quarta-feira, 25 de julho de 2012

o remorso de baltazar serapião

assim mesmo, tudo com letras minúsculas, do início ao fim. deixarei minhas impressões da mesma forma, já que acabei de ler e estou completamente encantada.

valter hugo mãe foi um presente. a querida lu, fã de carteirinha do autor, trouxe-me este livro para que eu o conhecesse um pouco.

o remorso de baltazar serapião ganhou o prêmio literário josé saramago em 2007 e agora preciso procurar suas outras obras. o livro conta a história de baltazar e sua singular família. originalmente de sobrenome serapião, a família ganhou apelido de "os sargas" por causa de sua velha vaca. conta-se a boca miúda em seu povoado de fins de mundo que os filhos do senhor afonso serapião, ou afonso sarga, foram todos concebidos pela vaca da família e não por sua esposa, uma senhora manca, que foi 'escangalhada' por seu marido para que não fosse muito longe e tivesse tentações da carne.

baltazar possui mais dois irmãos: brunilda e aldegundes. a moça cedo foi trabalhar para dom afonso, dono de todas as terras, um verdadeiro senhor feudal, e além das tarefas domésticas ainda era obrigada a servir seu amo na cama. para seu pai, brunilda prostituiu-se, não passando-lhe pela cabeça que aquilo poderia ser forçado. aldegundes é o caçula e um rapazinho com talentos artísticos que se desenvolveram após o trágica desenlace de sua mãe, morta violentamente por seu pai. a partir daí, aldegundes passa a fazer pinturas de sóis e anjos e bichos à procura do céu onde possa encontrar sua mãe.

baltazar é prometido em casamento para a moça mais bela do povoado, ermesinda. ao ser avistada pelo senhor dom afonso, este logo se encanta pela moça e a obriga a visitá-lo todos os dias de manhã. baltazar é consumido pelo ciúme e, como seu pai, vai deixando a moça cada vez mais deficiente, a começar pelas pernas, braços, um olho e a cabeça. ele transfigura sua mulher, mas ainda vê beleza nela, onde todos a veem como um bicho. ele morre de amores por sua esposa, mas o ciúme violento herdado do pai o transtorna e assim ele vive, entre o remorso e a certeza de estar educando-a para o matrimônio como deve ser.

livro de profunda prosa poética. é o primeiro livro de prosa de valter hugo mãe. merecidíssimo prêmio josé saramago.

Autor: MAE, VALTER HUGO
Editora: EDITORA 34
Assunto: LITERATURA ESTRANGEIRA - ROMANCES
ISBN: 9788573264593
37,00

domingo, 22 de julho de 2012

A esperança de uma mãe

O que acontece quando você tem uma experiência marcante na vida? Como você reage ao perceber traços familiares em seus filhos?
A esperança de uma mãe é a primeira parte de uma saga familiar envolvente, que conta a história de Marta desde sua infância difícil até seu casamento e a relação conturbada com Hildie, uma de suas filhas. O livro mostra como nossa vida e o que passamos influencia na educação e maneira de olhar e lidar com os filhos.
Francine Rivers cadencia o livro com romance e um traço religioso, em que Deus está sempre presente.
Um livro profundo, que fala da complexa relação familiar e o que isso pode desencadear num ser humano.
Marta é uma personagem rígida, embrutecida pelas circunstâncias de ter vivido sob o jugo de um pai extremamente violento e uma mãe fraca e submissa.
Ao formar sua própria família, tenta desesperadamente mudar o rumo da história e, tendo quatro filhos, percebe em sua filha mais velha o mesmo espírito sensível de sua irmã caçula. Por amor, tenta de todas as formas mudar a natureza da filha, que sofre absurdamente com a diferença de tratamento. Quanto mais Hildie, busca a aceitação da mãe por meio de obediência e recato, maior a distância entre as duas.

Algumas partes da quarta capa:

"Na Suíça do início do século XX, a ambiciosa e decidida Marta Schneider sai de casa determinada a fugir do pai violento, da mãe amorosa mas fraca e das restrições impostas às mulheres naquela sociedade.
[...]
Marta espera poder dar aos filhos uma vida melhor, mas aprendeu desde cedo que somente os fortes sobrevivem. Sua rigidez muitas vezes é incompreendida, principalmente pela filha mais velha, Hildemara, que anseia pela aprovação da mãe. Em meio ao drama da Segunda Guerra Mundial, Hildemara se apaixona e começa sua própria família. Mas eventos trágicos e inesperados forçam mãe e filha a encarar os defeitos e o abismo cada vez mais profundo que ameaça separá-las para sempre.
Com uma prosa envolvente e personagens emocionantes, A esperança de uma mãe é a primeira parte de uma saga familiar inesquecível sobre os sacrifícios que toda mãe faz por seus filhos e sobre a natureza do amor incondicional."


Autor: RIVERS, FRANCINE
Editora: VERUS EDITORA
Assunto: LITERATURA ESTRANGEIRA
ISBN: 9788576861331
39,90

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Sobre o outro.

"Quando Paulo fala de Pedro, ficamos conhecendo muito mais sobre Paulo do que sobre Pedro."

Perfeito. Alguém conhece a autoria desta frase? Vi que muitos links se referem a Freud, mas algumas correntes dizem que não é verdade, que isso consta na psicologia há mais tempo.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

A decisão

"Vida é o que existe entre o nascimento e a morte. O que acontece no meio é o que importa.

