segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Os dispersos

Lá venho eu de novo com um esgotado, mas como agora já não existe mais dificuldades de se encontrar livros raros e usados, não me sinto tão mal assim...
Nem a capa do livro encontrei na internet!

Vários contos com um mesmo tema: a inconformidade da autora com o povo judeu disperso mundo afora enquanto existe sua própria terra, com alegrias e dissabores, mas mesmo assim, sua terra.
Histórias envolventes, sutis, cheias de encanto e sensibilidade.
Janette Fishenfeld prende nossa atenção justamente pela sutileza dos seus questionamentos mais internos. Só quem se aprofunda em cada uma dessas histórias consegue captar tamanha sutileza.
Ótima leitura! Adorei!

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Carolina Maria de Jesus - Uma escritora improvável

No prelo da minha estante! ;)

Resenha amanhã - sábado 23/01/10 - Folha de São Paulo


Negra, semi-analfabeta e favelada. Essa poderia ser a história de qualquer mulher brasileira das classes pobres se não fosse por um detalhe: a paixão de Carolina Maria de Jesus pela leitura e pela escrita. Joel Rufino, que declara sempre ter tido vontade de escrever sobre Carolina, chamou de “grafomania” essa grande paixão que a catadora de papel possuía pelas letras.

Carolina nasceu em Sacramento, Minas Gerais, e só estudou até o segundo ano primário. Já adulta, emigrou para São Paulo e foi morar na favela de Canindé. Ali começou a trabalhar como catadora de papel, função que realizou até o final de sua vida em 1977.

Dividida entre catar papel, cuidar dos filhos e escrever, Carolina publicou seu primeiro livro, Quarto de despejo, em 1960. Neste livro-diário, a autora relata a fome cotidiana, a miséria, os abusos e preconceitos sofridos por ela, seus filho e outros moradores da favela. Lançado em agosto, o livro teve 8 reimpressões no mesmo ano, com mais de 70 mil exemplares vendidos na época. Em seguida foi traduzido para 14 idiomas atingindo mais de 40 países. Até 2009, já foi vendido mais de um milhão de exemplares das obras escritas por Carolina.

Neste livro, Joel Rufino nos conta a vida de Carolina Maria entrelaçando-a com a história recente do Brasil com fortes reflexões sobre classe, sociedade, raça e escritura. Professor, historiador e escritor renomado, Joel se rende totalmente ao encanto das palavras de Carolina e diz: “Não conheço fórmula mais poética para dizer o valor da cultura, nas condições difíceis em que viveu e escreveu, do que a dela: - O meu sonho era viver cem anos para ler todos os livros do mundo.”.

Páginas: 168
ISBN: 978-85-7617-173-7
R$ 37,00

www.garamond.com.br

Tia Carmem - Negra tradição da Praça Onze


Gente, o que é Tia Carmem?!?!?! Como é fantástico conhecer sua história... e que história! 109 anos, 22 filhos, sabe Deus quantos netos, bisnetos e tataranetos. Ela veio da Bahia, neta de escravos, chegou aos 15 anos no Rio de Janeiro e junto com tantos outros baianos e cariocas, fundaram na Praça Onze o que era conhecido na época como Pequena África.A história de Tia Carmem é contada por sua neta, Yara da Silva, e por conta disso, vem carregada de emoção e carinho, o que dá um toque especial à leitura.
Ela, junto com Tia Ciata e tantas outras "tias" da Praça Onze, fizeram história. Dos quitutes baianos vendidos em seus tabuleiros para sustentar tanta gente, passando pelas festas de candomblé e as rodas de samba de onde saíram os maiores nomes da nossa música.
Entre os fatos e casos da vida de sua avó, Yara mistura fatos históricos interessantes, como a grande quantidade de africanos que praticavam o islamismo e que tiveram grande participação nas revoltas pela libertação.
Sua casa, sempre cheia de festa e alegria permaneceu assim até o final e era o motivo da sua vitalidade.
Livro encantador. Saber que existiu um ser humano tão cheio de vida e amor é sempre reconfortante, nos dá esperança na vida...

