge Luis Borges
Escritor argentino
(1899 - 1986)


“Sempre apreciei mais a mudez, a observação. Talvez, por isso, tenha virado homem de palavras escritas e não das faladas.”
Caio Riter
Escritor brasileiro

“A linguagem e o estilo são ferramentas utilizadas pelo autor para servir à trama, a seus personagens e ao mundo que quer criar.”
Carlos Ruiz Zafón
Escritor espanhol


“Para escrever eu antes me despojo das palavras.”
Clarice Lispector
Escritora brasileira
(1920 - 1977)


Marina

História de amor adolescente cercada de suspense, marca registrada de Zafon. Óscar Drai é um menino que vive num internato, solitário, sem amigos e com a família que o ignora. Em suas andanças pelas ruas de Barcelona, conhece Marina e seu pai, que vivem sozinhos em um misterioso casarão. Óscar logo se apaixona pela amiga e eles começam a se aventurar pelo cemitério e lugares sombrios da cidade.

Numa das visitas ao cemitério, deparam-se com uma cena estranha, onde uma mulher encapuzada leva flores a um túmulo que possui uma marca de borboleta.

Sem querer se veem envolvidos na trama dessa história, são involuntariamente impelidos a ajudar a resolver o mistério por meio de bilhetes anônimos, endereços estranhos, pessoas tão desconhecidas quanto sinistras.

Tempos depois, o rapaz vai embora da cidade na esperança de esquecer toda a história. Volta após 15 anos, certo de que precisa se desvencilhar das sombrias e hediondas lembranças.

O autor revela na quarta capa que Marina é seu livro predileto. Apesar de achar que nada nunca se comparará à Sombra do Vento, outra obra de Zafon, em minha opinião sua obra-prima, Marina é um livro adolescente fascinante pelo suspense e narrativa inteligente.


Autor: RUIZ ZAFON, CARLOS
Tradutor: AGUIAR, ELIANA
Editora: SUMA DE LETRAS BRASI
Assunto: LITERATURA ESTRANGEIRA - ROMANCES
ISBN: 9788581050164
Preço: 24,90