segunda-feira, 24 de junho de 2013

O palhaço e sua filha

Literatura turca, escrita por Halide Edip Adivar, autora feminista nascida em 1884, que passou a vida inteira em Istambul e conseguiu lutar por liberdade sem perder o respeito por sua crença.

O livro conta a história de Rabia, desde antes de seu nascimento. A mãe, religiosa fanática se apaixona pelo sobrinho e herdeiro do dono do mercado do bairro Sinekli-Bakkal. Tevfik é carismático e seu talento para o teatro pulsa dentro de si como tudo aquilo para o qual o destino chama o ser humano. O casamento deles não dura, pois a arte que mora em Tevfik o impede de mudar de essência como sonha sua maníaca esposa. Separam-se antes do nascimento de Rabia, que passa a infância em companhia da mãe e do avô, religioso ortodoxo. Seu pai torna-se exilado por ordem do paxá. Ainda criança aprende o ofício de Recitadora do Corão, prática muito incentivada pelo avô. Assim, sua vida começa a mudar, quando ela é solicitada para recitar o Corão em lugares públicos e residências, como a casa do paxá Selim, onde sua esposa se toma de amores por Rabia. Ali ela conhece um mundo absolutamente oposto ao que tinha vivido até então. Com sua aguda inteligência, percebe ao seu redor tudo o que precisa e deseja para viver de acordo com seu eu. Sua vida é marcada por essa família que, de um lado, a aterroriza com base na religião e, de outro, a torna livre e dona de seu destino.

A autora passeia por um período pré-revolução (1908) e retrata uma Istambul cheia de vida e contradições. Maravilhoso livro.

"... Osman ia adorar tudo aquilo. Mas ela estava se sentindo um pouco sozinha. Rabia sentia falta da pequena rua; ela estava acostumada a fronteiras palpáveis de definidas; esse horizonte nebuloso e elusivo a assustava. Não havia nenhum movimento nele. Nessa hora, as pessoas em sua rua estariam indo para a mesquita ou visitando um ao outro. Essa mudança de ares lhe deu a sensação de ter dobrado uma esquina em sua vida. Não gostava de esquinas. No instante em que se vira uma esquina, torna-se outra pessoa. Nunca se pode livrar-se de seu eu anterior, então se fica acumulando um eu sobre o outro, de modo que o mais recente fica em cima."

Autor: ADIVAR, HALIDE EDIP
Editora: PLANETA DO BRASIL
Assunto: LITERATURA ESTRANGEIRA - ROMANCES

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