Autor: SILVA, YARA DA
Editora: GARAMOND
Assunto: BIOGRAFIAS, DIÁRIOS, MEMÓRIAS E CORRESPONDÊNCIAS
ISBN: 9788576171744
Preço: 35,00

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Palavra Sambada

O samba lava nossa alma....

Coisa De Pele
 Jorge Aragão e Acyr Marques

Podemos sorrir, nada mais nos impede
Não dá pra fugir dessa coisa de pele
Sentida por nós, desatando os nós
Sabemos agora, nem tudo que é bom vem de fora

E a nossa canção pelas ruas e bares
Nos traz a razão, relembrando palmares
Foi bom insistir, compor e ouvir
Resiste quem pode à força dos nossos pagodes

E o samba se faz, prisioneiro pacato dos nossos tantãs
E um banjo liberta da garganta do povo as suas emoções
Alimentando muito mais a cabeça de um compositor
Eterno reduto de paz, nascente das várias feições do amor

Arte popular do nosso chão...
É o povo que produz o show e assina a direção
Arte popular do nosso chão...
É o povo que produz o show e assina a direção

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Uma prece para Danny Fisher

Sensível. Dramático. Triste. Belo. Um romance daqueles que a gente não consegue parar, desgrudar. Danny é um menino doce e sonhador, um adolescente marcado pela pobreza, revoltado, violento, um adulto amoroso, apaixonado e amargurado. Impulsivo, guia sua vida de acordo com o que recebe dela, como tantos jovens que vemos hoje. Mas ele tem mais... tem um amor dentro de si, uma sensibilidade que nos desconcerta.
Sua família vive isso também, e cada um o recebe de um jeito, cada um tem uma maneira particular de entender esse ser humano tão ímpar.
Infelizmente vocês só o encontrarão no link aí embaixo, ou em algum sebo, esperando por ser descoberto. Aliás, isso é algo interessante: descobrimos aos poucos que alguns livros morrem sim, que há livros maravilhosos que não são mais editados e isso dá uma tristeza danada!

Dica das boas.

Autor: ROBBINS, HAROLD
Editora: RECORD
Assunto: LITERATURA ESTRANGEIRA - ROMANCES

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

E por falar em caderno...

Lembrei agora de uma música que marcou muito minha vida.
Toquinho e Miltinho traduziram a palavraescrita de forma singela. A declaração de amor de um caderno a uma menininha. Primeiros passos dela no uso da palavra. Sempre que ouço esta música, choro como criança.

O Caderno
Composição: Toquinho / Miltinho

Sou eu que vou seguir você
Do primeiro rabisco
Até o be-a-bá.
Em todos os desenhos
Coloridos vou estar

A casa, a montanha
Duas nuvens no céu
E um sol a sorrir no papel...

Sou eu que vou ser seu colega
Seus problemas ajudar a resolver
Te acompanhar nas provas
Bimestrais, você vai ver
Serei, de você, confidente fiel
Se seu pranto molhar meu papel...

Sou eu que vou ser seu amigo
Vou lhe dar abrigo
Se você quiser
Quando surgirem
Seus primeiros raios de mulher

A vida se abrirá
Num feroz carrossel
E você vai rasgar meu papel...

O que está escrito em mim
Comigo ficará guardado
Se lhe dá prazer
A vida segue sempre em frente
O que se há de fazer...

Só peço, à você
Um favor, se puder
Não me esqueça
Num canto qualquer...