No meio, a gente descobre que sexo sem amor também vale a pena, mas é ginástica, não tem transcendência nenhuma. Que tudo o que faz você voltar pra casa de mãos abanando (sem uma emoção, um conhecimento, uma surpresa, uma paz, uma ideia) foi perda de tempo.

Que a primeira metade da vida é muito boa, mas da metade pro fim pode ser ainda melhor, se a gente aprendeu alguma coisa com os tropeços lá do início. Que o pensamento é uma aventura sem igual. Que é preciso abrir a nossa caixa preta de vez em quando, apesar do medo do que vamos encontrar lá dentro. Que maduro é aquele que mata no peito as vertigens e os espantos.

No meio, a gente descobre que sofremos mais com as coisas que imaginamos que estejam acontecendo do que com as que acontecem de fato. Que amar é lapidação, e não destruição. Que certos riscos compensam – o difícil é saber previamente quais. Que subir na vida é algo para se fazer sem pressa.

Que é preciso dar uma colher de chá para o acaso. Que tudo que é muito rápido pode ser bem frustrante. Que Veneza, Mykonos, Bali e Patagônia são lugares excitantes, mas que incrível mesmo é se sentir feliz dentro da própria casa. Que a vontade é quase sempre mais forte que a razão. Quase? Ora, é sempre mais forte.

No meio, a gente descobre que reconhecer um problema é o primeiro passo para resolvê-lo. Que é muito narcisista ficar se consumindo consigo próprio. Que todas as escolhas geram dúvida, todas. Que depois de lutar pelo direito de ser diferente, chega a bendita hora de se permitir a indiferença.

Que adultos se divertem muito mais do que os adolescentes. Que uma perda, qualquer perda, é um aperitivo da morte – mas não é a morte, que essa só acontece no fim, e ainda estamos falando do meio.

No meio, a gente descobre que precisa guardar a senha não apenas do banco e da caixa postal, mas a senha que nos revela a nós mesmos. Que passar pela vida à toa é um desperdício imperdoável. Que as mesmas coisas que nos exibem também nos escondem (escrever, por exemplo).

Que tocar na dor do outro exige delicadeza. Que ser feliz pode ser uma decisão, não apenas uma contingência. Que não é preciso se estressar tanto em busca do orgasmo, há outras coisas que também levam ao clímax: um poema, um gol, um show, um beijo.

No meio, a gente descobre que fazer a coisa certa é sempre um ato revolucionário. Que é mais produtivo agir do que reagir. Que a vida não oferece opção: ou você segue, ou você segue. Que a pior maneira de avaliar a si mesmo é se comparando com os demais. Que a verdadeira paz é aquela que nasce da verdade. E que harmonizar o que pensamos, sentimos e fazemos é um desafio que leva uma vida toda, esse meio todo."

Martha Medeiros (04/12/11)

Postado por minha querida Silvia Mara em seu blog Volume Máximo.

A escadaria da escuridão

Sinopse de A escadaria da escuridão, mais uma capa de Julio Zartos para a Editora Rocco.

Na sequência do surpreendente O livro dos dias mortos, o britânico Marcus Sedgwick dá continuidade às aventuras do órfão Menino, que sobrevive a uma maratona repleta de magia negra e perseguições ao lado do mago Valerian, e agora segue em fuga numa jornada cheia de perigos e segredos para tentar descobrir seu próprio nome e sua verdadeira história. Com seu estilo limpo e fluente, Sedgwick constrói uma trama cheia de armadilhas – endereçadas não só ao protagonista como também ao leitor.

No livro, cinco dias depois da morte do mágico Valerian, na véspera do ano-novo, durante o inverno mais frio dos últimos tempos, Menino e Willow foram separados por Keppler, e estão começando nova vida distante um do outro. Eles tentam se acostumar com a nova realidade enquanto procuram uma maneira para voltarem a ficar juntos. Menino está trabalhando e morando com Kepler, enquanto Willow vive agora em um orfanato, onde tem um novo emprego. A oportunidade dos dois aparece durante o funeral de Korp, velho diretor do antigo teatro onde Valerian e Menino encenavam o seu ato.

Após o enterro, todos são arrastados por Georg, o violinista do teatro e antigo companheiro de Valerian e Korp, para a taverna local para celebrar a memória dos amigos. É nesta hora que Menino e Willow começam a traçar os planos para o futuro juntos e sem Kepler.

Enquanto a cidade enfrenta uma enorme nevasca e sofre com as ataques de um misterioso e violento assassino conhecido apenas como Fantasma, Menino e Willow dão início aos seus planos e começam a busca pelo misterioso Livro de Valerian, que agora está de posse de Kepler. Menino pensa que o livro é capaz de revelar seu passado, mas, por estar no lugar errado na hora errada, o rapaz é capturado pela Guarda Imperial e levado para o palácio.

Na corte, Menino é apresentado a Frederick, o velho imperador, que, por suas próprias razões, também está à procura do livro de Valerian. Após um estranha audiência com o velho, Menino é salvo da morte por Maxim, servo não tão leal do imperador, e jogado nas masmorras.

Com sua vivência na rua, Menino desenvolveu alguns talentos bem peculiares, especialmente a capacidade de abrir fechaduras, e logo está à solta pelo palácio onde continua a sua série de inesperadas descobertas, dentre elas a inexplicável presença do selvagem Fantasma no interior da mansão.

Marcus Sedgwick continua as aventuras de Menino com um estilo limpo e fluente, e entrega aos leitores um livro excelente, com um final surpreendente. E que fique a lembrança: nem tudo é o que parece.

Editora Rocco

http://www.rocco.com.br/
 
http://juliozartos.wordpress.com/