terça-feira, 28 de abril de 2015

Se eu ficar

Por Bruna Bonfeld

"Se eu ficar" gerou uma série de sentimentos contraditórios em mim. Tentei ler uma vez e não consegui passar das primeiras páginas. Apesar de enxergar potencial na história não me senti cativada pelo livro, exatamente como tinha acontecido com "Morte Súbita". Como sei que a gente nunca lê o mesmo livro duas vezes resolvi dar mais uma chance. 

Os fãs do livro provavelmente me chamariam de insensível, mas eu demorei bastante para me encantar com a personagem Mia. 

Mia, adolescente tinha uma vida normal. Pais, irmão, avós, tios, primos, um namorado mais velho integrante de uma banda de rock e uma melhor amiga em quem podia confiar. O que diferenciava Mia de outras adolescentes da sua idade era o fato de ser ligada a música clássica e ser violoncelista (artista que toca o instrumento violoncelo). Tudo estava indo relativamente bem, tirando alguns problemas adolescentes ocasionais, até que Mia e sua família sofrem um terrível acidente de carro, que mata seus pais e irmão mais novo e que a deixa em coma. 

A narração acontece na forma dos pensamentos da Mia enquanto estava em coma, sobre lembranças do passado e questionamentos sobre um futuro sem a sua família caso ela resolvesse ficar. A discussão central do livro é a reflexão sobre alma e corpo e até que ponto eles se separam e o quanto de poder Mia teria, enquanto alma, para permanecer viva, se essa escolha seria realmente dela. Sabe aquela polêmica sobre quando uma pessoa está em coma, sem previsão para acordar e sem alteração no seu quadro clínico e ai cogitam (médicos e família) de desligarem os aparelhos? Em nenhum momento a família de Mia pensa nessa possibilidade, mas é uma questão que poderia muito bem ser discutida a partir da leitura desse livro. 

Lendo o que eu mesma estou escrevendo me sinto completamente fascinada por essa história, porém confesso que demorei para entrar de cabeça nela, pois a autora vai liberando aos poucos as informações sobre a vida de Mia antes do acidente, o que faz com que a princípio você não sinta muita empatia por essa garota "introspectiva e solitária como seu violoncelo" (pensamento dela), pelo menos essa foi minha percepção inicial. Como gosto de emoções fortes, as vezes ficava um pouco sem paciência para essa demora em demonstrar os sentimentos da personagem.

Enfim, o fato é que aos poucos fui me envolvendo, envolvendo, envolvendo e quando vi já não conseguia mais largar esse livro. 

Na edição dessa capa ainda tem entrevista com os atores escolhidos para a adaptação do cinema, que eu ainda não vi, e um capítulo do livro "Para onde ela foi", que seria uma continuação. Não consegui ler, não quis ler, já que estava completamente embevecida pela história, por aquela história unicamente e não pude deixar de me perguntar o que eu faria no lugar de Mia. 

O que Mia fez? Ela escolheu ficar? Vocês terão que ler pra saber. 

Autor: FORMAN, GAYLE
Editora: NOVO CONCEITO
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