quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Três novelas femininas

Um livro com três histórias contadas a partir da perspectiva de três mulheres absolutamente diferentes, mas com a essência de sua época se manifestando de forma bem marcada.

Medo, Carta de uma desconhecida e 24 horas na vida de uma mulher são contos marcados de dor, angústias, fortaleza feminina e aquela sensibilidade maravilhosa das mulheres.

No primeiro conto, a personagem-narradora é uma mulher casada e rica que, se envolvendo em uma relação fora de seu casamento vive as angústias que a faz entrar em colapso, por medo de perder a vida tranquila que levava em seu tranquilo casamento.

O segundo, um lindo conto em forma de carta, escrito por uma mulher à beira da morte para o grande amor da sua vida. À medida que a história vai se descortinando para seu destinatário, mais surpresas vão aparecendo. Um belíssimo suspense.

E por último, 24 horas na vida de uma mulher, uma senhora já no final da vida elege um amigo para confessar todas as suas agruras, retirando assim um peso enorme de sua existência.

Maravilhoso livro. Após cada conto, Alberto Dines, jornalista e biógrafo de Zweig, nos brinda com comentários em textos adicionais,

Trecho da orelha, um resumo da vida do autor:

"Stefan Zweig (1881-1942), nasceu em uma rica família judia, viveu a efervescência cultural de Viena no começo do século XX. Amigo de grandes intelectuais e artistas, desde a Primeira Guerra Mundial tornou-se pacifista. Com a ascensão do nazismo, distanciou-se de seu país natal cada vez mais. Após o início da Segunda Guerra Mundial, refugiou-se no Brasil, mais especificamente em Petrópolis (RJ), onde suicidou-se com a mulher em 1942.

Autor: ZWEIG, STEFAN
Tradutor: LISBOA, ADRIANA
Tradutor: ABI-SAMARA, RAQUEL
Editora: ZAHAR
Assunto: LITERATURA ESTRANGEIRA - CONTOS E CRÔNICAS

domingo, 14 de setembro de 2014

A verdade sobre o caso Harry Quebert

Um dos romances policiais mais sensacionais que já li. É tensão e mistério da primeira à última página. Daqueles livros que você não faz ideia de como acabará e por isso não consegue parar de ler. Marcus Goldman, o melhor protagonista do mundo.

Depois de estourar com seu livro de estreia, Marcus vira uma celebridade do dia para a noite. Começa a ser pressionado pela editora a escrever o segundo, mas vê sua inspiração ir ralo abaixo. Como costuma dizer, adquiriu a doença dos escritores, a Síndrome da Página em Branco. Então, depois de um período de agonia, resolve procurar seu professor de literatura e mentor, Harry Quebert, sem imaginar que sua vida ia sofrer uma segunda reviravolta ao voltar à cidadezinha onde mora o professor.

A partir daí, Marcus se vê envolvido em uma trama absurda, com Harry sendo acusado de assassinato. O corpo de uma menina de 15 anos, desaparecida em 1975 foi encontrado em seu quintal. Marcus se vê na obrigação de procurar a verdade e defender seu melhor amigo.

Todos os personagens são marcantes e cheios de impacto. Estava saindo do metrô lendo o livro, subindo as escadas lendo o livro (!!), quando ouvi uma voz: "Esse livro é sensacional, eu também andava pelas ruas lendo". Achando que era alguém conhecido, olhei para o lado e vi uma estranha, que não resistiu em comentar. Achei um barato e mais uma prova do quanto o livro é bom.

Um pequeno trecho, uma das pílulas de ensinamento do mestre ao aluno, sobre a arte de escrever um bom romance:

"Um bom livro, Marcus, não se mede somente pelas últimas palavras, e sim pelo efeito coletivo de todas as palavras que a precederam. Cerca de meio segundo após terminar o seu livro e ler a última palavra, o leitor deve se sentir invadido por uma sensação avassaladora. Por um instante fugaz, ele não deve pensar senão em tudo que acabou de ler, admirar a capa e sorrir, com uma ponta de tristeza pela saudade que sentirá de todos os personagens. Um bom livro, Marcus, é um livro que lamentamos ter terminado."

Autor: DICKER, JOEL
Editora: INTRINSECA

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Eugênia e os robôs

Livro sensível sobre Eugênia, uma menina de 11 anos que, apesar de sua aguda inteligência para as artes exatas, possui uma dificuldade enorme para entender o comportamento humano, suas contradições, altos e baixos.

Trecho da orelha: "Para ela os humanos são incompreensíveis: choram quando estão felizes; dizem 'tudo bem' quanto estão tristes."

Essas singularidades da natureza humana deixam Eugênia muito confusa e, por causa disso, não consegue se relacionar com ninguém, nem com os pais, nem com os amigos da escola, professores etc. Assim, a menina resolve usar sua inteligência apurada para construir seus próprios amigos robôs, achando que enfim teria companhia em sua infinita solidão. Essa decisão fará com que ela consiga repensar os valores humanos, talvez até perceber a riqueza do singular.

Um gostinho:
"O problema é que todos os diálogos eram mais ou menos assim quando alguém puxava assunto:
- Oi, Eugênia, tudo bom?
- Não.
E era a mais absoluta verdade. Como poderia estar TUDO bom? Todas as coisas do mundo estavam funcionando perfeitamente? Nada mais ou menos? Nada nem um pouquinho ruim? A pergunta era fácil, a resposta certa devia ser não, certo?
Errado.

Autor: TOKITAKA, JANAINA
Ilustrador: TOKITAKA, JANAINA
Editora: ROCCO
Assunto: INFANTO-JUVENIS