terça-feira, 7 de outubro de 2014

De repente, uma batida na porta

Um livro de contos que você não está acostumado a ver por aí. O autor, Etgar Keret, vai do fantástico ao cotidiano, passando pelo esdrúxulo e surreal numa velocidade que é difícil de acompanhar, literariamente.

O que me chamou atenção neste livro foi, quando vi a capa, tinha uma frase do autor Salman Rushdie, de quem sou fã: "Um escritor brilhante, totalmente diferente de qualquer outro. A voz da nova geração." Minha curiosidade foi maior do que meu interesse menor por um livro de contos, de histórias soltas e descontextualizadas umas das outras. Não que não goste de bons contos, apenas prefiro as histórias mais longas, que me permitem viajar com elas.

Os contos são curtos, porém intensos e profundos, cada um com uma forma diferente de mostrar a essência do autor, mas que está ali, o tempo inteiro, exposta e bem definida. O primeiro trecho escolhi por ser uma espécie de apresentação:

"De todos os meus livros de contos, De repente, uma batida na porta é o mais próximo de meu coração. Porque é o primeiro, e, por enquanto, o único livro que escrevi como um pai. A paternidade é provavelmente a mais incrível e complexa experiência que já tive. Ela preenche cada manhã com medo e esperança, e acrescenta dúzias de pequenas mas comoventes vitórias e derrotas no campo de batalha da sua vida. Mais ainda, o papel de pai, se você respeitá-lo de fato, o força a olhar como se pela primeira vez para si mesmo e suas ações, de um ponto de vista novo, espantado e ligeiramente mais estreito, e a explicar a você e a seu filho este mundo confuso e o porquê de você fazer todas as coisas esquisitas que você faz nele. A maioria dos contos neste livro não está diretamente ligada à paternidade, mas foram todos escritos pelo pai de uma criança curiosa e amada, e por detrás deles está a tentativa de explicar ao meu filho, não menos que a mim mesmo, por que é difícil ser uma pessoa, e por que, diabos, ainda assim o esforço vale a pena."

"..., a vida me parece uma armadilha. Algo em que você entra sem suspeitar, e ela se fecha sobre você. E quando você está dentro, dentro da vida, quero dizer, então não há para onde fugir..."

"Meus olhos começam a se fechar agora. Não só naquele universo, na cama, na floresta, também em outros universos sobre os quais não quero pensar agora. É bom para mim saber que há outro lugar; no coração da floresta, em que adormeço agora feliz."

Autor: KERET, ETGAR
Editora: ROCCO
Assunto: LITERATURA ESTRANGEIRA - CONTOS E CRÔNICAS
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