O caderno vermelho

Ganhei de amigo oculto na confraternização de final de ano da editora que trabalho. Perdão: ganhei não, pedi!
E adorei meu presente.
Paul Auster conta aqui, como se diria no Brasil, vários "causos" verídicos, acontecimentos ocorridos com ele mesmo ou com pessoas próximas, amigos, parentes, etc. São histórias curtinhas, comentários somente, mas são contadas de maneira tão inteligente que mais parece um romance, uma ficção.
Ele, que é reconhecido mundialmente por sua literatura, autor de vários best-sellers, abre seu caderninho vermelho de passagens da vida cotidiana, alheia e dele mesmo, para o público.
Maravilhoso!

Autor: AUSTER, PAUL
Editora: COMPANHIA DAS LETRAS
Assunto: LITERATURA ESTRANGEIRA - ROMANCES
ISBN: 9788535914740
Preço: R$ 16,00

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Tempo de guerra

Amei, amei! A princípio, fiquei pensando sobre o título do livro, pois são contos absolutamente diferentes. E na medida em que seguia na leitura consegui detectar o ponto em comum: todos os seis contos falam de guerras íntimas, desde a mutação de cães a lobos vorazes num acampamento de sem-terra, até o drama interno de um matador religioso que se prepara para atirar em um escritor em nome da fé.

Seis contos deliciosos. Guerra Civil - trata dos tais cães que, acossados, transmutam para uma espécie mais feroz tentanto garantir assim sua sobrevivência.

Geada - Uma mesma viagem de avião. Duas histórias opostas. A falência de um sujeito versus a boa sorte de outro e a mensagem sobre como a forma de pensar pode mudar uma vida.

Uma xícara de açúcar - Conto sobre as aventuras sexuais entre uma mulher casada e seu vizinho, envolvidos em um romance que tem tudo para dar errado e dá, realmente.

Ultima viagem - Um dos melhores. Pessoas distintas viajando em um ônibus intermunicipal que sofre vários percalços na trajetória e como é importante a união em momentos difíceis.

Terceiro turno - Drama sobre um político que precisa tornar sua vida pública. E como faz diferença o apoio incondicional da família, por menor que seja.

O murro de Maktub - Sem dúvida ele deixou este por último, como quem guarda o melhor de um bom prato de comida para o fim. Mostra o desespero de um atirador que se prepara para cometer um atentado contra o escritor Salman Rushdie em Berlim e se vê em outro país, vivenciando outra cultura e conhecendo melhor a si e as pessoas.

Autor: PELLEGRINI, DOMINGOS
Editora: COMPANHIA DAS LETRAS
Assunto: LITERATURA BRASILEIRA
ISBN: 9788571646797
Preço: R$ 40,50

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Duas Narrativas Fantásticas

Feliz ano novo, gente!
Acho que começo super bem, mas sou suspeitíssima, pois, para mim, o cara é gênio!

Este precioso livrinho contém dois contos realmente fantásticos! Eles foram publicados na época, entre 1876 e 1881, no "Diário do Escritor".

O primeiro conto, "A Dócil", fala de um casal da época, que teve o casamento praticamente arranjado (por parte dele, no caso) e a reviravolta que acontece quando sua esposa se suicida. O conto é todo preenchido por recordações desse marido desesperado, tentando encontrar os motivos pelos quais ela cometeu tal ato. Maravilhoso, sensível e profundo.

O outro conto chama-se 'O sonho de um homem ridículo' e mais do que 'fantástico', é vanguardista, moderno, absolutamente à frente do próprio tempo. Nosso personagem, que é taxado pelos conhecidos de 'ridículo', resolve se matar. No dia marcado por ele mesmo, acaba dormindo pensando em sua vida, em frente ao próprio revólver. E aí ele tem um sonho que considera real, onde conhece um planeta onde a vida é ainda regida pelo paraíso, a comunhão com a natureza e seus semelhantes. Tudo muda a partir daí. Esse "sonho de Dostoiévski" é sem dúvida um dos maiores da literatura russa ou até mesmo mundial.

Autor: DOSTOIEVSKI, FIODOR
Editora: EDITORA 34
Assunto: LITERATURA ESTRANGEIRA
Preço: 29,00
ISBN: 9788573262711