sexta-feira, 24 de setembro de 2010

A mulher desiludida

Três contos sobre a essência e os anseios de mulheres de terceira idade frustradas na vida pessoal e profissional. O livro é angustiante e real, que fala da solidão no envelhecer, da indiferença familiar, dos infernos pessoais de mulheres que sacrificaram suas vidas em nome do amor e da família.
Realmente Simone é de tirar o fôlego. A dor é transmitida intensamente pelas páginas.
O primeiro conto fala do desespero de uma mãe ao ver seu jovem filho trilhar um caminho oposto aos seus ideias e convicções. Mulher forte, dura, não aceita a ruptura e enlouquece. O segundo é um monólogo fantástico, travado na mente deprimida de uma mulher absolutamente abandonada por todos os seus, e entregue à própria sorte. O último, que leva o título do livro, mostra uma mulher de seus 60 anos, que aceita a traição do marido por não saber que outro tipo de vida levar. É escrito em forma de diários, de forma maravilhosa, a angústia também presente em todos os lugares. Triste, intenso, Simone.
Não recomendado para pessoas em processo melancólico. Super recomendado para pessoas ávidas por uma literatura de alta qualidade.


Autor: BEAUVOIR, SIMONE DE
Editora: NOVA FRONTEIRA
Assunto: LITERATURA ESTRANGEIRA - CONTOS E CRÔNICAS
ISBN: 9788520922637
Preço: 29,90

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Saiu no PublishNews...

... e achei uma graça!

O melhor das "Cobras" de Veríssimo
PublishNews - 09/09/2010 - Por Redação
Quando Luis Fernando Verissimo teve a idéia de escrever quadrinhos com personagens que não fossem muito elaborados fisicamente, logo pensou em cobras:
“As cobras são o produto da combinação do meu gosto por quadrinhos com minhas limitações como desenhista. Cobra é muito fácil de fazer, só tem pescoço. Não há nada mais fácil de desenhar”, conta.
Criadas em 1975, foram publicadas originalmente no jornal Zero Hora. Durante duas décadas elas comentaram assuntos do Brasil e do Universo em diversos jornais brasileiros. Filosóficas, irônicas e muito bem-humoradas, elas morrem de medo de onda grande, desprezam minhocas, já nascem dando palpite sobre tudo e adoram discutir sobre a essência do existencialismo humano. As melhores tiras estão agora reunidas em As cobras (Objetiva, 200 pp., R$ 49,90). 

Palavraunida

(pra ilustrar a letra, só consegui visualizar a tão maravilhosa Toca dos Weasley) 

Só mesmo Arnaldo para criar uma definição de núcleo familiar tão visceral. Hoje ouvi essa música tão belamente interpretada pela Marisa Monte. Há anos não a ouvia.

Sentido de unidade. Amor. Cumplicidade. Família. É tudo que consigo ler nas entrelinhas de Arnaldo. Marvilhoso.

Volte Para O Seu Lar
Marisa Monte
Composição: Arnaldo Antunes


Aqui nessa casa
Ninguém quer a sua boa educação
Nos dias que tem comida
Comemos comida com a mão
E quando a polícia, a doença, a distância, ou alguma discussão
Nos separam de um irmão
Sentimos que nunca acaba
De caber mais dor no coração
Mas não choramos à toa
Não choramos à toa

Aqui nessa tribo
Ninguém quer a sua catequização
Falamos a sua língua,
Mas não entendemos o seu sermão
Nós rimos alto, bebemos e falamos palavrão
Mas não sorrimos à toa
Não sorrimos à toa

Aqui nesse barco
Ninguém quer a sua orientação
Não temos perspectivas
Mas o vento nos dá a direção
A vida que vai à deriva
É a nossa condução
Mas não seguimos à toa
Não seguimos à toa

Volte para o seu lar
Volte para lá

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Eu queria um livro...

(Antologia de contos e cenas livrescas)

Inicialmente, este livro viria a público com o título "Eu queria um livro... mas não lembro o título, esqueci o autor e não sei qual é a editora". Imagino que realmente ficaria muito extenso e aí mesmo é que os leitores se atrapalhariam ao perguntar por ele nas tantas livrarias existentes em nosso país.
Ao nos depararmos com ele, vemos na superfície mais um livro de contos contemporâneos de artistas brasileiros. Mas ele é mais do que isso. São dezessete autores-livreiros. Pessoas que trabalham a semana inteira em prol de uma cultura tão difícil de ser absorvida: a literatura.
Os contos são deliciosos, escritos de forma sensível e exata. As cenas livrescas são emocionantes e divertidas. Entre os autores, dos quais três são queridos amigos "travessos", da época em que eu também passava meus dias com tantas estantes maravilhosas ao meu redor, falam do ofício com muito amor.

Um trecho para dar água na boca. A cena trata de uma cliente ansiosa, à procura de um livro praticamente esgotado. A narração é de um sensível livreiro e querido amigo.

"Eu sabia que tínhamos o que ela procurava, ela só estava procurando no lugar errado. Ficou tão presa em sua timidez que se esquecia de adentrar mais a loja, perceber mais os espaços, integrar-se mais ao ambiente, fazer amizade com os livros. Confiar. Eles falariam o caminho. Sempre falam.
Assim como falam das pessoas. [...] Os livros, no fundo, sabem com quem vão ficar. E é nosso papel como livreiros fazer esta entrega, esta transição para as mãos daqueles que serão seus novos donos. Esse é o lado romântico da parceria livro-livreiro: está mais para doação do que para venda."

Os autores ganharam um prefácio de Rubem Fonseca, onde ele diz:
"Eu nunca faço prefácios ou escrevo orelhas de livros, nem mesmo para os meus amigos. Mas não consegui negar o pedido para escrever a orelha de uma antologia de contos escritos por livreiros."

O mundo dos livros é mágico. Fazer parte dele ativamente, conhecer a fundo autores, tipos de literatura, dos clássicos aos modernos, é o mesmo que viver sempre dentro da magia. É fantástico. Por isso me sinto tão feliz de fazer parte, de alguma forma, desse mundo.

Organizador: MULLER, LEANDRO
Editora: AGIR
Assunto: LITERATURA BRASILEIRA
ISBN: 9788522011926 
Preço, 24,90

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Noites Brancas

Ah, Dostoiévski...
Imaginem a cena. No ano de 1848, Dostoiévski publica uma novela romântica, num período onde o romantismo era condenado entre os críticos da literatura russa. Ele consegue, em sua singela história de amor, reunir romance, drama, comédia, espírito aguçado, graça, paródia.
Nosso narrador se denomina um Sonhador, assim mesmo, com letra maiúscula. Homem absolutamente solitário e melancólico que passa algumas noites brancas, fenômeno que acontece nos verões de São Petersburgo, onde o sol não chega a se pôr de todo, na companhia de uma agradável donzela, por quem se apaixona perdidamente. Os dois personagens, absolutamente inteligentes e sensíveis, envolvem-se de forma distinta. Ela o vê como um querido amigo, um confidente, e ele, coitado, morre de amores.
O livro tem um desfecho dramático, sofrido, mas, como sempre, genial como seu criador.
Não sei... acredito que só deva ser permitido nascer criaturas como Dostoiévski a cada século, para que a humanidade sempre perceba a importância da literatura em nossas vidas.

Autor: DOSTOIEVSKI, FIODOR
Ilustrador: ABRAMO, LIVIO
Tradutor: SANTOS, NIVALDO DOS
Editora: EDITORA 34
Assunto: LITERATURA ESTRANGEIRA - ROMANCES
ISBN: 9788573263350
Preço: 27,00